Útlima atualização 07/03/2017

 

Nesse período foram defendidas 18 dissertações.

Alexandra Valéria Linhares Figueiredo de Andrade Santos

Título: A consciência poética em Paulo Leminski

Orientadora: Anélia Montechiari Pietrani Páginas: 97



Defensor da liberdade na linguagem, Paulo Leminski se apoiou na premissa de que “a poesia está em toda parte”. Criou textos que suscitam reflexões sobre o que é a poesia, defendendo a tese de que ela não serve para nada. Percebendo no desenvolver da escrita do poeta a paixão pela palavra e a consciência do dizer, esta pesquisa considera o poeta a partir da perspectiva de sua consciência poético-crítica. Nesse sentido, os estudos sobre poesia segundo Walter Benjamin, com destaque para a sua teorização sobre o pensamento dos românticos alemães de Jena, bem como os de Hugo Friedrich, Alfonso Berardinelli e Michael Hamburguer são os pontos de partida para a leitura de poemas de Leminski que refletem sobre o ato da escrita sob três pontos de vista: o da poesia marginal, o do próprio poema, e o de um tom intimista.

 

Bruna Cupello Araripe Pereira

Título: A expressão do aspecto de fases no Português: um novo olhar centrado em construções perifrásticas

Orientador: Marcia dos Santos Machado Vieira Páginas:138



O Português é caracterizado por uma variedade sincrônica de estratégias a serviço da expressão de aspecto. Esta dissertação descreve esse fenômeno focalizando construções com verbos (semi)gramaticalizados, que marcam as fases inicial e final de um estado de coisas, tais como: começar/desatar/passar/pôr-se a Vinf (verbo no infinitivo) e acabar/deixar/parar/terminar de Vinf, entre outras possibilidades. E, com base no exame de constructos que atualizam tais construções e que foram identificados em diversas fontes de textos, estimamos uma rede construcional que exponha interrelações e desdobramentos entre os padrões detectados.
Na pesquisa, procuramos: (i) averiguar que forma(s) verbal(is) se aciona(m) com frequência na expressão dos aspectos inceptivo e terminativo e por quais motivações semânticas, discursivas e/ou pragmáticas, bem como as frequências type e token das construções perifrásticas; (ii) examinar o grau de gramaticalidade dos recursos verbais detectados nas perífrases empregadas para expressão de aspecto inceptivo e terminativo e destas também; (iii) verificar se construções com verbos (semi)auxiliares aspectuais teriam como característica a multifuncionalidade e as condições desta; (iv) investigar em que medida elementos do próprio contexto linguístico e/ou diferentes perspectivas de apreensão do evento em si poderiam acarretar alguma ambiguidade ou fluidez entre sentidos relacionados a essas noções aspectuais; (v) esboçar uma proposta de rede construcional que dê conta de descrever as microconstruções com verbos (semi)auxiliares aspectuais relacionadas ao corpus e até prever a formulação de microconstruções com menor grau de convencionalidade.
Pretendemos – a partir de um enfoque em que procuramos aliar uma abordagem construcionista (com base em GOLDBERG, 1995 e 2006, e TRAUGOTT E TROUSDALE,xi 2013, principalmente) a orientações funcionalistas tomadas desde o início desta trajetória como aporte teórico-metodológico (entre as quais, DIK, 1997) – propiciar um olhar minucioso sobre pareamentos de forma-sentido com os quais se alcança a expressão do aspecto gramatical na língua portuguesa, considerando, ainda, a perspectiva do conceptualizador na emissão de determinadas formas gramaticais e suas implicações para o nível do discurso.
Assim, recorremos à coleta e à busca de dados da expressão de aspecto gramatical, nas mais diversas fontes, nas modalidades expressivas fala e escrita e nas variedades brasileira e portuguesa. A amostra de 516 enunciados coletados foi submetida a um estudo qualitativo que procuramos desenvolver sob uma ótica funcional(-cognitiva). Somam-se a esses dados enunciados que reunimos, via ferramenta de busca na internet, para lidar com algumas questões que se impuseram no decorrer da análise do corpus.
Ao fim dessa dissertação, estimamos um esquema construcional e cognitivo subjacente à compatibilização de verbos os quais, ao longo do tempo, se rotinizaram como marcadores aspectuais (já canônicos e, ainda, não-canônicos) e, então, gramaticalizaram-se, tornando-se (semi)auxiliares aspectuais que podem ser acionados a compor o padrão abstrato da construção de aspecto inceptivo e terminativo em que opera verbo instrumental (V1) : [V1 (semi)auxiliar aspectual (não)finito + preposição + V2 infinitivo]. Tencionamos, em última instância, fornecer novos subsídios para a descrição de construções com verbos (semi)auxiliares do Português centrada em usos linguísticos e, ainda, proceder a uma análise crítica da contribuição que alcança por conta do referencial teórico-metodológico com que buscamos tratar do tema.

