Útlima atualização 15/08/2018

 

Nesse período foram defendidas 37 dissertações.

Andrea Luiza Blanco

Título:O Princípio irônico do "EU": Filogenéticas Autofágicas da Poética Dramática de Augusto dos Anjos

Orientador: Ronaldes de Melo e Souza Páginas: 139



O presente estudo investiga o princípio irônico no legado literário da obra Eu de Augusto dos Anjos. No ―esdrúxulo‖ poeta ―salvo pelo povo‖ ressaltamos três grandes aspectos da ironia concebida como princípio constitutivo: o fragmentário, o metapoético, o tragicômico. Na forma de uma unidade em permanente fragmentação e autoirrisão, a morbidez da matéria poética anjosiana doa-se extremamente viva e tumular. Compreendemos que o corpo poético do Eu, pungente mundividência de crise, consubstancia-se como meio dual da ironia poética. A autorreflexão anjosiana traça o trajeto metapoético do poeta-personagem em seu outrar-se. O Eu, poema do ―Vencido‖ e ―Vencedor‖, pertence a uma tradição irônica em que o poeta atua duplamente como observador e ator, criador e criatura, protagonista e antagonista do mesmo drama. Para tal destaque de Augusto dos Anjos nesta tradição artística dialogamos com a ideia da ironia desenvolvida no criticismo da Escola de Jena (pré-românticos) e nos estudos de poética de Ronaldes de Melo e Souza. Na experiência e consciência de uma devoração e devoção, os antagonismos complementares do lirismo épico e dramático de Augusto dos Anjos plasmam grandiosamente o conhecimento em sua natureza desconcertante, contraditória e paradoxal. No cosmos filogenético do Deus-Verme, da morte como princípio vital, da Podridão como Evangelho, de mãos e cabeças atormentadas, encontramo-nos com o poema anjosiano e trazemos para o espetáculo a ironia das vozes da Sombra, do Destino e da sereia. Entre diversos aspectos dos ―bolos frios‖ mastigados amargamente pelos sujeitos líricos, investigamos como Augusto dos Anjos costura seu poético saber metapoético, irônico e tragicômico.

 

Adriana Cristina Lopes Gonçalves

Título: Não é o objeto, é a perspectiva: Justaposição como procedimento sintático. Uma análise sintática, pragmática e prosódica.

Orientadora: Violeta Virginia Rodrigues e Carolina Ribeiro Serra (coorientadora) Páginas: 141



Nesta dissertação, defende-se a hipótese de que a justaposição é um procedimento sintático tal como são a coordenação e a subordinação. Para alcançar tal objetivo, analisam-se cláusulas justapostas de um corpus constituído por slogans de propagandas cadastradas no site da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP), observando-se não só o comportamento sintático, mas também o comportamento prosódico dessas estruturas.
Levando-se em conta que as gramáticas tradicionais consideram a justaposição como um aspecto referente à forma como as orações aparecem no período composto e, sendo estas, por isso, frequentemente associadas à coordenação assindética, buscou-se analisar sintaticamente, pragmaticamente e prosodicamente essas estruturas em mídias impressas, já que nesse uso estas configuram contextos reais de comunicação. Assim, propõe-se uma interface entre sintaxe e prosódia, considerando-se o cotexto e contexto de uso das cláusulas em foco.
O aporte teórico utilizado nesta investigação envolve perspectivas linguísticas diferentes: de um lado, utilizam-se autores funcionalistas como Mann & Thompson (1988), Decat (2001), Lima-Hernandes (2008), Dias (2009), Rodrigues & Dias (2010) e Rodrigues & Gonçalves (2015); de outro, autores oriundos da área da publicidade, como Sandmann (2010), e ainda lança-se mão da metodologia da fonética acústica experimental de autores como Barbosa & Madureira (2015).
Desse modo, defende-se, neste estudo, que a justaposição é um procedimento sintático que se caracteriza pela independência sintática entre as orações, em que não há conector explícito ligando umas às outras, embora tais orações sejam interdependentes semanticamente umas das outras. Seguindo os postulados da fonética acústica experimental, os aspectos prosódicos de movimento melódico e presença e duração da pausa silenciosa entre as cláusulas foram investigados, a fim de diferenciar os casos de coordenação dos de justaposição.
Para a análise sintática, constituiu-se um corpus de 36 propagandas de mídia impressa e o corpus para análise prosódica constitui-se de 354 dados, provenientes de um teste linguístico criado a partir do slogan de 8 propagandas. Quinze falantes jovens (gênero feminino, cariocas, estudantes de pós-graduação da UFRJ) leram cláusulas justapostas sem pontuação, cláusulas justapostas com pontuação e cláusulas coordenadas, objetivando identificar se o comportamento prosódico das justapostas é distinto do das coordenadas e se a presença de pontuação pode interferir na ocorrência de pausa entre elas. Verificou-se na análise prosódica que 1) o tipo de movimento melódico não distingue cláusulas justapostas de cláusulas coordenadas, estando o movimento ascendente e o descendente presentes nos dois tipos de estruturas, embora haja um percentual um pouco maior de movimento ascendente em final de cláusulas justapostas (52%) em relação às cláusulas coordenadas (44%); 2) as cláusulas justapostas com pontuação apresentam ocorrência de pausa semelhante às cláusulas justapostas sem pontuação (40% versus 37%); entretanto se distinguem significativamente das cláusulas coordenadas, que apresentam percentual de pausa bastante inferior (12%).
Quanto à análise sintático-semântica, constatou-se que 1) cláusulas justapostas se caracterizam pela autonomia sintática, ausência de conector introduzindo-as e pela interdependência semântica; 2) essa estrutura é muito utilizada no gênero textual propaganda, cotexto em que a ausência de conector e a interpendência semântica são bem característicos e, por meio dos recursos linguísticos e semióticos nela empregados promove-se a interlocução com o público alvo; 3) no que tange às relações proposicionais, as cláusulas justapostas mais recorrentes pertencem ao grupo de causalidade, seguidas pelas integrantes do grupo intermediário e pelas do grupo de condicionalidade. Desse modo, pôde-se concluir que a justaposição pode ser considerada um procedimento sintático já que essa se caracteriza pela autonomia sintática, pela ausência de conector introduzindo as cláusulas e pela interdependência semântica. Quanto aos parâmetros prosódicos, a justaposição fundamentalmente se distingue da coordenação.

 

Ana Cristina Rosito de Oliveira

Título:As Formações X-NEJO no Português do Brasil: uma Análise construcional

Orientador: Carlos Alexandre Victório Gonçalves Páginas: 67



Este trabalho analisa as formações X-nejo do português brasileiro que se multiplicaram a partir do surgimento e propagação do gênero musical Sertanejo Universitário no Brasil, a exemplo de ‘pagonejo’, ‘funknejo’ (mistura de ritmos); ‘blognejo’, ‘twitternejo’ (espaço em redes sociais para troca de informações sobre música sertaneja e eventos a ela relacionados); ‘gatonejo’ (rapaz bonito que frequenta locais de música sertaneja), ‘feminejo’ ( empoderamento feminino na música sertaneja) entre outras formações. Esta pesquisa objetiva investigar o que impulsiona essas novas formações e verificar o lugar do formativo -nejo no continuum derivação-composição.Para isso, foram utilizadas a base teórica fornecida pela Morfologia Construcional de Booij (2005,2007,2010) que está inserida na Linguística Cognitiva (LAKOFF,1987; LANGACKER,1987), a definição de splinter de Bauer (2005) e aplicados os critérios empíricos apontados por Gonçalves &Andrade(2012,2016) para diferenciar afixos de radicais.

