Útlima atualização 07/03/2017

 

Nesse período foram defendidas 26 dissertações.

Adriana Souza de Oliveira

Título: Angola, Brasil e Portugal: espaços em trânsito em Nação Crioula

Orientadora: Maria Teresa Salgado Páginas: 116



A presente dissertação pretende fazer uma leitura da obra Nação Crioula, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, considerando como interesse principal a dilatação de fronteiras entre ficção e história proposta pela obra, que tem como subtítulo “a correspondência secreta de Fradique Mendes”. Caracterizada como uma narrativa de base epistolar, a trama reúne 26 cartas, que trazem imagens ficcionalizadas da vida social luandense em diálogo com Pernambuco, Recife, Rio de Janeiro, Lisboa e Paris, no período datado de 1868 a 1888. Em Nação Crioula, o período retratado recobra, de forma incisiva, a intensificação do combate ao tráfico negreiro, um momento histórico de grande significação para os espaços físicos revisitados na diegese. Esses espaços funcionam como eo entre a perspectiva histórica daqueles que vivenciaram a esfera de instabilidade que marcou o fim do século XIX e a realidade ficcional proposta por Agualusa, além de servirem como pano de fundo para a história de amor, vivida pelos personagens Fradique Mendes e Ana Olímpia. Com isso, a obra surge no cenário das literaturas africanas de língua portuguesa com uma releitura do passado colonial e reflete o desejo do autor de descortinar, aos olhos do público leitor, a existência de um diálogo intercultural que irá moldar, de modo contundente, a composição identitária das nações (re)significadas na obra: Angola, Brasil e Portugal configuram-se, assim, como “espaços em trânsito”.

 

Alexandre Silva Damascena

Título: A literatura a partir do território: a relação entre forma e conteúdo em Ferréz

Orientador: Adauri Silva Bastos Páginas:102



Nosso trabalho consistiu em pesquisar a relação entre literatura e território, com ênfase na tensão entre forma e conteúdo nos textos ficcionais de Ferréz. Sua obra, denominada como literatura marginal, muitas vezes é apontada como relato confessional, em desacordo com o pensamento do próprio autor, que diz usar o território não como matriz a ser reproduzida de maneira naturalista, e sim como meio de valorização do lugar de origem e fonte de estímulo à singularização. Para realizar nossa proposta investigativa, lançamos mão de uma fundamentação teórica que condiz com sua ficção e nos possibilitou esquadrinhar seus romances Capão pecado (2000), Manual prático do ódio (2003) e Deus foi almoçar (2012). Entre os teóricos que ofereceram essa base, encontram-se Jacques Rancière (que trata da relação entre política e literatura), Gaston Bachelard (com sua abordagem da poética do espaço), Tzvetan Todorov (acerca das estruturas narrativas), além de Wolfgang Iser e Luiz Costa Lima (para lançar luz sobre o importante aspecto da recepção literária).

 

Alice Eugenia Santos Vieira

Título: Memória e testemunho: ruínas e ecos de um império português desfeito em O esplendor de Portugal, de António Lobo Antunes

Orientador: Luci Ruas Pereira Páginas:144



Este estudo busca demonstrar como o romance O esplendor de Portugal, de António Lobo Antunes, revela uma realidade portuguesa ocultada e que somente após a Revolução dos Cravos pode emergir: o arruinamento do império português ultramarino e as suas consequências. Tal arruinamento nos leva a questionar que esplendor é este. Através dos fragmentos, das ruínas desse império e da relação entre memória e esquecimento estabelecida pelos testemunhos das personagens (e um pouco do próprio autor), analisamos como António Lobo Antunes lança pequenos fachos de luz sobre um momento escuro na história de sua nação. Valemo-nos das ideias de estudiosos sobre a escrita do trauma para revelar que as ruínas não são apenas sociais, mas principalmente pessoais. É através dessa questão que a análise das personagens nos permite enxergar além dos papéis sociais por elas desempenhados, como também compreender como viveram os dois grupos de portugueses / angolanos que havia nesse período: os que permaneceram em África durante a guerra civil e os retornados. É possível concluir que tal esplendor é somente irônico, posto que há muito se perdeu.