 

Carolina de Azevedo Turboli

Título: A travessia do narrador transforma o tempo em espaço: O céu não sabe dançar sozinho, de Ondjaki

Orientadora: Maria Teresa Salgado Páginas: 107



O trabalho “A TRAVESSIA DO NARRADOR TRANSFORMA TEMPO EM ESPAÇO: ‘O CÉU NÃO SABE DANÇAR SOZINHO’, DE ONDJAKI” visa estudar o narrador-escritor da obra de Ondjaki analisando a Travessia escrita e afetiva que transforma Tempo em Espaço através do narrado. Em um primeiro momento, nos aproximamos do narrador e dos pilares narrativos que edificam a arquitetura do livro. Dividido em quatro partes simétricas, com vinte contos, procuramos os índices narrativos que regem a orquestração harmônica das estórias – o Encontro, o Afeto, a Narração, o Seguir – a partir de pensadores como Faria (2005), Campbell (2005), Frayze-Pereira (2005), Gumbrecht (2012), Padilha (2005), e a partir da própria obra de Ondjaki. Questões como o estranhamento, o espelhamento, o mistério, o duplo, a dança, a fruição e a repetição nos guiam durante a análise dos contos, deflagrando o momento da travessia contido em cada uma das partes do livro. A hipótese é a de que, a partir da vivência temporal, o narrador-escritor instaura um Espaço material onde pode guardar o tempo através da alquimia característica dos poetas, que encontram no Verbo uma luz atemporal na qual podem morar.

 

Elisa Andrade Costa

Título: Observador de nuvens que o vento leva: a presença da natureza nas crônicas de Rubem Braga

Orientador: Godofredo de Oliveira Neto Páginas: 106



Esta pesquisa consistiu em analisar a presença reincidente da natureza nas crônicas de Rubem Braga. Para isso elegemos a categoria analítica de espaço dentro da qual exploramos essa reincidência, tanto no campo quanto na cidade, que age em grande parte dos textos, como mola propulsora à poética na prosa bragueana, característica máxima do autor. Como meio para tratar de toda a obra por uma parte dela, já considerada amadurecida por ser intermediária, escolhemos o livro Ai de ti, Copacabana (1955-1960) na qual pretendemos analisar possíveis variações de sentido dessa paisagem aos olhos do narrador, que às vezes aparece associada a uma nostalgia romântica, outras, à admiração da flora brasileira expressa, principalmente através do Rio de Janeiro, potência cultural da época, e de Cachoeiro de Itapemirim, terra natal do cronista. Através dessa análise, destacamos o valor da obra do cronista, que embora tenha se dedicado exclusivamente à crônica, inseriu-a na categoria de literatura.

 

Francyne França

Título: Sentidos no silêncio: o vazio em Galáxias, de Haroldo de Campos

Orientador: Ronaldes de Melo e Souza Páginas: 97



Com uma proposta de abolição dos limites entre poesia e prosa, Haroldo de Campos nos apresenta cinquenta fragmentos textuais, cada um dos quais compostos por sucessivos impulsos narrativos, cujos desfechos, no entanto, jamais se revelam. Em Galáxias, o texto é submetido à ação incessante de uma força desagregadora, que enfraquece os nexos lógicos, transformando o fo discursivo em uma trama verbivocovisual. O presente trabalho dedica-se a investigar a produção de sentido a partir desses vazios discursivos, que fazem o pêndulo da linguagem oscilar em direção à concretude das palavras. Com uma ostensiva e aliciadora textura sonora, os efeitos de Galáxias, paradoxalmente, são sentidos no silêncio. Comovendo o leitor pelo que diz, mas também – e sobretudo – pelo que falha em dizer, o texto se converte em coisa a ser experimentada, mais do que apenas compreendida. Um convite à participação, o vazio é o espaço pleno de prováveis, instância extralógica, centro ativo de uma rede de relações inesgotáveis.