 

Antonio Anderson Marques de Sousa

Título:As realizações do acusativo anafórico no português europeu e brasileiro: um estudo diacrônico

Orientador: Maria Eugênia Lammoglia Duarte Páginas:127



Este trabalho apresenta um estudo comparativo entre as gramáticas do Português Brasileiro (PB) e do Português Europeu (PE), analisando a expressão do acusativo anafórico em peças de teatro escritas nos séculos XIX e XX. A opção pelo termo ‘acusativo’ no lugar de objeto direto (OD) se deve ao fato de que os ODs não são os únicos constituintes marcados com caso acusativo. Os sujeitos de miniorações e de orações subordinadas reduzidas de infinitivo de verbos sensitivos (ver, ouvir), causativos (fazer) e de permissão (deixar) também recebem caso acusativo e estão suscetíveis à variação no PB. As formas variantes consideradas são: o uso do clítico acusativo, de “ele” acusativo, de um SD anafórico e de uma categoria vazia (ON), atestadas em inúmeros trabalhos empíricos com base no PB e PE em suas modalidades oral e escrita. A nossa amostra de peças teatrais brasileiras e portuguesas dos séculos XIX e XX estão distribuídas em sete períodos cronológicos. Os dados foram coletados e codificados conforme a metodologia da Sociolinguística Variacionista e processados pelo programa estatístico Goldvarb X (SANKOFF, TAGLIAONTE & SMITH, 2005). Os pressupostos teóricos que embasam nosso estudo vêm da Teoria da Variação e Mudança Linguística, de Weinreich, Labov & Herzog (1968), associada ao componente gramatical que vem dos trabalhos realizados à luz da Teoria de Princípios e Parâmetros sobre o Parâmetro do Objeto Nulo (Raposo, 1986; Cyrino, 1994; 1997; Duarte e Costa , 2013, Cyrino e Matos, 2016), o que nos garante o levantamento de grupos de fatores que restringem a realização do fenômeno em análise e orienta a busca de respostas para os problemas levantados pela Teoria da Variação e Mudança relativas à (i) restrição, (ii) implementação, (iii) transição e (iv) encaixamento. Isso contribui para a identificação de uma eventual mudança paramétrica em curso. Os resultados apontam para dois sistemas opostos em relação à alta produtividade do clítico acusativo de terceira pessoa no PE, ao contrário do seu desaparecimento no PB. Quanto ao objeto nulo, os resultados apontam que sua ocorrência, tanto no PE quanto no PB, obedece às restrições observadas por teóricos, entre as quais a existência de um antecedente fora dos limites do período em que se encontra o acusativo em análise e a preferência pelo traço semântico [-hum]. Entretanto, no PB, o índice de objetos nulos é muito mais alto do que no PE e já se expande por antecedentes com o traço [+hum]. Quanto à ocorrência do objeto nulo dentro de “ilhas sintáticas” e com seu antecedente dentro do mesmo período, embora atestada em ambas as amostras, ela é muito mais rara em PE do que em PB. Diante dos resultados, podemos dizer que o PB exibe uma gramática [+Objeto Nulo], enquanto o PE, uma gramática [-Objeto Nulo].

 

Bismarck Zanco de Moura

Título:Construções verbo-nominais no Português: haver + nome predicante

Orientadora: Marcia dos Santos Machado Vieira Páginas: 247



Em geral, as gramáticas tradicionais abordam o uso do verbo haver em apenas duas categorias: verbo lexical e verbo auxiliar. Não contemplam os casos em que esse elemento opera sobre um elemento nominal (MACHADO VIEIRA, 2004), como se dá em um de seus empregos instrumentais, na categoria dos verbos suportes. Esta dissertação se concentra no estudo de instâncias da construção com o verbo suporte haver, bem como no do fenômeno de alternância entre essas estruturas, que se configuram com o padrão morfossintático haver + SN e formas verbais simples correspondentes. Nesta pesquisa, pretende-se descrever as propriedades semântico-sintáticas, bem como textuais-discursivas envolvidas no emprego dessas estruturas em amostras de fala e escrita do Português brasileiro, e sistematizar, sob um viés construcionista (TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013; GOLDBERG, 1995; MACHADO VIEIRA, 2001, 2016), as microconstruções e/ou (sub)esquemas construcionais de haver + SN. Já o estudo relativo ao fenômeno de alternância realiza-se sob um enfoque sociofuncionalista (TAVARES & GORSKI, 2015); e investiga aspectos envolvidos na alternância entre predicadores complexos formados com esse verbo suporte e formas verbais simples, com base em registros de atitudes de usuários do Português.

 

Camila de Toledo Piza Costa Machado

Título:Lee-Li Yang: o epistolar em transe poético

Orientadora: Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco Páginas: 106



A saudade e o amor podem, de maneiras diversas, criar e recriar cenários. O desejo fruto de relações interpessoais também é capaz de impulsionar inaugurações de novos universos. Na poesia, a avidez por desvendar outros horizontes faz com que movimentos de linguagem não se restrinjam a folhas de papel: a concepção de novas lógicas, na cosmovisão virgiliana, é capaz de fazer, se refazer e se desfazer. Novas perspectivas culminam na gênese dos heterônimos, desdobramentos do poeta, redescobertas da natureza humana. Lee-Li Yang é uma dessas vozes poéticas, moradia da saudade, do erotismo e do amor. Através de suas cartas – que são simultaneamente poemas, vice e versa –, o poema respira, transpira e transborda diálogos e monólogos; versos e cantos; danças e políticas. Endereçadas a seu amante Duarte Galvão, heterônimo guerrilheiro de Virgílio de Lemos, a poesia de Lee-Li Yang encontra no entrelugar entre carta e poema um espaço em que pode cantar a saudade, o desejo, o amor e ser, singularmente, metapoética. Assim, as relações entre a carta, como um gênero originalmente comunicativo, e a poesia, um modo de transgressão da linguagem, serão apresentados de maneira a contribuir para o estudo da poesia do escritor moçambicano. O livro Mar de mim: coração de gozo, publicado em 1952, será o alvo principal das reflexões deste estudo sobre a poesia, encontrando abismos na superfície do texto, em que o silêncio, o canto e a arte se fundem para ser, em suas existências, eternos no instante efêmero da vida.

 

Camina Nunes de Melo

Título: Sobre coleções e lugares: o caso das formações x-teca do português brasileiro

Orientadora: Carlos Alexandre Victório Gonçalves Páginas:86



Este trabalho visa a defender que os processos de formação de palavras, composição e derivação devem ser analisados de forma gradual, a partir da análise do elemento -teca. Acredita-se que esse formativo, apesar de ser tradicionalmente classificado como um elemento da composição, mormente da composição neoclássica, ganhou algumas características de afixo como, por exemplo, o fato de estar sempre alocado na segunda posição, tendo um posicionamento fixo na estrutura da palavra. Além dessa característica, este trabalho procura definir quais são as demais características de afixo que o formativo adquiriu e quais são as características de radical que o item mantém. O fenômeno que acontece com essa unidade morfológica corrobora uma análise escalar entre os processos já citados.

 

Carlos Roberto dos Santos Menezes

Título:Entre a Leitura e a Escritura: A Forma Romanesca De Bolor, De Augusto Abelaira.

Orientadora: Ângela Beatriz de Carvalho Faria Páginas: 190



Bolor, romance singular de Augusto Abelaira, ainda desperta inquietações que o tornam, ainda hoje, um texto fundamental e intrigante, pertencente à mais alta literatura produzida durante o período político-cultural denso dos anos 60 em Portugal. Contudo, para além da sua temática, já muito focalizada em diversos estudos anteriores que servem de base para a atual reflexão crítica, a sua fortuna crítica ainda solicita uma leitura atenta quanto a sua forma de composição. A partir da leitura rente do texto literário, buscamos tentar compreender o processo de elaboração do romance abelairiano através do princípio irônico de composição, percorrendo os conceitos de ironia retórica, humoresque, ironia romântica e metaficção. Nosso percurso nos levou a focalizar o estatuto parabático dos possíveis narradores do romance; a problemática do gênero diarístico utilizado pelo autor na construção do seu texto e as implicações da escrita de si; a questão da multiplicidade narrativa; a presença e participação do leitor no seu trabalho de decifração do sentido do texto. Como apoio teórico desta investigação, destacam-se as seguintes obras: A Cicatriz e o Verbo: análise da obra romanesca de Augusto Abelaira, Vilma Arêas (s/d); O Pacto autobiográfico: de Rousseau à Internet (2008), de Philippe Lejeune; Devires Autobiográficos - a atualidade da escrita de si (2009), de Elizabeth Muylaert Duque-Estrada e O que é o autor? (1992), de Michel Foucaul, dentre outras obras fundamentais.