 

Beatriz Soares Cardoso

Título: O tecelão, a tecedura e o tecido: dobras da linguagem e da história em contos de João Paulo Borges Coelho

Orientadora: Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco Páginas: 139



O presente trabalho orienta-se para o estudo da variação das formas do complemento verbal acusativo de 2ª pessoa do singular no período de um século: 1880 a 1980. Na perspectiva tradicional de “uniformidade de tratamento”, o pronome acusativo original de 2ª pessoa seria apenas o clítico te, no entanto, outras estratégias também são possíveis no português brasileiro, como o pronome você, os clíticos lhe e o/a e, até mesmo, o objeto nulo Ø. Dessa maneira, levantamos todas as formas variantes do complemento em questão, com o objetivo de investigar os fatores de natureza linguística e extralinguística que estariam influenciando no uso das diferentes estratégias acusativas. Para tanto, utilizamos um corpus constituído por 521 cartas pessoais escritas no referido período e trocadas por indivíduos oriundos do Rio de Janeiro. Como aparato teórico-metodológico, utilizamos a Sociolinguística histórica (ROMAINE, 1982; CONDE SILVESTRE, 2007; HERNÀNDEX-CAMPOY & CONDE SILVESTRE, 2012), para o tratamento dos dados históricos. Em síntese, esta dissertação constatou que, dentre todas as formas acusativas de 2ª pessoa do singular, o clítico te foi o mais empregado em todos os subsistemas tratamentais de sujeito (tu, você e tu~você) e ao longo de todo o século, revelando, assim, que a função acusativa se mostra como um contexto de resistência à inserção da forma gramaticalizada você. Ainda observamos que os clíticos de 3ª pessoa o/a foram a segunda estratégia mais utilizada e que o você-acusativo começou a surgir no 2º período (1906-1930).

 

Aline de Almeida Rodrigues

Título: A arquitetura narrativa de Um Amor Feliz, de David Mourão-Ferreira

Orientador: Teresa Cristina Cerdeira Páginas: 115



Na crítica de David Mourão-Ferreira, observa-se um consenso de que a leitura dos escritos davidianos pressupõe refletir sobre uma variada teia de imagens e de escritas em um mesmo texto. Neste trabalho de pesquisa, buscamos desvendar a arquitetura narrativa de seu único romance, Um Amor Feliz, centrando-nos em aspectos que consideramos fundamentais para a compreensão da obra: a reflexão da escrita sobre si mesma e a escrita de Eros. O trabalho divide-se em dois capítulos: no primeiro, dedicado à poética de construção do romance, versamos sobre a pluralidade do romance davidiano no qual se observa a reflexão sobre a cidade, sobre a arte, sobre a própria obra em suas relações autobiográficas. No segundo capítulo, em que se privilegiam as personagens femininas, observamos a construção de Y como estátua movente e como símbolo da Beleza e da Arte; a sobreposição das imagens da mãe, da amante e da mulher, referindo a marca edipiana do romance; refletimos ainda sobre o lugar da função da interlocutora, primeira destinatária do romance. Valorizamos enfim as categorias de interpretação e composição ditadas pela própria obra em seu exercício de metaficção.