 

Giselle Roza Accampora

Título:Intertextualidade, mito e simbologia nos contos maravilhosos de Marina Colasanti

Orientadora: Anélia Montechiari Pietrani Páginas:112



Considerando a obra de Marina Colasanti pouco contemplada criticamente, porém de alta qualidade, ela constitui o objeto de estudo deste trabalho, tomando por corpus os seguintes livros de contos da autora: Uma ideia toda azul (1978), Doze reis e a moça no labirinto do vento (1978) e Entre a espada e a rosa (1992). Almeja-se explorar os contos maravilhosos da autora Marina Colasanti, adotando como elementos norteadores a tríade intertextualidade, mito e simbologia, tento em vista sua recorrência e importância para uma interpretação coerente dos contos, o que lhes confere uma unidade. Para tanto, traremos à luz Vladimir Propp, Tzvetan Todorov, Wolfgang Iser, dentre outros teóricos. Propomos mostrar a intertextualidade como peça fundamental para a compreensão dos contos maravilhosos da autora, já que Marina Colasanti resgata histórias do inconsciente coletivo (mitos, lendas e contos de fada tradicionais) para explorar questões que reflitam sobre o comportamento humano, fazendo o leitor se deparar com as grandes questões da vida: seus medos, desejos, angústias, limitações.

 

Gizelly Fernandes Maia dos Reis Soares

Título: A descrição prosódica de enunciados assertivos neutros e interrogativos totais maranhenses: as toadas de um povo

Orientadora: Cláudia de Souza Cunha Páginas:125



O presente trabalho objetiva descrever a variação regional da entoação em enunciados assertivos neutros e em enunciados interrogativos do tipo questão total nos falares de sete municípios do Estado do Maranhão. A fim de conhecer as realizações melódicas das questões totais e das assertivas, fez-se uma descrição melódica de 350 assertivas e 140 interrogativas do tipo questão total, selecionados do corpus do projeto Atlas Linguístico do Brasil (projeto ALiB) que esboçam tais modalidades. Foram ouvidos quatro informantes por município, distribuídos equitativamente por duas faixas etárias - 18 a 30 anos e 50 a 65 anos. Optou-se por investigar as marcas regionais apresentadas por meio da variação da frequência fundamental, especialmente nos acentos pré-nuclear e nuclear. Para tanto, observou-se o comportamento da frequência fundamental no domínio do sintagma entoacional (I), nas sílabas indiscutivelmente relevantes no enunciado. Para a descrição entoacional dos diferentes municípios maranhenses, utilizamos os preceitos teóricos presentes no modelo autossegmental métrico, para a interpretação fonológica. Para análise acústica, empregaremos o programa computacional PRAAT, onde segmentamos e transcrevemos todas as sílabas dos enunciados coletados. Os comportamentos melódicos encontrados para os municípios do interior em nossa pesquisa dialogam com os comportamentos melódicos ocorrentes na capital, postulados por Cunha, Silva e Silvestre (2014) e concorrem para uma ampliação na descrição dos estudos prosódicos. Para acrescentar aos resultados encontrados, ainda investigamos o alinhamento do pico da F0 e elaboramos um teste de percepção com maranhenses. A partir de nossa análise, tanto para as assertivas quanto para as interrogativas, parece que descrever apenas a F0 não é o suficiente para mostrar as particularidades da capital e do interior. Por isso recorremos ao alinhamento e ao teste de percepção. No que diz respeito aos resultados, observamos que (i) a variação melódica entre as localidades analisadas, nas assertivas, ocorreu na diferença da sílaba em que começa a ocorrer a queda melódica em direção à última pós-tônica de I; (ii) para descrição do acento pré-nuclear das assertivas foi considerável observar a altura melódica das sílabas-chaves, onde ora encontramos o descrito por Silvestre (2011) para o Nordeste – H* –, ora encontramos - !H* -; (iii) para as interrogativas, o acento nuclear se mostrou mais passível de variação, pois ocorre o movimento ascendente final e também o movimento ascendente-descendente; (iv) o pico da F0 nas assertivas está mais comumente localizado na pré-tônica do acento nuclear com pico majoritariamente alinhado à esquerda, já nas interrogativas, à direita da tônica final; (v) pelos resultados de alinhamento do pico nas interrogativas, Imperatriz e São João dos Patos seriam as cidades do interior que possuiriam a prosódia mais parecida com a da capital; (vi) o teste de percepção reforçou a facilidade de reconhecimento por meio das interrogativas; os maranhenses reconhecem com muita facilidade a fala de São Luís, mas não apresentam a mesma facilidade para reconhecer oitivamente os municípios do interior. Com este estudo podemos concluir que a questão total é a modalidade que agrupa mais marcas de diferenciação prosódica entre os municípios. Contudo, não há tantas diferenças prosódicas entre interior e capital, pois os comportamentos de F0 que encontramos na capital também encontramos nos municípios do interior. O que há são características que ocorrem em determinado município que o aproximam da prosódia da capital, mas não é algo exclusivo de um município, pois ora em uma modalidade se aproximam da prosódia da capital e em outra se afastam.

