Discente: Priscila Nogueira Branco

Título da dissertação: Poética do corpo na poesia de Ferreira Gullar

Orientador(a): Anélia Montechiari Pietrani

Ano da defesa: 2019

Páginas: 107

Resumo:

Ferreira Gullar foi um poeta de muitos corpos. Começou sua estrada poética seguindo a forma clássica da poesia, pois não havia outro referencial de escrita ao seu alcance. Ao entrar em contato com os modernistas, descobre que é possível um outro modo de escrever. Poeta do espanto que era, na década de 50 entra em choque com a própria linguagem, e a partir desse processo nasce seu primeiro corpo: uma mutação, em Crime na flora, em que o poema-corpo é deformado, inquieto, assassinado, trocado de gênero, experimentação pura. Nas décadas de 60 e 70, envolvido profundamente com questões de cunho social, sua poesia se transforma em um corpo político, através de Dentro da noite veloz e Poema sujo. No fim de sua vida, voltado para questionamentos internos, o corpo de sua poesia se torna quase filosófico, questionador, mais uma vez guiado pelo espanto, e é quando nasce Em alguma parte alguma. Nesses três momentos distintos, o fazer poético gira em torno do corpóreo: primeiro, quando à luz dos questionamentos sobre a linguagem pura, um corpo se torce e se transforma; segundo, quando uma poesia política, um corpo coletivo se forma, inseparável do ser humano e necessário à compreensão da realidade; por último, um corpo voltado para dentro, gerando um estranhamento e separação entre ontologia e estado físico no mundo. É a partir dessas três leituras que buscamos apresentar a poética do corpo na poesia de Ferreira Gullar.

Palavras-chave: Ferreira Gullar; Corpo; Poesia; Política; Estranhamento.

Abstract

Ferreira Gullar was a poet of many bodies. He has started his poetic road following the classic form of poetry, because there was no other writing reference at his fingertips. By getting in touch with the modernists, he realizes that another way of writing is possible. As he was a poet of astonishment, in the 50’s he conflitcs with the language itself, and from this process his first body is born: a mutation, in Crime na flora, where the body-poem is deformed, restless, murdered, gender-fluid, pure experimentation. In the 60’s and 70’s, deeply involved with social matters, his poetry becomes a political body, through Dentro da noite veloz and Poema sujo. At the end of his life, focusing on internal questions, the body of his poetry gets almost philosophical, once more guided by astonishment, and that is when Em alguma parte alguma is born. During these three different moments, the poetry is about the corporeal: first, when questioning about pure language, a body bends and transforms itself; second, when a political poetry, a collective body appears, inseparable from the human being and necessary to comprehension of reality; at last, a body aiming the inside, making a strangeness and division between ontology and physical state in the world. It is through these three ways of reading that we hope to present the corporeal poetry of Ferreira Gullar.

Keywords: Ferreira Gullar; Body; Poetry; Politics; Strangeness.

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

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