Discente: Guilherme de Sousa Bezerra Gonçalves

Título da tese: José Craveirinha e os relicários da palavra

Orientador(a): Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco

Ano da defesa: 2018

Páginas: 188

Resumo:

Comum às publicações do poeta José Craveirinha, o ideário da perda resguarda em sua potencialidade imagética um profundo elo com a elegia, categoria estética das mais presentes na história da literatura. Desde os versos desmedidos de Xigubo (1964) ao lamento fúnebre e particular de Maria (1998), a obra do moçambicano, talhada em consonância ao desenrolar histórico e social de seu país, lida com a ausência como se guardasse relíquias. Todos os escombros e as ruínas de utopias desfeitas, amores findos, claustros vividos e vozes esquecidas se encerram nesses relicários da palavra, signos de uma linguagem ora verborrágica ora concisa, ora preditora de liberdades ora disfórica, mas consistentemente atenta a seu lugar em um mundo disruptivo. Apoiando-nos nas conceituações propostas por Jahan Ramazani (1994), Diana Fuss (2013) e Jean-Michel Maulpoix (1998; 2000) e associando-as às variadas modalizações da perda recolhidas ao longo de toda a produção do poeta posta a lume, esta tese intenta percorrer os navegáveis itinerários de uma poética entendida, em sua totalidade, como elegíaca. As rotas de tal percurso são igualmente múltiplas: zarpam de um intrínseco jogo dialógico com o blues norte-americano e desembarcam, quando voltadas ao lamento particular pela esposa morta, em uma consciente e dual necessidade de compartilhamento da dor. Essa interpretação será possibilitada pela leitura atenta dos poemas, avalizando em igual medida o que os aproxima e distancia, junto às discussões contextuais pertinentes, especialmente as cenas colonial e póscolonial. É nossa intenção, por fim, atestar que, por intermédio de um filigrânico trabalho verbal, todas as figurações da perda presentes em nosso corpus desvelam a feição de uma elegia moderna.

Abstract:

Common to the publications of the poet José Craveirinha, the ideology of loss preserves in its imaginary potentiality a deep bond with the elegy, one of the most present esthetic categories in the history of literature. Since Xigubo's excessive verses (1964) to the funeral and private lament of Maria (1998), the Mozambican work, tailored to the historical and social development of his country, deals with absence as if it were a relic. All the rubble and the ruins of broken utopias, ended loves, experienced cloisters and forgotten voices are enclosed in these reliquaries of the word, signs of a verbal language, sometimes concise, sometimes a predictor of liberties, at times dysphoric, but consistently attentive to its place in a disruptive world. Resting upon the concepts proposed by Jahan Ramazani (1994), Diana Fuss (2013) and Jean-Michel Maulpoix (1998; 2000), and associating them with the various models of loss collected throughout the poet's production, this thesis attempts to traverse the navigable itineraries of a poetic that is understood, in its totality, as elegiac. The routes of this path are equally numerous: they set out from an intrinsic dialogical game with the American blues and land, when turned to private lament by the dead wife, in a conscious and dual need for sharing this pain. This interpretation will be made possible by an attentive reading of the poems, endorsing the same way what approaches and distances them, along with the pertinent contextual discussions, especially the colonial and postcolonial scenes. It is our intent, at last, to attest that through a filigree verbal work, all the figurations of loss present in our corpus unveil the feature of a modern elegy.

Coordenação

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