Discente: Raphael da Graça Braga

Título da dissertação: Intertextualidade e o sagrado na poesia de Adélia Prado

Orientador(a):  Adauri Silva Bastos

Ano da defesa: 2019

Páginas: 147

Resumo:

A proposta desta pesquisa é analisar a obra de Adélia Prado a partir de três livros que, publicados em momentos diferentes, oferecem uma visão abrangente e significativa de sua trajetória: Bagagem (1976), A faca no peito (1988) e Miserere (2013). A ideia é verificar em que medida a ironia serve de interface entre o profano e o religioso. Para tanto, adotaremos como elementos norteadores a intertextualidade e a metalinguagem, que se mostram recorrentes a ponto de conferirem unidade à produção da autora mineira. Vincularemos sua obra às de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Guimarães Rosa – movimento balizado pela própria presença do quarteto em dedicatórias, citações, alusões, paráfrases e epígrafes –, mas como ponto de passagem para a afirmação da originalidade de seus versos. A palavra poética é mais que um referenciador de elementos extratextuais, pois presentifica aquilo que aponta, ou, nas palavras de Adélia Prado, “na poesia, a palavra vira a coisa”. Seus textos ratificam, implícita ou explicitamente, essa concepção, ao descreverem fatos, objetos e pessoas como emanadoras de beleza. O belo empírico sublima-se em arte na tentativa de se proteger do esquecimento e da morte. Como para a doutrina judaico-cristã (católica), com a qual a poetisa se afina, só Deus tem o poder de romper as barreiras temporais, o gênero poético estaria ligado intrinsecamente à transcendência. Entre os críticos da poesia moderna a que recorreremos para a realização da empreitada destacam-se Hugo Friedrich (Estrutura da lírica moderna) e Michael Hamburger (A verdade da poesia), aos quais se somam teóricos que se ativeram ao signo poético, como Octavio Paz (Os filhos do barro e O arco e a lira) e Alfredo Bosi (O ser e o tempo na poesia). Também incorporaremos trabalhos do pensador Georges Didi-Huberman (O que vemos, o que nos olha) e Mircea Eliade (O sagrado e o profano; a essência das religiões). Fontes igualmente importantes serão as edições de periódicos dedicadas à nossa poeta, como o nº 9 dos Cadernos de Literatura Brasileira (2000) e o nº 20 da revista Poesia Sempre (2005), nos quais se encontram ensaios, entrevistas, depoimentos e indicações bibliográficas relevantes.

Palavras-chave: intertextualidade; literatura; sagrado; mística.

Résumé

Le but de cette recherche est d’analyser l’œuvre de Adélia Prado à partir de trois livres qui ont été publiés à des moments différents et qui présentent une vision significative de son parcours: Bagagem (1976), A faca no peito (1988) e Miserere (2013). L’idée est de vérifier dans quelle mesure l’ironie sert d’interface entre le profane et le religieux. Pour ce faire, nous avons comme concepts de base l’intertextualité et le métalangage, éléments récurrents au point de conférer une unité à la production de l’auteur mineira. Nous approchons son œuvre de celles de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Guimarães Rosa – ce qui se fait partant de la présence de ce quatuor dans des dédicaces, citations, allusions, paraphrases ou épigraphes –, approche faite aussi comme un point de départ pour affirmer l’originalité de ses vers. La parole poétique est plus qu’une référence aux éléments extratextuels, puisqu’elle rend présent ce qu’elle indique, ou, selon Adélia Prado, “dans la poésie, le mot devient la chose”. Ses vers confirment implicitement ou explicitement cette conception quand ils décrivent des faits, objets et personnes comme des sources de beauté. Le beau empirique se sublime en art dans la tentative de se proteger de l’oubli et de la mort. Une fois que dans la doctrine judéo-chrétienne (catholique), avec laquelle la poétesse s’identifie, c’est Dieu le seul qui peut rompre les barrières du temps, le genre poétique serait intrinsèquement lié à la transcendance. Parmi les critiques de la poésie moderne, nous faisons appel à Hugo Friedrich (Structure de la poésie moderne) et Michael Hamburger (La verité de la poésie), ainsi que à des théoriciens qui se tiennent au signe poétique, comme Octavio Paz (Os filhos do barro e O arco e a lira) et Alfredo Bosi (O ser e o tempo na poesia). Nous incorporons aussi des travaux de Georges Didi-Huberman (O que vemos, o que nos olha) et Mircea Eliade (O sagrado e o profano; a essência das religiões). Nous avons consulté aussi les éditions des périodiques consacrées à notre poétesse, comme le nº 9 des Cadernos de Literatura Brasileira (2000) et le nº 20 de la revue Poesia Sempre (2005), dans lesquels il y a des essais, interviews, témoignages et indications bibliographiques importantes.

Mots-clés: intertextualité; littérature; sacré; mystique.

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

Vice-coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia 

Secretário: Renato Martins e Silva
posvernaculas@letras.ufrj.br

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