 

Dailane Moreira Guedes

Título:As Formas Possessivas de Terceira Pessoa no Português Brasileiro: uma Análise Experimental de seu Versus Dele

Orientadora: Célia Regina dos Santos Lopes Páginas:117



O presente trabalho tem por objetivo investigar o estatuto da variação entre as formas possessivas de terceira pessoa (seu e dele) no português brasileiro. Sob a hipótese de que os traços semânticos do referente possuidor são responsáveis pela variação entre a forma possessiva simples seu e a forma de-possessiva dele, recorro à abordagem experimental da Psicolinguística (cf. DERWING; ALMEIDA, 2005; TRAXLER, 2012; MAIA, 2015; KENEDY, 2015) para testar se os traços de animacidade (humano vs. inanimado) e natureza do possuidor (específico vs. genérico) são sensíveis à percepção dos falantes do português brasileiro no momento de escolha da forma possessiva. Para tanto, aplico dois experimentos de julgamento de aceitabilidade com escala Likert em modalidades distintas da língua (falada e escrita). As previsões eram de que seu recebesse melhores julgamentos quando apresentasse um referente possuidor genérico e/ou inanimado, enquanto notas maiores seriam atribuídas a dele quando o referente possuidor fosse específico e/ou humano. Os resultados obtidos no Experimento 1, realizado na modalidade escrita, mostraram que, no geral, a forma possessiva simples seu é bem aceita em todos os contextos testados, sobressaindo-se positivamente quando o referente possuidor é inanimado-genérico. Quanto à forma dele, que foi mal avaliada no Experimento 1, o melhor contexto de aceitabilidade foi na retomada de um possuidor humano-específico, conforme a previsão. No Experimento 2, conduzido na modalidade falada, os resultados apresentaram nítidas diferenças, uma vez que tanto seu quanto dele foram bem avaliados com possuidores de diferentes traços. Assim, foi concluído que, para além da atuação dos traços semânticos em foco, existem mudanças na aceitabilidade das formas possessivas seu e dele de acordo com o meio pelo qual os participantes são expostos aos fenômenos em teste.

 

Diana Silva Thomaz

Título:A colocação pronominal em cartas pessoais da família Pedreira Ferraz–Abreu Magalhães: um caso de competição de g

Orientadora: Silvia Regina de Oliveira Cavalcante Páginas: 153



A proposta deste trabalho é apresentar um estudo da colocação pronominal em cartas escritas por brasileiros cultos nascidos no Rio de Janeiro do século 19, todos pertencentes à família Pedreira Ferraz – Abreu Magalhães, utilizando, para tanto, pressupostos teóricos do modelo de competição de gramáticas (Kroch, 1989; 2001) para embasar o estudo e interpretar os resultados. Diversos trabalhos diacrônicos sobre a colocação pronominal no português atestam num mesmo corpus padrões sintáticos que correspondem a diferentes gramáticas, o que me leva a estudar os pronomes clíticos na escrita de brasileiros que vivem em um período histórico de mudança de norma: havia a norma do Português Médio (PM) e a do Português Europeu (PE) que disputavam a escrita com a gramática do Português Brasileiro (PB). Desse modo, investigo em que medida a gramática do PB emerge na escrita de indivíduos cultos, buscando contextos linguísticos e extralinguísticos que possam favorecer ou frear o português vernáculo dos missivistas. Os dados foram selecionados, codificados e rodados no GoldVarb X (SANKOFF, TAGLIAMONTE & SMITH, 2005), para observar os padrões estatísticos de colocação pronominal. Considerei na análise as formas verbais simples e complexas, tendo proposto uma nova divisão para as formas verbais complexas. Os resultados, de modo geral, confirmam a existência/convivência de três gramáticas: PM, PE e PB. A gramática do PM surge claramente quando encontramos os casos de interpolação da negação em sentenças matrizes neutras e também nas sentenças complexas com subida de clítico sem presença de um operador de próclise. A gramática do PE aparece nos percentuais mais altos para ênclise em contextos que antes eram de variação, como o contexto XV. E a gramática do PB não deixa dúvida de sua presença quando o pronome surge proclítico ao verbo em início absoluto de sentença, nas formas simples, ou quando surge proclítico ao verbo temático nas formas complexas. Somado a isso, encontro também os vários casos de ênclise em contexto de próclise obrigatória, que evidencia um aprendizado ineficiente de uma norma que não descreve/prescreve a gramática do indivíduo.

 

Eliana A. P. Cunha

Título: Do trauma à trama: insurgência. Uma leitura de Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares

Orientador: Gumercinda Nascimento Gonda Páginas:138



Leitura do romance Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares. Entre traumas e tramas busca-se compreender a condição humana em sua força, sua fraqueza, seus equívocos. Diante da escritura fragmentada, elíptica, concentrada e densa, percorrem-se alguns temas importantes da Filosofia-política sugerida pelo romance. No mundo contemporâneo da “pós-política”, onde cada indivíduo se sujeita como homo-sacer potencial, tudo é possível. Essa redução ao extremo – reductio ad absurdum - revela uma torção inesperada onde cada um pode vir a ser uma potência para o bem ou para o mal. Na era denominada por Gramsci como “era dos monstros”, diante do horror que atende por fascismo, o devir é uma incógnita e as palavras buscam refletir ou refratar o inominável entre a dor e a resistência. Entre desastres e desertos, há um combate permanente ssim como entre a treva e o excesso de luz. Combates que contagiam os indivíduos transformados em dispositivos a nos lembrarem de que a acídia ou a excitação são conceitos circunscritos à categoria de tempo e lugar. Pensar e agir no mundo, pelo mundo, como ato político, quer-se uma reconciliação com o humano em cada um de nós. Reinventar Jerusalém é mais que um convite, é uma aposta. Aceitamos a aposta e somos arrastados para pensar junto, mantemo-nos em deslocamentos: erramos, mas não sozinhos.

 

Flávio Silva Corrêa de Mello

Título:Trânsitos: identidades, vozes e testemunhos em A floresta em Bremerhaven e Este verão o emigrante là bas de Olga Gonçalves

Orientadora: Ângela Beatriz de Carvalho Faria Páginas: 91



Os romances A Floresta em Bremerhaven (1975) e Este verão o emigrante là-bas (1978), de Olga Gonçalves, formam o corpus literário da pesquisa selecionado e constituído de três (teceres-trânsitos): 1- o reflexo do período salazarista e o momento da Revolução dos Cravos; 2 - o transitar pelos caminhos do retorno da emigração à terra pátria; 3- o trânsito do sujeito de partir e do se constituir enquanto identidade fora de Portugal. Na presente Dissertação, buscamos investigar, a princípio, como os resquícios do fascismo e a novidade da Revolução conviviam em um mesmo momento histórico. Com base no deslocamento, na emigração e no testemunho como elementos dialógicos, centrais para o presente estudo, procuramos demonstrar as estratégias da escritora portuguesa contemporânea para afirmar uma voz coletiva de portugueses marginalizados que interagem socialmente em um país em plena transformação. As reflexões críticas resultaram das obras de Mikhail Bakthin, Stuart Hall, Sílvio Renato Jorge, Eduardo Lourenço, Carlos Reis, entre outros críticos e teóricos que se debruçaram sobre a obra de Olga Gonçalves.

 

Fernando Pereira Impagliazzo

Título: Manuel Bandeira: tísico porque poeta

Orientador: Eucanaã de Nazareno Ferraz Páginas: 119



Esta pesquisa consistiu em analisar a presença reincidente da natureza nas crônicas de Rubem Braga. Para isso elegemos a categoria analítica de espaço dentro da qual exploramos essa reincidência, tanto no campo quanto na cidade, que age em grande parte dos textos, como mola propulsora à poética na prosa bragueana, característica máxima do autor. Como meio para tratar de toda a obra por uma parte dela, já considerada amadurecida por ser intermediária, escolhemos o livro Ai de ti, Copacabana (1955-1960) na qual pretendemos analisar possíveis variações de sentido dessa paisagem aos olhos do narrador, que às vezes aparece associada a uma nostalgia romântica, outras, à admiração da flora brasileira expressa, principalmente através do Rio de Janeiro, potência cultural da época, e de Cachoeiro de Itapemirim, terra natal do cronista. Através dessa análise, destacamos o valor da obra do cronista, que embora tenha se dedicado exclusivamente à crônica, inseriu-a na categoria de literatura.