 

Bruna Gois Pavão Ferreira

Título: Construção relacional: estado, mudança e resultado

Orientadora: Marcia dos Santos Machado Vieira Páginas: 136



Com base em pressupostos teórico-metodológicos das abordagens funcionalista, construcionista e cognitivista (BYBEE, 2003, 2010; GOLDBERG, 1995, 2003, 2013; HALLIDAY, 1994; TAYLOR, 1995; TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013; dentre outros), esta pesquisa focaliza o uso da construção relacional em contos literários do Português Brasileiro: mais precisamente de construções de estado ou mudança de estado, resultativas ou não.
A construção relacional é formada, em geral, por sujeito, verbo relacional e predicativo e apresenta uma destas relações de sentido entre os termos da construção: atributiva ou caracterizadora, qualificativa, identificadora, equativa etc. A partir da construção relacional, é possível distinguir alguns subtipos: construção de estado, que não pressupõe processo anterior e não envolve dinamicidade; construção de mudança de estado, que já pressupõe processo anterior e envolve dinamicidade; construção habitual, que indica um estado habitual ao longo de um determinado tempo; construção resultativa, em que há uma mudança de estado que envolve resultado. A análise baseiase em 806 dados desse tipo de construção, com ser, estar, ficar, andar, viver e virar em 60 textos narrativos. Dentre os problemas relativos à caracterização morfossintática e semântica da construção com os verbos relacionais em estudo e à descrição funcional das predicações em que eles ocorrem, examinam-se aspectos como: (i) a estruturação mais frequente das predicações nominais do corpus – seus constituintes e a ordem destes; (ii) a natureza do sintagma sujeito dessas predicações; (iii) a configuração dos sintagmas predicativos sobre os quais os verbos relacionais operam gramaticalmente;11 (iv) o estatuto semântico de cada ocorrência das formas verbais em estudo, procurando detectar semelhanças e diferenças entre suas instâncias de uso; (v) o estatuto funcional das predicações nominais que tais formas verbais integram. Com isso, os dados foram analisados de acordo com os seguintes parâmetros: (i) verbo relacional em questão; (ii) tipo de construção relacional; (iii) grau de animacidade do sujeito; (iv) predicativo restritivo ou não restritivo; (v) papel temático do sujeito; (vi) tipo de predicação nominal; (vii) estrutura sintagmática do predicativo; (viii) tipo de processo relacional; (ix) tipologia do estado de coisas representado pela predicação; (x) estado aspectual da predicação; (xi) ordem dos termos da construção; (xii) polaridade negativa ou positiva; (xiii) plano discursivo.
A partir da análise dos dados segundo esses parâmetros, é possível identificar que os resultados não só consolidam a hipótese de prototipicidade da construção relacional no gênero em estudo, como também permitem destacar as nuances de sentido decorrentes da influência do verbo relacional sobre a construção em que se insere, além de detectar outros verbos que podem assumir função relacional em determinada construção, com base no estudo de seus aspectos sintáticos, semânticos e discursivos.

 

Daiane Crivelaro de Azevedo

Título:Tradição e cultura: a (des)ordem como cicatriz na literatura de Raduan Nassar

Orientador: Anélia Montechiari Pietrani Páginas:148



O nosso trabalho concentra-se na literatura produzida por Raduan Nassar, que abarca o romance Lavoura arcaica, a novela Um copo de cólera e a reunião de contos Menina a caminho e outros textos, com o objetivo de encontrar o espaço ocupado pelo escritor na literatura brasileira. Procuramos, então, compreender a complexidade das obras a partir da cicatriz como marca da escrita e dos narradores nassarianos, de modo a entender como a tradição e a ruptura se dão através das vozes que resultam do silêncio. A estrutura lacunar das narrativas, os arquétipos e os consequentes contra-arquétipos característicos dos narradores e a concepção de razão foram os norteadores da nossa pesquisa. Como elo, a marca da ruptura, presente nesses três tópicos, foi analisada como tradição, que, mascarada pela sua contradição ao assumir-se como tradição e ruptura simultaneamente, deixa sua cicatriz, no corpo dos personagens e no do texto, fazendo da sua (in)visibilidade o grito não dito da literatura. Autores cuja leitura a respeito dos eixos ruptura e razão se atualiza a partir dos conflitos modernos, tais como Octavio Paz e Hannah Arendt, foram utilizados como fundamento teórico. Diante da cicatriz literária ocupada por Raduan Nassar, o nosso trabalho inclina-se ao estudo das demais cicatrizes de sua escrita, buscando compreendê-la como espaço nassariano na literatura brasileira.

