Discente: Maria Elenice Costa Lima Lacerda

Título da tese: A prenhez da linguagem: desdobramentos da maternidade em Clarice Lispector

Orientador(a): Anélia Montechiari Pietrani

Ano da defesa: 2020

Páginas: 188

Resumo:

A maternidade é temática cara na obra de Clarice Lispector e apresenta desdobramentos até mesmo em sua falta. Ademais, a autora constrói tramas imagéticas plurissignificativas, que ampliam as conceituações sociais até então vigentes sobre o tema e produz múltiplas representações que colocam em xeque o patriarcado. É o que ocorre, por exemplo, em Perto do coração selvagem (1943), romance inaugural da escritora. Nele, a maternidade e suas variáveis são destacadas a partir de personagens, tais como o pai, a mãe e a tia de Joana, a mulher da voz, Lídia e a própria Joana, que, mesmo não conseguindo gerar um filho, é a grande mãe da narrativa, pois todos os demais personagens “nascem” dela. Além do livro supracitado, o presente trabalho contempla ainda uma seleção de contos dos livros Laços de família (1960) e Felicidade clandestina (1971) e culmina no texto de Água viva (1973), através de uma leitura crítico-interpretativa tanto da obra clariciana quanto da fortuna crítica pertinente à discussão proposta. Portanto, a base bibliográfica da pesquisa parte dos principais estudos acerca da obra de Clarice, entre eles os realizados por Antonio Candido (1977; 2006), Benedito Nunes (2009), Hèlene Cixous (1995), entre outros; passando por investigações que dialogam com a Sociologia, a Psicanálise, a Antropologia, a História, como as realizados por Simone de Beauvoir (2019), Elisabeth Badinter (1985; 2011), Elódia Xavier (1991; 2007), Lucia Helena (1997) e outras. Assim, o uso de diferentes máscaras narrativas na encenação da(s) maternidade(s) na obra de Clarice Lispector é um desafio instigante que possibilita ao leitor e ao crítico uma leitura diversificada da palavra e do mundo, que só é possível a partir de uma linguagem em constante estado de prenhez.

Palavras-chave: maternidade; tramas imagéticas; linguagem; Clarice Lispector.

Abstract:

Motherood is a beloved topic in Clarice Lispector’s work and shows developments even in its lack. Furthermore, the author builds image plots of multiple meanings that widen the social conceptualization in effect about the theme and produces multiple representations, calling into question the patriarchy. It is what occurs, for instance, in Perto do Coração Selvagem (1943), writer’s debut novel. In this work, the motherood and its variables are remarked since some characters, as the father, the mother and Joana’s aunt, the voice’s woman, Lídia and Joana herself who, although she could not give birth to a baby, is the great mother of the narrative, because all the characters “are born from” her. Beyond the book previously mentioned, the present research still beholds a selection of tales from the books Laços de família (1960) and Felicidade clandestina (1971) and culminates in the text of Água viva (1973), through a critical- interpretative reading, as of the clariciana work as with the critical fortune regarding the proposed discussion. Thus, the bibliographical basis of the research starts from the main studies about Clarice’s work, among them the ones produced by Antonio Candido (1977;2006), Benedito Nunes (2009), Hèlene Cixous (1995), among others; going under investigations that dialog to Sociology, Psychoanalysis; Anthropology, History, as the produced by Simone de Beauvoir (2019), Elisabeth Badinter (1985;2011), Elódia Xavier (1991;2007), Lúcia Helena (1997) and others. Therefore, the use of different narrative masks in the acting of motherhood(s) in Clarice Lispector works is an instigating challenge that provides a diversified reading of the word and the world to the reader and the critic, which is only possible from a language in constant status of pregnancy.

Keywords: motherhood, image plots, language, Clarice Lispector.

Coordenação

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira 

Secretário: Renato Martins e Silva
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