 

Gustavo Benevenuti Machado

Título:Multifuncionalidade e desgarramento de onde: uma abordagem funcionalista

Orientadora: Violeta Virginia Rodrigues Páginas:120



O item onde apresenta duas acepções nos dicionários de língua portuguesa – ora é descrito como advérbio locativo ora como pronome indicativo de lugar equivalente a em que. Na articulação entre orações, nas gramáticas normativas, pode introduzir orações subordinadas adjetivas, desde que se refira a um antecedente nominal locativo. Entretanto, há casos em que este item aparece sem antecedente expresso, o que gera divergências de análise a depender da gramática consultada. Em contextos reais de interação comunicativa, onde parece assumir funções diferentes daquelas que propõe a tradição gramatical. Neste estudo, partimos da hipótese de que onde é tão multifuncional quanto o conector que em língua portuguesa, levando em conta situações reais de interação. Assim, onde funciona como introdutor de orações adjetivas, substantivas e adverbiais, além de veicular conteúdos semânticos de tempo, causa e nocional. Além disso, um dos aspectos mais inovadores em termos de seu(s) uso(s) a ser considerado é o desgarramento. Com base na teoria funcionalista, que considera a função comunicativo-interacional da linguagem, ou seja, a relação gramatical das línguas e seus contextos de interação, valorizando o uso efetivo do falante, analisamos, de forma qualitativa, os usos de onde como articulador de orações substantivas, adjetivas e adverbiais, não desconsiderando o fato de que todas elas podem se desgarrar. Os dados analisados provêm do corpus roteiro de cinema, corpus misto, por apresentar tanto características da fala, quanto da escrita. Por isso, foram monitorados os fragmentos inerentemente de fala e de escrita, além da sequência textual (narrativa, descritiva, expositiva, argumentativa e injuntiva) em que as cláusulas introduzidas por onde se inserem, a fim de verificar se esses contextos poderiam ou não interferir nos usos de onde investigados. Foram analisados, para esta investigação, 20 roteiros e encontrados 388 dados de onde como articulador de cláusulas completivas, cláusulas relativas e cláusulas hipotáticas, sendo apenas 11 deles dados desgarrados.

 

Jorge Luiz Ferreira Lisboa Júnior

Título:A Semântica do Genitivo em Português: Corporificação, Polissemia Metonímica & Gramaticalização

Orientador: Maria Lucia Leitão de Almeida Páginas: 188



A presente dissertação de mestrado dedica-se ao estudo da Semântica do Caso Genitivo em Português pela ótica teórica da Semântica Cognitiva (JOHNSON, 1980, LAKOFF & JOHNSON, 1980, 1999; LAKOFF, 1987; LANGACKER, 1987, 1991, 2008, 2009, 2013). Para tanto, propomos um conjunto de três estudos que se debruçam sobre aspectos sincrônicos e diacrônicos do que aqui consideramos ser o nível básico da Categoria: as construções possessivas e as construções partitivas. O primeiro estudo dedica-se a análise da estrutura semântica corporificada de possessivos nominais e suas extensões semânticas adnominais (ex.: genitivo de parentesco) em uma categoria radial. O segundo estudo, de forma similar, visa a descrever a corporificação do significado em relações partitivas canônicas, propondo um elo polissêmico com as chamadas construções pseudopartitivas, em uma categoria radial. O terceiro e último estudo dedica-se a gramaticalização do “de-genitivo” ao Português e apresenta três objetivos básicos: (i) focalizar as motivações cognitivas das mudanças semânticas Origem > Posse e Origem > Partitivo, (ii) reavaliar as metáforas conceptuais já documentadas na literatura “POSSUIDORES SÃO ORIGENS” e “TODO É ORIGEM” (NIKIFORIDOU, 1991; LURAGHI, 2012, 2014a, 2014b) e (iii) ressaltar o fator de convergência tipológica entre “de-ablativo” e “de-genitivo” conhecido como Sincretismo de Casos (LURAGHI, 1987), processo histórico responsável por promover a polissemização ou a prototipização da preposição “de” em Português. A generalização, aqui, proposta, é de que o Genitivo seja estruturado como uma polissemia metonímica, tomando por base o Modelo Cognitivo Idealizado da Contiguidade (LAKOFF, 1987; PEIRLSMAN & GEERAERTS, 2006), segundo o qual Metonímias Esquemáticas constituem fontes primárias para efeitos prototípicos metafóricos. Uma das contribuições dessa pesquisa é oferecer uma descrição de Rede Semântica para o Genitivo como alternativa à concepção de “Rede Metafórica” (NIKIFORIDOU, 1991) e de “Rede Esquemática” (LANGACKER, 1991; TAYLOR, 1996, 2002; BERG-OLSEN, 2004), com base na premissa de que essa Categoria de Caso seja de modo mais saliente, um Sistema Metonímico e Corporificado.

 

Karen Cristina da Silva Pissurno

Título:A concordância verbal de terceira pessoa do plural na variedade moçambicana do Português: uma abordagem sociolinguística

Orientadora: Silvia Rodrigues Vieira Páginas: 222



Estudo sociolinguístico sobre a concordância verbal de 3ª pessoa do plural no Português oral de Maputo, Moçambique/África. A partir dos pressupostos da Teoria da Variação e Mudança, o objetivo principal da pesquisa foi constatar o estatuto da regra de marcação de plural na variedade moçambicana, se categórica, semicategórica ou variável (LABOV, 2003). Para tanto, observaram-se as restrições linguísticas e extralinguísticas que condicionam a concordância. À luz de estudos sobre o contato linguístico no Brasil (LUCCHESI; BAXTER; SILVA, 2009) e o bilinguismo (ROMAINE, 2013), observou-se como a situação de multilinguismo poderia afetar o Português falado pelos moçambicanos. Os resultados obtidos por meio do tratamento estatístico realizado pelo programa computacional GOLDVARB X revelam o comportamento de uma regra semicategórica, em termos quantitativos (96.8% de aplicação das marcas de número), índice que deve ser compreendido após detalhada análise qualitativa dos contextos variáveis. Os principais fatores que desfavorecem a concordância foram: (i) maior uso de línguas locais, (ii) menor escolaridade, (iii) sujeitos pospostos, (iv) verbos com menor saliência fônica, (v) sujeitos sem marca explícita de plural e (vi) verbos inacusativos/inergativos. De maneira geral, o comportamento dos dados em termos qualitativos revela a existência de contextos diversos efetivamente variáveis, à semelhança do que ocorre na variedade brasileira de forma produtiva, contrariamente aos padrões europeus de concordância (semi)categórica (VIEIRA; BRANDÃO, 2014). No entanto, a particularidade da situação multilíngue de Moçambique estabeleceria uma posição única para a variedade moçambicana, localizando-o em uma disposição entre as variedades europeias e brasileiras dentro de um continuum de padrões de concordância da Língua Portuguesa.

 

Karine Ferreira Maciel

Título:“Quanto mais prosaico mais poético”: Adília Lopes e a poesia contemporânea brasileira

Orientadora: Sofia Maria de Sousa Silva Faria Páginas: 103



A partir do início dos anos 2000, a poetisa portuguesa Adília Lopes ocupa um lugar de destaque na cena poética contemporânea no Brasil, seja a partir da Antologia publicada em 2002 pela editora paulista Cosac & Naify e pela carioca 7Letras, seja pela atenção que recebe na edição da revista Inimigo Rumor n°10, de 2001, que lhe dedica nada menos que a publicação integral do livro O poeta de Pondichéry (1986), uma entrevista e dois ensaios críticos. Além disso, a autora e os seus textos aparecem em poemas de muitos poetas brasileiros contemporâneos: Marília Garcia, Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques, Lucas Viriato, entre outros. Com base nisso, esta pesquisa busca apresentar a recepção de Adília Lopes no Brasil pela crítica editorial e por poetas contemporâneos brasileiros, levando em conta algumas das possíveis razões que possibilitaram a grande aceitação da autora portuguesa. Para tanto, apoiamo-nos nas teorias de estética da recepção de Hans Robert Jauss e nas considerações de Haroldo de Campos e Marcos Siscar sobre a poesia contemporânea brasileira.

 

Laize Santos de Oliveira

Título:As cartografias dos sonhos nas esquinas da memória: uma análise de Sonhos azuis pelas esquinas, de Ondjaki

Orientadora: Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco Páginas:90



Esta dissertação tem como objetivo central a análise de Sonhos azuis pelas esquinas, de Ondjaki, efetuando uma leitura dos espaços ficcionais neste livro e de seus diversos simbolismos. Serão estudadas estas representações espaciais e a influência que os imaginários coletivos urbanos geram na ficção do autor.
Os espaços ficcionais e as personagens que os habitam serão o epicentro desta investigação. As cidades e suas cartografias serão analisadas enquanto fonte memorialística, lugar de preservação da tradição e inspiração literária.
A cartografia destes lugares se nutrirá de atmosferas oníricas, reais e imaginárias, levando à descoberta das múltiplas cidades que se abrigam dentro dos vários contos/sonhos do referido livro de Ondjaki.
Serão estudadas as relações entre geografia e literatura, assim como o jogo intertextual tecido em diversos contos do referido livro de Ondjaki.