 

Eloisa Beatriz de Sousa Ciarelli

Título:Estratégias patêmicas em crônicas de Martha Medeiros

Orientadora: Lúcia Helena Martins Gouvêa Páginas:89



Este trabalho visa a analisar algumas estratégias patêmicas presentes em crônicas escritas pela autora Martha Medeiros, observando sua produtividade nos textos da cronista nas esferas qualitativa e quantitativa. Busca-se comprovar uma maior frequência de atos delocutivos, bem como a presença dos comportamentos elocutivo e alocutivo de maneira significativa. Busca-se, também, verificar a abundância do léxico das emoções ao longo dos textos, principalmente no que concerne ao uso dos substantivos. A partir dessa análise, pretende-se, então, comprovar que o gênero crônica, seria eminentemente marcado pela emoção. Para tanto, o trabalho conta com um corpus de 70 crônicas publicadas semanalmente na revista O Globo, do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, entre os anos de 2010 e 2014. A pesquisa é baseada na teoria Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, a qual se ocupa em entender a linguagem como o meio de significar a relação que se estabelece entre os parceiros do ato de linguagem. Além da visão de Charaudeau sobre pathos como um efeito visado, conta-se com o tratamento de Plantin, às estratégias de patemização, segundo o qual os termos patemizantes são distribuídos entre uma designação direta e uma designação indireta das emoções. No presente trabalho, procura-se ressaltar a importância dos estudos relativos ao pathos, principalmente quando se deseja persuadir pelo discurso.

 

Evelin Azambuja Augusto

Título:A expressão da modalidade em peças cariocas: uma análise diacrônica

Orientador: Maria Eugênia Lammoglia Duarte Páginas:106



Meu objetivo principal é analisar como as formas de expressão de modalidade (epistêmica e não-epistêmica) se comportam ao longo do tempo no Português Brasileiro. Para isso, foram analisadas peças de teatro escritas no Rio de Janeiro, distribuídas ao longo de sete períodos dos séculos XIX e XX. Entre as diversas formas de expressar essa categoria, focalizo os verbos auxiliares modais, os predicadores verbais e predicadores adjetivais, esses dois últimos tipos favorecedores de estruturas com um sujeito expletivo nulo. Como o português brasileiro prefere sujeitos referenciais expressos, minha hipótese era a de que o uso de auxiliares aumentaria ao longo do tempo. Como base teórica, utilizo o modelo de estudo da variação e mudança proposto por Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]), associado à Teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky, 1981). Os resultados apontam que, embora predominantes desde a primeira sincronia, os auxiliares tendem a crescer; que os predicadores adjetivais ocorrem em número muito reduzido; e que os predicadores verbais descritos nas gramáticas aparecem de modo parcimonioso no texto das peças até o ano de 1955, dando lugar a duas formas verbais inovadoras, que permitem o alçamento de um constituinte para a posição do sujeito expletivo, na segunda metade do século XX. Foi possível constatar, ao lado da implementação de sujeitos referenciais, uma clara preferência por sujeitos expressos de 1ª. e 2ª. pessoas, o que leva à confirmação parcial de minha hipótese principal.

 