 

Julia Pinheiro Gomes

Título:Fernando Pessoa revisited: uma leitura de O Virgem Negra, de Mário Cesariny

Orientadora: Sofia Maria de Sousa Silva Páginas:90



Em Portugal, os movimentos do início do século XX tiveram, até certo ponto, um caráter vanguardista semelhante àquele das outras correntes europeias. No entanto, a influência da tradição parece ser também um elemento significativo desse momento da História da literatura portuguesa. É neste contexto que emerge uma das mais relevantes correntes do período, o Surrealismo. Cabe notar que, embora os autores surrealistas portugueses recorressem aos pressupostos franceses, eles mantinham um diálogo constante com a literatura de seu país. Lançando um olhar sobre a obra de um dos maiores expoentes do grupo, Mário Cesariny, observamos que ele faz parte de uma tradição moderna da poesia portuguesa. Neste cenário, fica clara a influência que a Geração de Orpheu e, principalmente, que Fernando Pessoa tiveram no autor. Dentre os diálogos estabelecidos com o autor de Mensagem, focalizamos uma obra menos conhecida, isto é, O Virgem Negra, que conta com três edições. Mais do que “louvar” e “simplificar”, neste livro, Cesariny cede o seu lugar de autor a Fernando Pessoa, o eu-lírico dos poemas. O poeta surrealista cria, então, um Pessoa, ora sexualizado e ora assexualizado, que reescreve sua biografia e desconstrói – por meio da paródia, da tradução, do comentário satírico e até mesmo da cópia – poemas consagrados. Além disso, fazendo as vezes de editor e objetivando possivelmente “explicar Fernando Pessoa às criancinhas naturais e estrangeiras”, como o subtítulo sugere, Cesariny insere na última parte do livro notas que visam aclarar o hermético texto pessoano. Buscaremos, portanto, analisar esse jogo de referências engenhosamente concebido por Mário Cesariny, observando como ele foi capaz de desmitificar Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. Para tanto, proporemos uma leitura de alguns poemas do livro, procurando explicitar também questões relevantes para a sua compreensão, como a autoria, a citação, a heteronímia e o fingimento.

 

Juliana Magalhães Catta Preta de Santana

Título:Diagnose e ensino de pronomes: um estudo sobre a retomana anafórica do objeto direto de terceira pessoa no português brasileiro

Orientadora: Silvia Rodrigues Vieira Páginas:206



Esta pesquisa investiga a retomada anafórica do objeto direto de terceira pessoa como fenômeno gramatical variável no Português do Brasil e sua correlação com o ensino de pronomes no que concerne ao referido fenômeno. Para tanto, pauta-se no quadro teórico da Sociolinguística Variacionista (WEINREICH, LABOV & HERZOG, [1968] 2006; LABOV, [1972] 2008) e na Sociolinguística Educacional proposta por Bortoni-Ricardo (2004), além das contribuições de autores que têm desenvolvido discussões relevantes ao âmbito do ensino da Língua Portuguesa (cf. MARTINS; VIEIRA; TAVARES, 2014; VIEIRA, 2015, no prelo). Ao compreender o ambiente escolar, considera-se, aqui, especialmente relevante a atuação de três agentes: a orientação prevista no material didático; a mediação do professor; e a atividade de seus alunos. Assim, objetiva-se diagnosticar como se concretiza a integração e atuação dessa “tríade” no tratamento dispensado ao fenômeno linguístico em abordagem, a qual, julga-se, influencia mais diretamente o estudo da língua. Para tanto, foram realizadas três seções de análise: (i) análise do material didático utilizado pelas professoras em sala de aula, de forma a averiguar como este se comporta com relação à variedade existente no PB para o fenômeno linguístico em questão; (ii) análise de entrevista realizada por escrito com as referidas professoras, no intuito de alcançar sua compreensão sobre o espectro da variação e de normas de uso no PB; (iii) análise do corpus extraído de redações escolares corrigidas pelas mesmas professoras, de modo a compreender quais as estratégias de retomada encontradas na produção escrita dos seus estudantes e, ainda, verificar quais destas formas foram por elas corrigidas ou não e por que motivo. A partir da análise dos resultados obtidos, pode-se articular algumas reflexões para ensino, sobretudo no que tange à abordagem de fenômenos gramaticais variáveis, mais especificamente acerca das variantes do acusativo anafórico de terceira pessoa.

