Discente: Michelle Fraga

Título da dissertação: O lado oculto da fama em A noite das mulheres cantoras, de Lídia Jorge

Orientador(a): Luci Ruas Pereira

Ano da defesa: 2019

Páginas: 78

Resumo:

A Noite das mulheres cantoras, romance de Lídia Jorge que constitui o corpus de leitura desta dissertação, apresenta um grupo de mulheres pleiteando, para marcar o público, resistir e serem lembradas. O romance promove a discussão frente aos problemas do universo midiático enaltecido na década de 1980, em que tudo girava em torno do que se via, e comenta o papel desempenhado pela mulher na sociedade portuguesa. O texto traz à tona diversas antinomias, como: memória / esquecimento – sob a ótica de Lipovetsky a modernidade permite que tudo seja registrado, entretanto, torna-se mais difícil de ser lembrado –; voz / visual – a personagem Madalena Micaia, africana negra e voluptuosa, ganha espaço de destaque no grupo, não por sua aparência, mas por sua voz ícone –; feminino / masculino – quando todas as integrantes ficam proibidas de se envolver amorosamente para se dedicarem integralmente ao grupo, da mesma forma que grupos masculinos conseguem ascender rapidamente porque os homens não se envolvem afetivamente –; passado / presente – nos momentos em que a protagonista tem a consciência da desilusão de quem via o mundo com encantamento até ter o contato com a perversidade da vida midiática e da “sociedade do espetáculo”. A proposta deste trabalho consiste em destrinchar, a partir das antinomias apresentadas, a natureza dupla da protagonista, evidenciando os conflitos entre os flashbacks de seu passado e as lacunas de seu presente, numa narrativa tão turva quanto suas memórias. Solange acaba por encarnar um tipo de “herói solitário”, na medida em que são evidenciadas as dimensões de sua existência, bem como o drama dos regressados das ex-colônias africanas e seu não pertencimento a algum lugar. Com o propósito de fundamentar a leitura, nos auxiliamos dos estudos realizados por Beauvoir (2019), Augé (2012), Lipovetsky (2017), Chauí (2000), Debord (1967), Barthes (2018), entre outros.

Abstract

The Night of the Singing Ladies, used as a reading corpus for this essay, presents a group of women struggling to inspire its public, resist and to be remembered. As a background, we have a discussion regarding the problems of the media universe lauded during the 1980s, in which everything was based around what you would see and a woman would reach extreme circumstances to achieve her own one minute of fame. The book brings up many opposites, such as: memory / oblivion – for Lipovetsky, within modern times everything can be recorded, however, it has become more difficult to remember -; voice / visual – the character Madalena Micaia, a voluptuous black African woman, gets the spotlight in the group, not because of her appearance but because of her iconic voice -; feminine / masculine – when all the members are forbidden to have romantic relationships in order to fully dedicate themselves to the group, just as men’s groups can rise quickly because men don’t get involved affectionately – past / present – during moments in which Solange has knowledge of the delusion of someone who saw the world with naïve eyes, until making contact with the wickedness of media life and the “society of the spectacle”. This essay aims to unravel, based on the given opposites, the double nature of Solange’s character, pointing out the conflict between her past’s flashbacks and the gaps of her present, in a narrative as blurred as her memories. Solange ends up incarnating some kind of a “lone hero” as the dimensions of her existence are uncovered, as well as the drama of the returning from former African colonies and their not belonging to any place. In order to ground this reading, we will base it on the research done by Beauvoir (2019), Augé (2012), Lipovetsky (2017), Chauí (2000), Debord (1967), Barthes (2018), and many others.

Coordenação

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira 

Secretário: Renato Martins e Silva
posvernaculas@letras.ufrj.br

Atendimento

Além de atender por e-mail, a Secretaria do PPGLEV oferece atendimento telefônico e presencial de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, na sala F-319.

Endereço

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