Gabriela Costa Mourão

Título:O sujeito referencial em peças portuguesas: uma análise diacrônica

Orientadora: Maria Eugênia Lammoglia Duarte Páginas:104



O objetivo principal deste trabalho é analisar o comportamento do sujeito pronominal de referência definida nas três pessoas do discurso no Português Europeu (PE) numa perspectiva diacrônica e comparar os resultados com os obtidos por Duarte (1993) para o Português Brasileiro (PB). Para isso, foram utilizadas peças de teatro portuguesas distribuídas por sete períodos de tempo ao longo dos séculos XIX e XX. A hipótese que norteou este trabalho foi a de que, diferentemente do PB, o PE apresentaria regularidade na representação de seus sujeitos nas três pessoas gramaticais, com preferência pelos nulos, por se tratar de uma língua de sujeito nulo consistente (Roberts e Holmberg, 2010). A base teórica utilizada foi a associação do modelo de estudo da variação e mudança, proposto por Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]), com a teoria linguística de Princípios e Parâmetros de Chomsky (1981). Os resultados confirmam nossa hipótese de que o PE prefere representar seus sujeitos com o pronome nulo nas três pessoas gramaticais. A análise quantitativa aponta alguns contextos que favorecem um pronome expresso, entre os quais o papel do participante que assume a primeira pessoa no diálogo, o preenchimento de Spec de CP, a menor acessibilidade do antecedente do sujeito e os traços semânticos [+hum/+esp] do referente. Por fim, a comparação do comportamento da representação dos sujeitos do PE com os do PB ao longo do tempo permitiu confirmar que, no que diz respeito à representação do sujeito referencial, PE e PB são sistemas distintos.

 

Helena Maria de Souza Costa Arruda

Título:O sujeito feminino e suas representações na construção do romance brasileiro

Orientador: Godofredo de Oliveira Neto Páginas:143



Ao elegermos o tema O sujeito feminino e suas representações na construção do romance brasileiro, procuramos analisar distintas vertentes do universo ficcional das personagens femininas centrais de quatro grandes romances da Literatura Brasileira: Lucíola (1862), de José de Alencar, Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, Ópera dos mortos (1967), de Autran Dourado e Amores exilados (2011), de Godofredo de Oliveira Neto. Se por um lado, embasamos nossa pesquisa na estética da recepção da obra de arte, que tem nos teóricos Wolfang Iser e Luiz Costa Lima alguns de seus representantes, por outro, procuramos analisar o leitmov dos autores ao criarem personagens tão densas, conferindo-lhes um peso que parece extrapolar o mundo fictício e ganhar o mundo real por meio de múltiplos e complexos narradores. Para tanto, este estudo caminha em várias direções, encontrando eco nas teorias do filósofo Gaston Bachelard no que respeita a questões referentes ao imaginário – já que o texto ficcional faz parte da ação imaginante do leitor – e à espacialidade – tendo em vista o trânsito frequente das personagens femininas centrais em seus constantes deslocamentos em busca de seus eus totalizantes, pois, fragmentados, encontram nos seus duplos suas principais caracterizações. Portanto, o recorte que delineamos nesta pesquisa tem uma perspectiva fenomenológica de interpretação da obra de arte, seguindo também a proposição autraniana de leitura, através da qual o leitor lançará mão de um universo simbólico em conformidade com sua postura interpretativa. Assim, esta investigação procura trazer à tona representações que simbolizam o sujeito feminino, tais como: questões concernentes ao sentimento amoroso, ao duplo e a constituição identitária, ao enigma do olhar, à maternidade em sua tragicidade e, por fim, ao exílio e suas relações topoanalíticas – topofóbicas e topofílicas – de acordo com o micro, o macro e o heterocosmo de cada personagem.

 

Juliana da Costa Santos

Título:O comportamento das estratégias de relativização na escrita culta jornalística brasileira