 

Karen Pereira Fernandes de Souza

Título:"Esposição de moveis| a qual se fechará brevemenre": estudo de cláusulas relativas apositivas "desgarradas" em textos jornalísticos

Orientador: Violeta Virginia Rodrigues Páginas:191



Este estudo tem como objetivo investigar o uso das orações relativas apositivas "desgarradas" em textos de domínio jornalístico (notícia, editorial de jornal, artigo de opinião e anúncios) que foram publicados durante os séculos XIX, XX e XXI, disponíveis online na página eletrônica dos Projetos VARPORT, PEUL e PHPB.
Levando-se em conta a abordagem tradicional, tais orações são caracterizadas como "erro", por não se encaixarem em nenhum título classificatório para orações no âmbito do período composto. Entretanto, como pesquisadores, devemos analisar a estrutura original construída pelo usuário da língua (perfeitamente compreendida pela comunidade de fala) e não ignorá-la por essa não se adequar aos rótulos da Gramática Tradicional.
Este trabalho está calcado nos preceitos do Funcionalismo Linguístico (que incluiu o nível pragmático na análise das orações) e do funcionalismo norteamericano (que rompeu com a dicotomia entre a Subordinação-Coordenação, propondo o contínuo Subordinação-Hipotaxe-Parataxe). Além disso, contou com pesquisas, cujo tema era o "desgarramento", além de trabalhos que analisaram as orações adjetivas como um todo, pontuação e orações substantivas apositivas. Para localização e contagem de dados, utilizamos o programa AntConc e Word.
Os objetivos que pretendemos alcançar com esta dissertação são: (a) comprovar que existem cláusulas relativas apositivas "desgarradas" pelo quantitativo das ocorrências no domínio jornalístico do PB escrito dos séculos XIX, XX e XXI no Rio de Janeiro e comparar a frequência de uso dessas cláusulas ao comparar os séculos; (b) mostrar a relação forma-função semântica dessas estruturas; (c) mostrar a relação sintático-pragmática dessas cláusulas, graças à carga argumentativa presente nestes gêneros textuais; (d)8 mostrar a relação uso-monitoramento linguístico com a finalidade de observar se há estigma para o uso do "desgarramento" em textos de médio e alto grau de monitoramento linguístico.
As cláusulas ora analisadas eram e são empregadas na modalidade escrita, pois, dos 1.883 textos, obtiveram-se trinta e oito dados, comprovando a existência do fenômeno na língua escrita. Além disso, verificou-se que gêneros não argumentativos também podem promover o uso dessas estruturas; que essas cláusulas são importantes no processo de argumentação ao focalizar ideias e partes do texto; que o "desgarramento" não sofre estigma, uma vez que só apareceu em textos de monitoramento linguístico elevado.

 