 

Lyza Brasil Herranz

Título:Avalovara, de Osman Lins, sob o signo de Eros: o cosmos em êxtase

Orientador: Maria Lucia Guimarães de Faria Páginas: 111



A originalidade da concepção amorosa de Osman Lins em Avalovara (1973) é o tema desta investigação, que procura desvelar o percurso amoroso e o encontro carnal e anímico de duas personagens como a consumação de um projeto de Conhecimento, de Amor e de Literatura a que o livro se propõe. Através de suas conjunções e simetrias, o Amor conduz à realização global do Homem, que acaba por transcender as dualidades e aceder à Unidade consigo, com o outro e com a Vida. Nessa narrativa essencialmente mitopoética, o poema em prosa, forma da escrita, desdobra-se de maneira revolucionária na forma do romance: um quadrado e uma espiral sobrepõem-se para dar origem a um cosmos extático regido pelo signo sagrado de Eros, potência que religa os polos opostos do mundo, como formulado por Ludwig Klages em seu livro De l’Éros cosmogonique.

 

Manuella Carnaval

Título:Foco informacional e foco contrastivo no português do Brasil: uma abordagem prosódica

Orientador: João Antônio de Moraes Páginas: 153



Essa dissertação apresenta uma abordagem prosódica do fenômeno de focalização informacional e contrastiva no Português do Brasil, estudando o processo em função de sua categoria prosódica: palavra fonológica ou sintagma fonológico. O trabalho considera em sua análise ambas as perspectivas, sua produção e sua percepção, ao descrever a marcação prosódica do foco com base nos resultados de testes de percepção sobre a identificação do tipo de foco e sua localização. Os 17 enunciados do corpus foram gravados por 4 informantes, ao produzir a asserção O marido da Renata derrubou suco de laranja, pronunciada de maneiras distintas segundo o tipo de foco e as estruturas focalizadas, totalizando 68 realizações diferentes. Essas estruturas eram: i) a sentença completa, (ii) de laranja, (iii) suco, (iv) suco de laranja, (v) derrubou, (vi) derrubou suco de laranja (vii) da Renata, (viii) O marido e (ix) O marido da Renata. Tais enunciados foram apresentados aleatoriamente em testes de escolha forçada realizados por 20 voluntários, que deveriam indicar o tipo de foco e a parte focalizada da sentença. Os resultados mostraram que a focalização de constituintes de maior extensão (sintagma fonológico) obteve menor percentual de reconhecimento (26% - foco informacional/ 37% - foco contrastivo) do que a de constituintes de menor extensão (palavra fonológica) (58% - foco informacional / 89% - foco contrastivo). Após a descrição fonética dos contornos de focalização encontrados, os padrões fonológicos básicos propostos foram: H + L*, para o foco informacional, e ¡H + L*, para o foco contrastivo.

 

Marco Antonio Fuly

Título:O Espaço da Infância na Narrativa de José Luandino Vieira: Lembranças, Questionamentos e Ruptura

Orientador: Maria Teresa Salgado Guimarães da Silva Páginas: 133



Esta dissertação pretende mostrar a transformação do pensamento do escritor angolano José Luandino Vieira a respeito dos momentos políticos que antecederam a independência de Angola. Utilizando como corpus literário as obras A Cidade e a Infância (1960), Lourentinho, Dóna Antónia de Sousa Neto & Eu (1981) e Nosso Musseque (2013), todas escritas entre 1954 e 1972, embora suas publicações ocorreram mais tarde, este trabalho ajuda a entender o modo como a pauta literária retratou as lembranças, os questionamentos e os desencantos do autor no que se refere ao período mencionado. Neste sentido, apropriando-se ficcionalmente do espaço da infância, assentado em um antigamente no qual as aventuras dos meninos do musseque são evocadas constantemente por um narrador no presente, Luandino Vieira valoriza e dá voz ao ente angolano comum, ao mesmo tempo em que denuncia as agruras do mundo colonial e se mostra descontente com as utopias revolucionárias.

 

Maria Silva Prado Lessa

Título: O poema como palco: algumas cenas da escrita de Mário Cesariny

Orientador: Sofia Maria de Sousa Silva Páginas: 102



Esta pesquisa tem como objeto de estudo cinco poemas do surrealista Mário Cesariny: “tal como catedrais”, “you are welcome to elsinore”, “autografia I”, “a antonin artaud” e “pena capital”. Construídos como artes poéticas, os textos encenam um poeta condenado a lutar contra o “peso” que as palavras adquiriram ao longo do tempo, em busca de um novo leitor e de um tempo futuro no qual as palavras se terão tornado puras – em que serão pura potência de significado. No entanto, os poemas estão eles próprios sempre em diálogo com outros poetas, outros tempos, outras vozes que são evocadas no processo de criação, sugerindo que o diálogo com o outro é condição para a escrita. Cesariny toma para si as palavras que já foram de outros, entrando em um jogo que atravessa os tempos e as vozes dos homens, engrossando o coro e adensando ainda mais a trama textual da linguagem poética. Ao espetacularizar o processo de criação poética, Cesariny guia-nos por cenas nas quais somos apresentados aos aspectos fundamentais da poética que buscou definir em meados dos anos 1950.

 

Mariana Delesderrier da Silva

Título:As Construções de Tópico Marcado na Escrita de Alunos da Educação Básica

Orientadora:Mônica Tavares Orsini Páginas: 159



O presente trabalho tem como objetivo investigar a frequência das construções de tópico marcado na escrita de estudantes do 6º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio – escolhidos por refletirem etapas importantes do processo de escolarização – bem como descrever as características formais e semântico-discursivas das estruturas encontradas. Para tal, utilizamos como pressupostos teóricos a Teoria de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981), em especial o que concerne à descrição do Português Brasileiro quanto à marcação do Parâmetro do Sujeito Nulo e do Parâmetro do Objeto Nulo, e sua interface com o Modelo de Competição de Gramáticas (KROCH, 1989 e 2001), já que o aluno, em seu processo de letramento, parece instanciar, em sua produção escrita, ora a gramática da fala (sua L1, adquirida durante o período de aquisição da linguagem), ora a gramática da escrita (a norma ensinada no ambiente escolar). O distanciamento entre a fala espontânea e a escrita culta brasileiras é reflexo da forma como se constituiu a norma padrão, no decorrer do século XIX, período em que os brasileiros cultos elegeram como seus os usos dos portugueses cultos. A pesquisa segue a metodologia quantitativa, tendo sido recolhidas 781 produções textuais, distribuídas por ano de escolarização e por gênero textual - fábula, carta pessoal, texto opinativo e carta argumentativa - escolhidos à luz do contínuo de monitoração estilística (BORTONI-RICARDO, 2005). De uma forma geral, os resultados apontam que as topicalizações e os tópicos pendentes introduzidos por locução prepositiva quanto a e afins, construções recorrentes na gramática do letrado (cf. ORSINI, 2017), são as estratégias mais frequentes, independente do período de escolarização e do gênero textual; os deslocamentos à esquerda, por sua vez, que são estruturas próprias da gramática da fala do brasileiro, não ocorrem no 3º ano do Ensino Médio, um indicador da ação coercitiva da escola, que condena construções socialmente estigmatizadas. Desta forma, os dados revelam que os alunos do 6º e 9º anos do Ensino Fundamental apresentam um comportamento semelhante que diverge do observado para os alunos do 3º ano do Ensino Médio: enquanto aqueles instanciam, na gramática da escrita, construções típicas da gramática da fala, descritas por Pontes (1987) e Berlinck, Duarte e Oliveira (2009), estes fazem uso de construções de tópico marcado descritas por Orsini (2017), pertencentes à gramática do letrado brasileiro, o que evidencia que, ao final da Educação Básica, o educando elaborou uma gramática da escrita distinta daquela utilizada pelo aluno ao final do Ensino Fundamental.