Orientador: Silvia Rodrigues Vieira Páginas:185



O trabalho, vinculado à Teoria da Variação e Mudança, analisa o estatuto da regra referente às estratégias de relativização em textos escritos do Jornal O Globo, a fim de identificar e descrever os fatores que favorecem e restringem a realização da variante padrão (o livro de que eu preciso) e das não padrão cortadora (o livro que eu preciso) e copiadora (o livro que eu preciso dele).
A pesquisa conta com um corpus composto por 165 textos de diversos gêneros textuais publicados no Jornal O Globo durante o período de janeiro a outubro de 2012. Além disso, realiza um estudo comparativo das estratégias de relativização na fala e escrita cultas brasileiras, com base em resultados de outras pesquisas, a fim de observar o comportamento do fenômeno em diferentes modalidades da língua. Por fim, a investigação descreve os juízos de valor do revisor/jornalista do Jornal O Globo, na coluna Autocrítica, para observar a influência da avaliação subjetiva das variantes pelo usuário da língua no fenômeno em estudo.
Dentre os principais resultados da pesquisa, observou-se que, na escrita culta do PB, os dados do grupo das preposicionadas apresentaram o uso semicategórico da variante padrão,porque, apenas em contextos específicos – apenas nos anúncios – a variante cortadora foi raramente registrada. Em relação à fala culta brasileira, verificou-se que a variante preferencial é a cortadora e que o fenômeno se realiza, em alguns corpora, ora como regra variável (cf.TARALLO, 1983; CORRÊA, 1998 e VALE, 2014), ora semicategórica (cf. PEREIRA, 2014). Finalmente, em relação à avaliação subjetiva das variantes, os resultados evidenciaram que a variante padrão constitui um estereótipo linguístico positivo, enquanto as variantes não padrão cortadora e copiadora são estereotipadas negativamente pelo revisor/jornalista.

 

Jupira Maria Ribeiro de Paula

Título:Erotismo e transcendência nos "Quatro sonetos de meditação", de Vinicius de Moraes

Orientador: Adauri Silva Bastos Páginas:132



Este trabalho se dedica à análise dos “Quatro sonetos de meditação”, de Vinicius de Moraes. Para desenvolver a pesquisa, escolhemos como ponto de partida os pensamentos de Georges Bataille, Herbert Marcuse e Octavio Paz acerca de um erotismo poético e/ou uma poética erótica. Tendocomo fundamentação teórica os estudos do gênero poético em questão, buscamos o desenvolvimento de uma abordagem que privilegiasse a reflexão acerca da adoção e consequente transgressão das formas fixas do soneto por parte do poeta moderno. Nesse campo, as investigações inauguradas por Cruz Filho, Agostinho de Campos e Olavo Bilac foram uma base valiosa. No que diz respeito à lírica moderna, recorremos principalmente a escritos dos críticos Hugo Friedrich e Alfonso Berardinelli. Assim, pudemos esmiuçar os sonetos sobretudo no que tange a seus processos de elaboração estrutural, que se mostram alheios à descontinuidade humana e irmanados às pulsões destrutivo­criativas da lírica de seu tempo. A escolha do ​ corpus ​ se pautou pela felicidade com que o poeta carioca entrelaça temas transcendentais –como a morte, o amor carnal, o eterno feminino e a natureza telúrica –a um cuidadoso trabalho formal.

 

Laís Naufel Fayer Vaz

Título:Tão secreta como o tecido da água: um estudo sobre Glória de Sant'Anna

Orientadora: Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco Páginas:113



Glória de Sant’Anna, cidadã portuguesa, encontrou em Moçambique a inspiração para sua poesia, que ainda é pouco estudada. A poética da autora é composta por temáticas que ultrapassam os limites espaciais e encurtam as distâncias que separam os seres. Em poemas que buscam no silêncio sua melhor expressão, a imagem do mar surge como um encontro entre o eu lírico e a natureza. Ler a obra de Glória de Sant’Anna é fazer um mergulho profundo no íntimo da poesia e, ao voltar à superfície, sentir-se tocado por suas palavras e silêncios, já que o mar nada mais é do que metáfora do humano, na poética da autora. Este trabalho busca pensar a obra de Glória a partir dos símbolos que a compõem, como o exílio, o sentimento de desterritorialização, a metalinguagem e, sobretudo, cada poema, a partir da ideia de “prazer do texto”, conforme Roland Barthes. Além desse teórico, serão consultados Octavio Paz, Gaston Bachelard, Michel Collot. Também serão citados, além de outros autores, alguns textos de opinião do escritor Mia Couto, na medida em que estes efetuam importantes reflexões sobre a cultura e a sociedade moçambicanas.

