Discente: Daniel Aparecido Veneri

Título da dissertação: O lirismo acolhedor da poesia de Ana Martins Marques

Orientador(a): Maria Lucia Guimarães de Faria Co-orientador(a): Eduardo dos Santos Coelho

Ano da defesa: 2019

Páginas: 84

Resumo:

No poema “Trapézio” de A vida submarina, primeiro livro de Ana Martins Marques, o sujeito lírico afirma: “Todos os poemas são de amor”. Em outro momento, em um de seus poemas-epígrafe, que abre a seção que dá título ao seu segundo livro, Da arte das armadilhas, se indaga: “A linguagem / sem cessar / arma / armadilhas // O amor / sem cessar / arma armadilhas // resta saber / se as armadilhas / são as mesmas // Mas como sabê-lo / se somos nós as presas?”. Por fim, n’O livro das semelhanças, se diz, no poema “Dedicatória”: “Ainda que não te fossem dedicadas / todas as palavras nos livros / pareciam escritas para você”. Nos três livros de poesia da autora, irradia-se a temática lírico-amorosa, endereçada na maioria das vezes à própria linguagem, que é convocada como modus operandi para um desvelamento, o despertar de algo. A poeta se depara com a linguagem que é, por excelência, mistério e cesura, mas, ao mesmo tempo, espaço para conversão num gesto ontológico de criação, assim como a rota cartográfica do amor que o sujeito lírico está disposto a percorrer por meio dos versos para o alcance de um “você”. Partindo de uma estrutura altamente rigorosa no modo de construção, que atinge o ápice com O livro das semelhanças, a lírica de Marques oferece o alto nível metapoético do que podemos chamar de metalivro. A temática lírico-amorosa está a serviço do que, ao modo de Maria Lucia Guimarães de Faria, se pode conceber como “tirar lição poética de tudo”. Alcançar a palavra exata, devolver à palavra sua potência, até então despercebida, é de certa maneira alcançar o amor. Na poesia de Ana, todas as partes convergem para um todo, no qual até mesmo os objetos da casa, do cotidiano, figuram a própria poesia, já que para a poeta, dotada de um lirismo altamente acolhedor, a poesia é a “forma de prestar atenção nas coisas”, conforme declarou em uma entrevista à revista Ciência Hoje.

Palavras-chave: Ana Martins Marques; Lirismo Acolhedor; Poesia Brasileira Contemporânea.

Abstract

In the poem “Trapeze”, of Submarine Life, first book published by Ana Martins Marques, the poetic persona says: “All poems are love poems”. In one of her poemsepigraphs, which opens the section that shares the title of her second book, On the Art of Traps, the lyric self asks: “Language / incessantly / lays / traps. // Love / incessantly / lays traps // it remains to know / whether the traps / are the same. // But how to find out / if we are the preys?” Finally, in The Book of Similarities, her third book, the poem “Dedication” announces: “Even if they were not dedicated to you / all the words in the books / seemed written to you”. In the three books, the lyric-love theme spreads out, mostly addressing language itself, which is summoned as the modus operandi for an unveiling, the awakening of something. The poet faces language that, par excellence, is mystery and caesura, but, at the same time, the place for a conversion into the ontological gesture of creation, such as the cartographical love route which the lyric self is willing to traverse, by means of the verses, in search of a “you”. Taking as its starting point a highly rigorous structure in the mode of construction, whose summit is The Book of Similarities, Marques’ lyric offers the high metapoetic level of what can be called “metabook”. Her lyric-love theme serves the purpose of, as Maria Lucia Guimarães de Faria put it, “extracting a poetic lesson of everything”. Reaching the exact word, giving back to the word its so far neglected potency, is a way of attaining love. In Ana’s poetry, all parts converge to a whole, in which the very objects of the house, of everyday life, figure poetry, since for her, whose lyricism is deeply hospitable, poetry is the “way of paying attention to the things”, as she declared in an interview to the periodic Science Today.

Keywords: Ana Martins Marques; Hospitable Lyricism; Contemporary Brazilian Poetry.

Coordenação

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira 

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