 

Mariana de Mendonça Braga

Título: Viagens iniciáticas: aventuras do conhecimento e do autoconhecimento na narrativa de Helder Macedo

Orientadora: Teresa Cristina Cerdeira da Silva Páginas: 114



Este trabalho procurará demonstrar o modo como o autor português Helder Macedo estabelece na sua produção ficcional um diálogo amoroso com a obra de Luís Vaz de Camões, possibilitado pelo atravessamento das fronteiras do discurso, no que tange às relações intertextuais estabelecidas com o poeta maneirista, e às relações intratextuais, que também resultam altamente producentes e esclarecedoras no interior da obra do poeta, ficcionista e ensaísta Helder Macedo. O recorte desta pesquisa propõe uma leitura mais detalhada de dois de seus romances – Pedro e Paula e Tão longo amor, Tão curta a vida – em diálogo com a sua própria produção ensaística, com atenção sobretudo ao longo estudo Camões e a viagem iniciática, publicado em 1980, que se dedica à análise da obra lírica e épica do poeta. O critério de seleção desse texto crítico do autor como núcleo duro deste trabalho se justifica pela apurada leitura da obra camoniana nele desenvolvida, na qual se entende fundamentalmente o conceito de viagem como exploração do desconhecido e como percepção da alteridade com o objetivo de alcançar o conhecimento e o autoconhecimento verdadeiros, seja enquanto nação ou indivíduo, adquiridos também através de uma gnose erótica que, aos poucos, vai sendo construída no íntimo encontro com o outro. Assim, é com base no percurso iniciático, entendido como travessia ou limiar, que pretendo ultrapassar o limite de uma leitura meramente cenográfica e temática dos locais trazidos pelo autor para investigar na viagem seu valor estrutural, analisando os deslocamentos espaciais de Pedro e Paula e de Tão longo amor, Tão curta a vida – seja no que se refere a espaços geográficos, seja no que se refere a espaços da linguagem. Ainda nesse sentido, pretendo demonstrar como algumas questões levantadas pelo crítico Helder Macedo sobre a obra de Camões reaparecem sob novos moldes em seus romances.

 

Marianna Maroja Confalonieri Cardoso

Título:Estratégias de indeterminação em peças portuguesas e brasileiras: uma análise contrastiva

Orientadora:Maria Eugênia Lammoglia Duarte Páginas: 127



O presente trabalho apresenta uma análise das estratégias de indeterminação do agente em sentenças finitas e não finitas com base em peças portuguesas de caráter popular escritas ao longo dos séculos XIX e XX, distribuídas em sete sincronias, que vão de 1921 a 1996, e compara os resultados obtidos com os encontrados por Vargas (2010; 2012) para peças escritas no Rio de Janeiro, compreendendo o mesmo período de tempo. A análise de Vargas mostra um claro processo de mudança em direção ao uso de novas estratégias de indeterminação do sujeito – como o uso dos pronomes você e a gente, além de uma drástica redução no uso do clítico indefinido se – que está, sem dúvida, relacionado a uma redução no quadro de clíticos de terceira pessoa e ao crescente preenchimento do sujeito pronominal no português brasileiro (PB). Como o português europeu (PE), apresenta um sistema de sujeitos nulos e de clíticos pronominais mais estável, nossa expectativa para esta pesquisa era que o PE conservaria as formas tradicionais de indeterminação: o emprego do verbo na 3ª pessoa do plural com o pronome não expresso, uma forma de indeterminação que exclui o falante, e o uso do clítico se, com referência arbitrária ou genérica, que pode ou não incluir o falante. Os resultados confirmam nossas hipóteses, apontando ainda um uso pouco expressivo da 1ª pessoa do plural, considerada em nossa análise, e da forma a gente. Os dados foram coletados e codificados conforme a metodologia da Sociolinguística Variacionista e processados pelo programa estatístico Goldvarb X. Nosso referencial teórico utiliza o modelo de estudo da mudança proposto por Weinreich, Labov & Herzog (2006 [1968]) e toma como componente gramatical para o levantamento de hipóteses e a interpretação dos resultados o quadro de Princípios e Parâmetros (Chomsky, 1981). Além dos estudos já realizados sobre o tema. Levamos em consideração ainda a proposta de Marins, Soares da Silva e Duarte (2015; a sair), que sugerem que as estratégias de indeterminação atestadas no PB não estão todas em competição, mas se distribuem em três diferentes pontos de uma escala de acordo com o conjunto de traços que compartilham: pessoa e número.

 

Maykol Vespucci de Oliveira

Título:Jornada à terra crua: o lugar da poesia na obra de Cora Coralina

Orientadora: Anélia Montechiari Pietrani Páginas: 114



Criadora de uma poética que se constrói, inicialmente, a partir do tempo passado, Cora Coralina recria a existência humana em versos. A partir de sua ideia de poetização do mundo, esta pesquisa busca entender o lugar da poesia na reimaginação de um universo. A poeta, que constantemente se volta para o próprio passado em seus três livros de poemas publicados, não pode ser vista unicamente como uma transcritora dos acontecimentos ocorridos. Ela é, antes de tudo, a criadora de um universo que se apoia numa ideia de mundo em que tudo o que existe está ligado por um eterno ciclo de finalizações e recomeços. Assim, inspirada pelas imagens naturais, Cora percebe a resistência humana como uma qualidade que impulsiona a vida. A poesia, aqui, surge como unificadora desse universo, em que a matéria interior da escritora e o mundo exterior se alteram mutualmente em um processo contínuo. Este estudo, além de buscar a imagem que a poeta constrói de si mesma, também objetiva entender como as imagens mais frequentes em sua poesia contribuem para a criação de seu universo. A pedra, a flor, a terra, o milho e outras imagens poéticas são entendidas como representativas de uma existência compartilhada entre a natureza e o humano. Nesse caminho poético, Cora Coralina reivindica para a poesia o lugar de entrecruzamento de tempos em que ela pode reencontrar a si mesma em ligação com o outro humano e o universo. O pensamento se liga aos espaços exteriores, explorando no mundo a presença do tempo e da vida.

 

Mayra Santana

Título:O R em coda silábica final nas três capitais do Sul do Brasil: Variação e Prosódia no corpus do ALiB

Orientadora: Carolina Ribeiro Serra Páginas: 119



Nesta dissertação, estuda-se o processo de variação do rótico, em coda silábica externa, nas três capitais ao Sul do Brasil. Os dados são bastante atuais e foram extraídos dos questionários do Projeto ALiB gravados em áudio nos primeiros anos do século XXI. Trata-se de um estudo variacionista que tem por finalidade determinar a influência de fatores sociais e linguísticos envolvidos na variabilidade/cancelamento do /R/ e, assim, determinar em que estágio se encontra o processo atualmente. Selecionaram-se oito informantes de cada localidade igualmente distribuídos por gênero, faixa etária e nível de instrução. Os objetivos são: 1) Analisar a diversidade de pronúncia do /R/ e, principalmente, o avanço do apagamento em posição de coda silábica final; 2) Focalizar os dados de fala espontânea extraídos do corpus do Projeto ALiB; 3) Averiguar o papel da fronteira prosódica no fenômeno de lenição do rótico. Para alcançar os objetivos estabelecidos, utiliza-se o aparato teórico-metodológico da Sociolinguística Quantitativa Laboviana aliado à Teoria da Hierarquia Prosódica. Os resultados gerais obtidos mostram que a área geográfica apresentou-se como fator preponderante. O contexto de vogal antecedente também se revelou marcante. O maior percentual de apagamento ocorre em Florianópolis para ambas as categorias vocabulares. Há prevalência do tepe nos verbos das três cidades e a mesma variante prepondera em Curitiba e Porto Alegre em não-verbos, enquanto em Florianópolis sobressai a fricativa velar nesta categoria. O cancelamento do rótico é semicategórico na categoria dos verbos com os percentuais de 87%, Curitiba; 94%, Florianópolis e 86% Porto Alegre. Na categoria dos não-verbos ainda é um processo de mudança em fase bastante inicial em Curitiba (5%) e em Porto Alegre (7%), entretanto já apresenta avanço maior em Florianópolis (41%). Palavras-chave: Rótico; Coda final; ALiB; Sociolinguística; Prosódia.