 

Lais Peres Rodrigues

Título:Euclides da Cunha: poeta do entrelugar

Orientadora: Anélia Montechiari Pietrani Páginas:117



Euclides da Cunha: poeta do entrelugar parte do princípio de que, apesar da popularidade conferida a esse autor fluminense, em virtude da publicação d'Os sertões e de sua morte trágica, seus poemas continuam praticamente desconhecidos. Este estudo tem como meta principal a leitura analítica e crítica dos poemas de Euclides da Cunha, com o propósito de identificá-lo como um conciliador de contrários, que, muitas vezes, busca uma espécie de equilíbrio entre partes opostas, tomando como suporte teórico o estudo de Ronaldes de Melo e Souza, intitulado A geopoética de Euclides da Cunha. O presente trabalho defende o valor que o próprio poeta fornecia a sua produção, ao publicar diversos poemas de sua autoria em veículos de grande circulação da época, e discute que a grande quantidade de temas euclidianos é causa de um diálogo rico ligado a diversas vertentes poéticas ao redor do mundo, como a byroniana, hugoana e baudelairiana, por exemplo.

 

Letícia Fionda Campos

Título:Operadores argumentativos: uma marca de subjetividade em textos midiáticos

Orientadora: Lúcia Helena Martins Gouvêa Páginas:172



Esta pesquisa tem por objetivo estudar o tema “modalização” por intermédio dos operadores argumentativos restritivos e concessivos nos gêneros textuais “notícia” e “reportagem”. Serão investigadas as motivações semântico-discursivas para o seu uso e os contextos morfossintáticos em que ocorrem, utilizando textos publicados no jornal “O Globo” e no jornal “Extra”, em março de 2009. Considerando tais operadores como modalizadores, este trabalho analisará o seu emprego no que concerne à estratégia semânticodiscursiva (manutenção, antecipação e suspense) que é utilizada com cada tipo de operador e o contexto morfossintático no qual ele está inserido. Para tanto, esta dissertação contará, principalmente, com duas linhas teóricas que nortearão a análise: a Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau, e a Semântica Argumentativa, de Oswald Ducrot, esta em sua primeira e segunda fases. Como fundamentação teórica, serão utilizados os seguintes conceitos: Contrato de comunicação, Modos de organização do discurso e Modalização (Patrick Charaudeau, 1992, 2008); Operadores argumentativos e Polifonia (Oswald Ducrot, 1976, 1987), além de Estratégias Argumentativas, trabalho elaborado por Eduardo Guimarães (1987) a partir da teoria de Oswald Ducrot. No que diz respeito ao método de análise, serão utilizadas as abordagens qualitativa – na medida em que se identificam os diferentes empregos dos operadores referidos – e quantitativa – na medida em que se trabalha com o percentual de ocorrências dos operadores.

 

Luma da Silva Miranda

Título:Análise da entoação do português do Brasil segundo o modelo IPO

Orientadora: João Antônio de Moraes Páginas:161



O presente trabalho consiste em um estudo fonético-experimental da entoação do português do Brasil que utiliza o método de ressíntese e estilização da curva de F0 em uma abordagem perceptiva baseada no modelo IPO. O objetivo desta pesquisa é descrever um grupo de contornos melódicos em termos de movimentos melódicos relevantes perceptivamente que se combinam para formar os padrões melódicos estilizados. Para proceder à realização deste trabalho, foi selecionado um corpus de 8 contornos melódicos do PB, a saber: asserção, questão total, ordem, desafio, pedido, sugestão, questão parcial e exclamação, e gravado por 4 informantes do Rio de Janeiro. O programa PRAAT foi utilizado para estilizar as curvas de F0 em duas fases: na primeira, as curvas melódicas dos contornos foram simplificadas em termos de linhas retas com o menor número de pontos de inflexão; na segunda, mudanças graduais foram adicionadas aos contornos para testar hipóteses sobre seu reconhecimento perceptivo com o objetivo de propor uma estandardização de cada contorno melódico analisado. Testes de percepção foram aplicados para validar os contornos melódicos estilizados em relação a sua igualdade e aceitabilidade perceptiva. Constatou-se que os contornos melódicos do PB com a curva melódica simplificada são avaliados pelos ouvintes como idênticos aos originais e que algumas modificações produzidas no processo de estandardização são responsáveis pela identificação do valor funcional dos contornos. Finalmente, a descrição dos contornos melódicos através da abordagem IPO proporciona uma classificação detalhada do componente fonético da entoação que identifica os movimentos melódicos relevantes perceptualmente ligados ao seu valor funcional.