Karilene da Silva Xavier

Título: A variação do rótico na música popular brasileira: de 1902 a 1960

Orientadores: Carolina Ribeiro Serra e Cláudia de Souza Cunha Páginas:148



Nesta dissertação, estuda-se o processo de variação do rótico, em coda externa, a partir de canções gravadas entre 1902 e 1940 por nove intérpretes do gênero masculino, cariocas, disponibilizadas pelo Instituto Moreira Salles. A análise dos dados de um dos intérpretes, Vicente Celestino, foi estendida até 1960. Os objetivos são os seguintes: 1) recuperar as pronúncias do rótico na música; 2) capturar o processo gradual de diferenciação da realização do segmento; 3) verificar se os intérpretes seguiam normas de canto da época ou imprimiam às canções características próprias; 4) investigar a atuação do tempo para o fenômeno e 5) observar a atuação de fatores linguísticos e sociais. Para alcançar os objetivos estabelecidos, utiliza-se do aparato teórico-metodológico da Sociolinguística Quantitativa, e as etapas metodológicas compreendem: 1) seleção das canções, audição e transcrição fonética; 2) análise estatística dos dados e 3) interpretação dos resultados. Os resultados gerais obtidos a partir de 2858 dados coletados entre 1902 e 1940 são os seguintes: 1) o tepe é a realização predominante, alcançando 68,3% do total de dados 2) a vibrante anterior múltipla – a realização padrão para a linguagem dos meios de comunicação – ocorreu em um percentual inferior do que se esperava, 14,8%; 3) as fricativas, velar e glotal, ocorreram em um percentual inexpressivo, 1,3% e 4) o percentual de supressão foi de 15,5%. Os resultados a partir dos dados de Vicente Celestino revelam sua preferência por vibrantes, simples ou múltipla, por toda a sequência temporal e diferenças significativas entre sua fala cantada e espontânea.

 

Ludwig Ferreira Araujo

Título:Escritas de um mundo perdido: o Discurso oficial e a Ficção em A estranha nação de Rafael Mendes, de Moacyr Scliar

Orientador: Alcmeno Bastos Páginas:103



O objetivo do presente trabalho é, em um primeiro momento, demonstrar como através do artificio da metaficção historiográfica se consegue trazer à tona dados ocultados pela memória oficial, já que a escrita literária possibilita que se repense e se reconstrua a memória coletiva de maneira mais democrática. Pensa-se isso a partir da obra A estranha nação de Rafael Mendes porque a mesma retrata períodos de opressão na própria constituição do povo brasileiro, que bem pode ser entendida como a opressão pela qual o povo e, principalmente, a intelectualidade brasileira passaram no período ditatorial pós-golpe de 1964. Em um segundo momento, esta pesquisa analisa de que forma o romance de Moacyr Scliar abre espaço para outras obras de prestígio que se valem da metaficção historiográfica, se não para contarem outras versões da história antes reprimida pelo regime ditatorial, para abrirem espaço para outras versões da própria história oficial brasileira; além, claro, de situar A estranha nação de Rafael Mendes como obra central na ficção do próprio Moacyr Scliar.

 

Natasha Furlan Felizi

Título:A face antropofágica de Herberto Helder

Orientador: Jorge Fernandes da Silveira Páginas:103



Os pontos de contato entre a poética de Herberto Helder e a dos autores com os quais dialoga foram lidos por diversos críticos como a criação de uma tradição própria. Ao criar essa “tradição”, Herberto Helder subverte as noções genealógicas implicadas em uma leitura historicista da produção literária, que associaria os autores ao momento histórico em que produziram sua obra, estabelecendo relações de continuidade ou ruptura com escolas e autores de períodos anteriores. Uma das estratégias de Helder para a criação deste cânone próprio é o motivo da antropofagia, presente em sua obra tanto pelo recurso à temática do canibalismo, da carne e da boca, quanto pela atitude antropofágica em relação a textos de outros autores e expressões vernaculares de Portugal ou do Brasil. Este trabalho identifica alguns pontos de articulação desta postura com a Antropofagia brasileira criada por Oswald de Andrade. Três aspectos da antropofagia oswaldiana – o matriarcado, o canibalismo e textos indígenas e africanos – são utilizados para o exame da obra de Helder:a presença das imagens da mãe e da mulher, o motivo do canibalismo e as apropriações de textos alheios e os poemas ameríndios “mudados para o português”.

 

Natasha Gonçalves Otsuka

Título:"Somos um povo de caminhos salgados": memória e máquina em Valter Hugo Mãe

Orientadora: Ângela Beatriz de Carvalho Faria Páginas:106



O romance de Valter Hugo Mãe, a máquina de fazer espanhóis (2011), corpus literário da pesquisa que será desenvolvida neste trabalho, é constituído a partir de dois movimentos: a emergência do passado no presente, com a evocação da memória da ditadura salazarista, e um olhar para o futuro, a partir da reinserção de Portugal em um novo panorama cultural e político europeu. Neste trabalho, buscamos investigar como os resquícios do fascismo permanecem ecoando na sociedade portuguesa, com destaque para as estratégias e os elementos utilizados para recriar um Portugal doutrinado, com base na metáfora do asilo como espaço de cerceamento. A máquina, mencionada no título, sugere uma representação alegórica da repressão portuguesa e da consequente desumanização. Adicionalmente, estudaremos, com base em obras de Adorno (2012), Arendt (2015), Bakhtin (1988), Benjamin (1987), Hutcheon (1991), Lourenço (1988), Rosas (2001), Sartre (1970), além de outros críticos e teóricos, o romance como forma, com os diferentes subgêneros abarcados na obra contemporânea, os diálogos intertextuais, entre outros temas.