 

Monique Débora Alves de Oliveira Lima

Título:Quadro de Pronomes Pessoais na Escola: Diagnose e Proposta Pedagógica

Orientador: Silvia Rodrigues Vieira Páginas: 181



O presente trabalho objetiva (i) descrever e analisar as variantes pronominais utilizadas na escrita escolar para a expressão (a) do nominativo de 1ª pessoa plural e 2ª pessoa singular, (b) do acusativo e do dativo de 1ª, 2ª e 3ª pessoa e também (c) da função reflexiva, praticadas por alunos de turmas de sexto e nono anos do ensino fundamental de um colégio municipal da cidade do Rio de Janeiro (RJ); e (ii) elaborar uma proposta pedagógica visando a promover maior consciência linguística dos alunos acerca do fenômeno, a fim de ampliar seu repertório, para que sejam capazes de realizar usos populares ou cultos, mais ou menos monitorados, em acordo com a situação de interação em que estejam inseridos. A proposta pedagógica é idealizada a partir dos três eixos para o ensino de gramática (VIEIRA, 2014/2017), a saber, (i) o ensino de gramática como atividade reflexiva, (ii) o ensino de gramática vinculado à produção de sentidos e (iii) o ensino de gramática relacionado ao plano de variação e normas. Com o intuito de diagnosticar esses usos pronominais, foi realizada uma pesquisa de base sociolinguística, através dos dados obtidos por meio de redações de alunos do sexto e do nono anos, a fim de descrever quais contextos linguísticos e extralinguísticos poderiam condicionar o uso de uma ou outra variante. A proposta pedagógica objetiva, com base nas reflexões travadas ao longo do trabalho, oferecer alternativas para o ensino do quadro pronominal que não estejam ligadas à mera apresentação de um quadro estanque, já realizada pelos manuais didáticos. A partir dessa abordagem, pretende-se fazer com que os alunos sejam capazes de utilizar formas mais ou menos monitoradas, nas modalidades falada ou escrita, expandindo, assim, sua experiência enquanto leitores e produtores de texto de diversos gêneros.

 

Paulo Gonçalves Cerqueira

Título:Construções plusquam: processos estruturais interjetivos volitivos

Orientador: Maria Lucia Leitão de Almeida Páginas: 84



Este trabalho vai ao encontro dos preceitos da Linguística Cognitiva, que serve de base para a conceptualização das estruturas plusquam. Adotam-se, como principais orientações para análise dos dados, as teorias construcionais de Langacker (2008) e de Goldberg (1995), aliadas às noções de chunking, discutidas por Bybee (2010). Ademais, menciona-se o tratamento dado pela tradição gramatical às interjeições e aos usos da forma simples do maisque-perfeito. Pretende-se, então, investigar o comportamento das construções: [tomara que Ve/a], [tomara (,)(.)(!)], [tomara V-ar/-er/-ir], [tomara que sim/não], [quem dera V-sse], [quem pron. dera Vsse], [quem dera V-ar/-er/-ir], [quisera pron. V-sse], [quisera pron. V-ar/-er/-ir], [quisera pron. que V-sse], [pudera eu V-ar/-er/-ir] e [pudera suj. V-ar/-er/-ir]. Os dados foram coletados do Corpus do Português, disponível na internet, esse grande banco de dados possui ferramentas que possibilitam estudos diacrônicos e sincrônicos, esta dissertação prestou-se ao estudo sincrônico das estruturas em questão. O processamento dos dados foi via Unitex/GramLab 3.1, os testes estatísticos empregados foram o de Shapiro-Wilk, para a verificação da normalidade das amostras quantitativas, e o teste de Mann-Whitney, para a comprovação de hipótese; o software estatístico utilizado foi o SPSS. Há análises quantitativas dos dados, testes estatísticos de normalidade e de hipótese, que indicaram não haver diferenças significativas entre a interjeição plusquamtomara com as orações volitivas com o mais-que-perfeito. Nas análises, constam as representações dos polos fonológicos e semânticos das construções investigadas. Conclui-se que a multifuncionalidade das palavras garante a aplicação das mesmas em mais de um tipo de construção.

 

Pedro Vieira de Castro

Título: Physis e Lógos: Riobaldo e a travessia das águas mitopoéticasno Grande Sertão

Orientador: Ronaldes de Melo e Souza Páginas: 105



Physis e Lógos: Riobaldo e a travessia das águas mitopoéticas no Grande Sertão tem como objetivo investigar o comportamento das águas emGrande sertão: veredas através do estudo da narrativa em forma de diálogo, travado pelo narrador e protagonista Riobaldo. No título da dissertação confluem os principais conceitos trabalhados, ressaltando a importância da travessia e do rio – esse contido no nome do personagem – sob a visão da physis e do lógos, palavras que se aproximam e desvelam a via de acesso para se interpretar o sertão mitopoético e seus afluentes. Dividida em três capítulos, cada um com três seções, a dissertação discorre primeiramente sobre a natureza do próprio sertão para focalizar as imagens dos principais rios da obra: o São Francisco, o de-Janeiro, o Urucuia e o misterioso “rio do pacto”, que surge no momento em que Riobaldo invocao diabo. Ao dissertar sobre as transformações da água, o último capítulo se dedica a interpretar o conceito de travessia no romance de Guimarães Rosa. Ao final, na última seção,uma recapitulação de todos os fundamentos propostosnos demais capítulos permitesubstanciar a reflexão sobre o principal rio da obra: o Rio baldo e a potência transformadora do seu narrar.

 

Roberto de Farias David Junior

Título: Ethé discursivos em editoriais no jornal O Globo: uma abordagem semiolinguística

Orientador: Lúcia Helena Martins Gouvêa Páginas:227



A proposta desta pesquisa é estudar a construção de ethé discursivos do jornal O Globo por meio de seus editoriais, tendo como foco a análise das escolhas lexicais presentes na sua construção. A pesquisa tem como fundamentação a Teoria Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, e o corpus é composto de 94 textos, publicados em janeiro e fevereiro de 2015. Além da Teoria Semiolinguística do Discurso, há outras contribuições para o estudo da argumentação – principalmente de Ducrot e Perelman e Olbrechts-Tyteca – e para o estudo do ethos – especialmente de Dominique Maingueneau e Patrick Charaudeau. O principal objetivo é identificar os ethé discursivos do jornal O Globo nesses textos e as estratégias linguístico-discursivas utilizadas para a construção de uma imagem de si do jornal. Quanto à metodologia, trata-se de uma análise qualitativa e quantitativa, na medida em que há a identificação dos ethé e das estratégias – especialmente da escolha lexical, tendo em vista a produtividade dessa estratégia – e a classificação e contagem dos dados, com vistas à comparação percentual dos resultados obtidos.

 

Rachel de Carvalho Pinto Escobar Silvestre

Título:A polifuncionalidade do conector PARA

Orientadora: Violeta Virginia Rodrigues Páginas: 119



Este estudo tem como objetivo investigar os usos do conector PARA, caracterizado prototipicamente como introdutor de orações subordinadas adverbiais finais pelas Gramáticas Tradicionais. Em situações reais de interação, o conector PARA pode encetar além das orações finais, cláusulas hipotáticas circunstanciais desgarradas, completivas e relativas. Além do conteúdo de finalidade, o conector em estudo pode veicular o conteúdo semântico consecutivo, apresentando, desta forma, a possibilidade de se fazer deste mais de uma análise sintática e semântica. A teoria que serve de base para esta investigação é a Funcionalista, que analisa a relação gramatical das Línguas em contextos reais de interação, levando em conta o uso que o falante emprega ao produzir as estruturas na Língua. Pretendemos, com esta Teoria, verificar no corpus Roteiro de Cinema, cláusulas hipotáticas circunstanciais, hipotáticas circunstanciais desgarradas, completivas e relativas introduzidas por PARA, que veiculam mais de uma relação semântica. Cinquenta e cinco (55) longas-metragens e oitenta e um (81) curtas-metragens foram analisados, totalizando 2.883 dados de cláusulas introduzidas por PARA, analisados e contados manualmente um por um. Deste total, 1.008 (34,96%) são completivas, 1.856 (64,37%) são hipotáticas circunstanciais - sendo 51 (2,74%) destas desgarradas - e 19 (0.67%) relativas. No que se refere ao conteúdo semântico veiculado pelas cláusulas com PARA, verificamos que 2.862 (99,27%) dados veiculam conteúdo final, 11 (0,39%) veiculam conteúdo semântico de consequência e 10 (0,34%) estabelecem simultaneamente mais de uma relação semântica. Os dados dos corpora analisados apontaram que PARA pode funcionar como conjunção integrante e como pronome relativo, podendo, do ponto de vista das relações estabelecidas entre as orações no contexto, encetar conteúdo semântico consecutivo. Estas funções são possíveis em termos de usos na Língua Portuguesa, atestam a polifuncionalidade de PARA e o seu emprego além dos considerados prototípicos.