 

Pedro Paulo Machado Nascimento Gloria

Título:A dialética do caos: uma interpretação de O cão e os caluandas de Pepetela

Orientadora: Maria Teresa Salgado Guimarães da Silva Páginas:89



Muitos equívocos se cometem em relação à dialética quando utilizada como justificativa de uma única doutrina ou visão de mundo. Isso não constitui dialética, visto que, nesse caso, não se distingue contrários para diálogo, síntese ou superação, mas para combate e posterior vitória de um deles, identificado com o bem. A partir desse ponto de vista pseudo-dialético, maniqueísta por excelência, toda a realidade é julgada com base nos padrões determinados pela doutrina “correta”: é nesse âmbito que interpretamos O Cão e os caluandas de Pepetela como uma narrativa que provoca o questionamento dessa pseudo-dialética que, na verdade, busca submeter o real a uma variedade de dualismos. Esse questionamento se dá por um modo dialético de se lidar com o real que, na obra, se revela pelos relatos feitos da presença de um cão andarilho pela cidade de Luanda. Este simboliza o caos, porém não como um valor meramente negativo, mas como aquilo que permite a criação do novo e do inesperado para além de qualquer dualismo intransigente. O caos suscitado nos personagens pela chegada desse cão acaba por refutar dogmas pessoais e sociais fundamentados numa visão de mundo maniqueísta.

 

Priscila Francisca dos Santos

Título:Da região da Costa Verde ao Noroeste Fluminense: a prosódia dos enunciados interrogativos totais do Rio de Janeiro

Orientadora: Cláudia de Souza Cunha Páginas:117



A presente pesquisa visa oferecer uma contribuição aos estudos de prosódia dialetal do português do Brasil. Para isso, apresenta uma descrição da entoação de enunciados interrogativos do tipo questão total representantes dos falares fluminenses a fim de delinear o perfil prosódico de cada localidade. O corpus utilizado na feitura deste trabalho é composto por 364 frases, todas retiradas de gravações digitalizadas feitas para o Atlas Linguístico do Brasil. À exceção da capital carioca, todos os 14 municípios que constituem ponto de inquérito no estado do Rio de Janeiro foram contemplados neste estudo. Ouviram-se quatro informantes em cada cidade, dois homens e duas mulheres, distribuídos equitativamente por duas faixas etárias: 18-30 anos e 50-65 anos. A análise dos dados foi feita com o auxílio do programa computacional Praat. Os resultados vão ao encontro dos padrões melódicos descritos por Moraes (2008) e por Silva (2011) para a capital do Rio de Janeiro. O acento pré- nuclear caracterizou-se por uma proeminência localizada, em geral, na primeira sílaba tônica. Para as análises referentes ao acento nuclear, os enunciados foram divididos em três grupos: i) acento nuclear finalizado por palavra paroxítona plena; ii) acento nuclear finalizado por palavra paroxítona com postônica ensurdecida; e iii) acento nuclear finalizado por palavra oxítona. No primeiro grupo, houve a predominância do padrão final circunflexo, cujo pico se encontra alinhado à direita da sílaba acentuada. Nos demais, constatou-se, na maior parte dos casos, um movimento ascendente localizado na sílaba tônica. Os resultados encontrados apontam para a grande produtividade da estratégia de acomodação denominada truncamento, uma vez que o padrão circunflexo, representativo da questão total no estado analisado, sofreu alterações melódicas diante de palavras nucleares oxítonas ou paroxítonas com postônicas ensurdecidas. Esse comportamento dá indícios de que o Português do Brasil costuma privilegiar o texto ao promover ajustamentos da melodia.

 

Rafaela Cardeal

Título: Visita ao Museu de tudo, de João Cabral de Melo Neto

Orientadora: Eucanaã de Nazareno Ferraz Páginas:121



A dissertação tem como objeto de interpretação o livro Museu de tudo, de João Cabral de Melo Neto. Propõe-se, com tal recorte, uma leitura que faça uso da metáfora do título como instrumento de aproximação crítica. O estudo procura demonstrar que o livro, entendido como museu, preconiza o objetivo teórico primordial da poética cabralina: dar a ver. Com a visita ao livro-museu verificamos, ainda, a exposição das ideias fixas que compõem o universo poético de João Cabral.

 

Stephanie Valle de Souza

Título: A posição do sujeito em cartas dos séculos XIX e XX: um estudo, além de linguístico, social

Orientadora: Silvia Regina de Oliveira Cavalcante Páginas:120



O presente trabalho estuda a emergência da gramática do português brasileiro, a partir da análise da ordem do sujeito (ordem Sujeito-verbo e ordem Verbo-sujeito) em sentenças finitas. Na história do português, podemos considerar a existência de três gramáticas: (i) a primeira chamada de Português Clássico que é caracterizada por ser uma gramática V2 em que a primeira posição pode ser qualquer elemento topicalizado à esquerda do verbo; (ii) a segunda chamada de Português Europeu que é caracterizada por ter uma ordem SVO em que o elemento à esquerda do verbo é um sujeito, porém, essa ordem ocorre pela proeminência do sujeito e por fatores discursivos (Cavalcante, Galves e Paixão de Sousa, 2010); (iii) e, por fim, a terceira chamada de Português Brasileiro que é caracterizada por ter uma ordem SVO rígida e uma ordem VS restrita às constrições inacusativas (Berlinck, 1998; Tarallo, 1993). A partir do exposto, pretendemos (i) observar se já no século XIX encontramos uma ordem SV rígida e uma ordem VS motivada pelos verbos inacusativos, propriedades características do Português Brasileiro e (ii) analisar os padrões sociais (posição social, geração, século, dentre outros) que possam interferir para que haja a motivação de uma ordem SV ou VS. Portanto, além de observarmos fatores linguísticos, que implicariam na presença de uma ordem SV ou de uma ordem VS e vice-versa, estão sendo observados também fatores sociais que implicariam na presença dessas diferentes gramáticas, existindo, dessa forma, gramáticas em competição (Kroch, 1989).
Para tanto, utilizamos a teoria da análise linguística gerativa, mais especificamente, a teoria de princípios e parâmetros (Chomsky, 1986) e os modelos teóricos de mudança, intitulados teoria da mudança linguística (Weinreich, Labov e Herzog, 1968) e competição de gramáticas (Kroch, 1989). O corpus é composto por 170 cartas pessoais da família Pedreira Ferraz Magalhães, escritas entre os séculos XIX e XX (no período compreendido entre os anos de 1876 a 1948), trocadas entre os integrantes da família, a saber: 15 cartas escritas pelo pai da primeira geração, João Pedreira do Couto Ferraz (secretário do supremo tribunal por mais de 50 anos, nascido em 1826), 11 cartas escritas pelos pais da segunda geração, Jerônimo de Castro Abreu Magalhães (engenheiro civil, nascido em 1851) e Zélia Pedreira Abreu Magalhães (esposa de Jerônimo, nascida em 1857), 5 cartas escritas pela irmã de Zélia Pedreira, Maria Teresa de Jesus Bulhões Pedreira (viscondessa de Duprat, nascida em 1863) e 139 cartas escritas pelos oito filhos de Zélia e Jerônimo, pertencentes a terceira geração. A amostra pertence ao site do Corpus Compartilhado Diacrônico: (http://www.letras.ufrj.br/laborhistorico), desenvolvido pela equipe do LaborHistórico.
Os resultados mostram: (i) que o percentual de ordem SV aumenta ao passar do tempo enquanto que a ordem VS diminui em relação ao tempo e em relação à geração, evidenciando a emergência de uma gramática do Português Brasileiro; (ii) um percentual de ordem VS com construções inacusativas aumentando em relação ao tempo e diminuição de ordem VS com construções transitivas em relação ao tempo; (iii) por fim, mostram que o missivista mais velho apresenta já uma gramática do Português Brasileiro. Porém, a presença da ordem VS com verbos transitivos nesse missivista é maior em relação às produções VS com transitivos dos remetentes “mais novos”, devido ao processo de competição de gramáticas em que formas inovadoras e formas conservadoras competem entre si. Os missivistas “mais novos” apresentam uma ordem SV rígida mais produtiva e uma ordem VS motivada por construções inacusativas.

 

 

 

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