 

Ramon Nunes de Mello

Título:Lembre-se da mulher triste – O caso Adalgisa Nery

Orientadora: Eucanaã de Nazareno Ferraz Páginas: 161



A dissertação tem como objeto de interpretação a obra de Adalgisa Nery, especialmente sua produção poética. Propõe-se, com tal recorte, investigar através de leituras e pesquisas os vestígios que possam contribuir para a construção de um pensamento sobre a poética de Adalgisa Nery, seja em seus livros ou nos textos de seus contemporâneos, como Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Ismael Nery e Jorge de Lima. E, ainda, compreender a influência do Essencialismo e da religião na obra da autora, procurando demonstrar as características presentes em seus textos, que ficaram à margem do Modernismo Brasileiro.

 

Raquel Souza da Silva

Título:As marcas de subjetividade no gênero notícia online

Orientadora: Maria Aparecida Lino Pauliukonis Páginas: 89



A pesquisa visa analisar as escolhas lexicais feitas pelo sujeito enunciador em notícias online para avaliar de que maneira o seu ponto de vista influencia o leitor no relato da informação. A partir do estudo dos sujeitos discursivos da Teoria Semiolinguística de Charaudeau (2012), vamos observar quais os traços linguísticos que marcam a subjetividade em textos do gênero notícia. Serão analisados textos veiculados pela internet de dois sites de notícias que apresentam linhas ideológicas diferentes. Será verificado como o enunciador tenta convencer seus interlocutores em relação a sua forma de perceber a notícia, apesar de, em geral, o texto midiático apresentar um caráter imparcial em relação aos acontecimentos narrados. O trabalho visa responder as indagações a seguir: 1) Quais os termos ou expressões podem indicar o sujeito no seu texto? 2) De que forma a subjetividade pode influenciar a forma de relatar um acontecimento? Em síntese, queremos observar como um relato pode ser influenciado pelo sujeito enunciador e quais são as marcas que reforçam essa subjetividade.

 

Silvia Carolina Gomes de Souza

Título: Alteamento das vogais médias pretônicas no município do Rio de Janeiro: décadas 70, 90 e 2010 / estudo de crenças e atitudes

Orientadores: Eliete Figueira Batista da Silveira Páginas: 246



Esta dissertação analisa o processo de alteamento das vogais médias pretônicas, anterior /e/ e posterior /o/, em nomes, nas décadas de 70, 90 e 2010. O fenômeno denominado alteamento ou alçamento das vogais médias pretônicas é um exemplo de variação que consiste na escolha das variantes altas dos fonemas /e/ e /o/, respectivamente [i] e [u]. A pesquisa utiliza a metodologia da Sociolinguística e de Crenças e Atitudes. A partir da Sociolinguística, o alteamento das vogais médias pretônicas é analisado ao longo de 40 anos, em um estudo de tempo real de curta duração, observando-se as variáveis linguísticas e extralinguísticas favorecedoras do alteamento. Com estudo de Crenças de Atitudes, observam-se a produção, a percepção e a avaliação dos informantes em relação às vogais médias pretônicas. Assim como Labov (2006, 2008), entende-se que, algumas vezes, é difícil verificar como um fenômeno linguístico é avaliado. Assim, apesar de a Sociolinguística já adotar a avaliação em suas pesquisas, utilizam-se os fundamentos e a metodologia dos estudos de Crenças e Atitudes para a análise do status social do fenômeno em variação. Para a análise Sociolinguística, utilizou-se corpus oral de falantes de nível superior completo das décadas de 1970 e 1990, constitutivos do Projeto Norma Oral Urbana Culta – RJ (NURC), e da década de 2010, do Projeto Estudo Comparado dos Padrões de Concordância em Variedades Africana, Brasileira e Europeia, submetidos ao programa R-brul. Para a avaliação, foi criado um teste composto por quatro técnicas: leitura de um texto, questionário fechado, questionário fechado avaliativo e questionário aberto/entrevista, submetido a 10 homens e a 10 mulheres. A pesquisa apresenta aspectos inovadores que são a retomada do estudo de tempo real de curta duração e os testes avaliativos do estudo de Crenças e Atitudes, cujos resultados evidenciam que: (i) a estrutura silábica a que pertence a vogal pretônica é um fator fortemente condicionante para o alteamento; (ii) no transcorrer de 40 anos o alteamento apresentou comportamentos diferentes: a depender do contexto silábico, o fenômeno encontra-se em propagação, em outros em variação estável ou recuo; (iii) homens e mulheres apresentaram avaliações negativas acerca do falante usuário da variante alta, principalmente em relação à sua competência linguística e seu perfil socioeconômico.

 

Tatiana Corrêa da Silva

Título:Telas e letras, Chaplin e poesia: The tramp em território literári brasileiro

Orientadora: Eucanaã de Nazareno Ferraz Páginas:119



Não há, até hoje, artista que se equipare à iconicidade de Charles Chaplin (1889-1977) no cinema e na cultura mundial. Em 56 anos de uma intensa carreira, transpõe, para suas produções, experiências de arte e de vida – dissociáveis – que são lapidadas a partir de sua perspectiva peculiar, subjetiva, única. A busca pela naturalidade no simples, a valorização do marginal, o trabalho com avessos: ao explorar em seus filmes o que é considerado pelos telespectadores e críticos como o que está fora do padrão, indo contra o senso comum, o cineasta levou inovação à sétima arte.
Pretendemos, durante esta pesquisa, olhar para a linguagem cinematográfica desenvolvida por Chaplin, em especial a (des)construção de Carlito, e pensar sobre as marcas que inspiraram e foram incorporadas aos nossos poetas modernistas de forma explícita, implícita, ocular e reflexiva. Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira,Vinícius de Moraes Mário de Andrade e Oswald de Andrade: envolvidos de maneiras singulares com o cinema, o clown e suas gags, terão seus papeis de destaque na constituição do que chamaremos de poética chapliniana.

 

Thales de Barros Teixeira

Título:Do enlace entre mito e natureza: Guimarães Rosa e a poesia da imagem

Orientador: Ronaldes de Melo e Souza Páginas:125



Esta dissertação procura demonstrar de que maneira o escritor João Guimarães Rosa estabelece uma relação de isomorfia entre o mundo natural que perpassa sua obra e a linguagem que o traz à tona. Assumindo um caráter inerentemente metamórfico para a linguagem poética e concebendo a natureza enquanto Gaia, a antiga divindade pré-homérica que existe em consonância com o conceito grego pré-platônico de physis – processo que dá às coisas do cosmos traço permanentemente dinâmico, movente –, o autor mineiro trabalha para desenvolver essas duas premissas em um único e profícuo gesto literário. Como a natureza sob a lógica da physis transforma-se initerruptamente e como a poesia é, dentre inúmeras coisas, uma busca pelo ineditismo na forma da linguagem, Guimarães Rosa pôde forjar a metamorfose telúrica no corpo da sua palavra. Os dois atos confluem e revelam-se o anverso e o reverso de uma mesma realidade. Constrói-se, de tal maneira, um universo muito peculiar onde o binômio linguagemmundo é de fato indissociável. E é a ele que nós nos dedicaremos aqui, tentando demonstrar pormenorizadamente de que modo, na obra rosiana, a linguagem é mundo e o mundo é linguagem.

 

Thaís Fernandes Velloso

Título:Machado de Assis: escrita literária na crônica oitocentista

Orientador: Adauri Silva Bastos Páginas:107



A proposta desta dissertação de mestrado é analisar a crônica de Machado de Assis com ênfase em seu potencial literário. Para isso, utilizamos especificamente crônicas da seção “A Semana” datadas de um momento em que o escritor já tinha experiência com publicações em periódicos, uma vez que “A Semana” só se inicia em 1892, quando o autor somava mais de três décadas de escrita regular de crônicas. Recorremos também à série “Bons Dias!” e a outras crônicas que julgamos relevantes para o desenvolvimento do estudo. Diante dessa perspectiva, abordamos inicialmente o surgimento do folhetim no Brasil e traçamos um paralelo entre Machado de Assis e José de Alencar, sabendo que uma breve comparação entre os dois poderia contribuir para a elucidação de algumas características que o gênero apresentou nos trópicos. Em seguida, tratamos exclusivamente de Machado de Assis, apresentando um panorama geral de suas crônicas, com o objetivo de esmiuçar seu estilo e ver em que medida o cronista dialoga com a construção do narrador machadiano. Verificamos, desse modo, que os cruzamentos entre a crônica, o conto e o romance do escritor realçam pontos em comum e diferenças entre os três gêneros, portanto ampliam e aprofundam a visão dos escritos ficcionais do autor.

 

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

Vice-coordenadora: Prof. Dra. Maria Eugênia Lammoglia 

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