 

Maria Coelho Araripe de Paula Gomes

Título: Sobre carregar água na peneira ou o protagonismo da infância em Guimarães Rosa

Orientadora: Rosa Maria de Carvalho Gens Páginas:104



O interesse em pesquisar a questão do protagonismo da infância como veiculador de discursos a priori “não infantis” parte de indagações teóricas acerca das especificidades expressivas da Literatura infantil e juvenil, especialmente a presença da protagonista criança. Levantando hipóteses sobre a sua necessidade em obras voltadas para jovens leitores, chegou-se a um desdobramento deste foco: que sentidos são gerados quando um autor faz da criança porta-voz de sua mundividência? Em se tratando de uma obra de tamanha complexidade, e não sendo especificamente direcionada ao público jovem, salta aos olhos a importância das personagens crianças nas narrativas rosianas. Sejam elas centrais ou figuras passantes, a obra de Rosa está impregnada de infância. E do questionamento inicial chegamos à pergunta central desta dissertação: que sentidos adquire a infância na literatura de Guimarães Rosa? Partindo da ideia da infância que extrapola a mera representação nesta ou naquela personagem, mas interpretando-a como símbolo, o que se propõe é, através de um estudo de análise comparativa, traçar o percurso existencial desta infância protagonista, defendendo-a como potência vital para que o homem se coloque em estado de viagem. Entende-se que é através das crianças de Rosa, principalmente, que se instaura o olhar inaugural sobre as coisas; o olhar marginal que se torna central na elaboração da experiência humana, refundada pela imaginação. Assim, tendo como corpus Campo Geral (1956) e Primeiras estórias (1962), o trabalho visa explorar as potencialidades das protagonistas infantis de Guimarães Rosa, naquilo que elas apresentam de convergências e especificidades, tendo em Miguilim o símbolo da infância rosiana, cuja potência reinventiva reverbera de diferentes maneiras nos demais meninos e meninas de Primeiras estórias, apontando de todo modo, a presença protagonista do olhar da infância sobre o mundo, revelador da condição movente do homem.

 

Mariana Emygdio de Negreiros

Título:Morte e vida como personagem-recurso na obra de Clarice Lispector

Orientadora: Anélia Montechiari Pietrani Páginas:124



A leitura de textos escritos por Clarice Lispector revela a presença de imagens de vida e de morte. Tal presença não deve ser entendida como insistência ou coincidência. A extensa fortuna crítica existente sobre a autora pouco se dedica a essas imagens e ao porquê de figurarem ali, ainda que não tenham passado despercebidas pelos estudiosos. Em Clarice, essas imagens extrapolam o plano da obviedade, do fatalismo. Isso quer dizer que, ao utilizá-las, a autora não se detém à morte como sinônimo de fim de toda vida ou à vida que invariavelmente conduz à morte. A presente dissertação vale-se da importância que tais imagens têm, principalmente pelo fato de serem convocadas a participarem dos textos nos quais estão e por agirem sobre o desencadeamento dos próprios textos e sobre as personagens. Interpretamo-las, por tais aspectos, como personagem-recurso na obra clariciana. Abordamos contextos nos quais essas imagens eclodem com mais potência, sendo eles: a presença da água, a experiência da náusea e o estar-se diante de elementos do desconforto, como a gruta, a caverna, o grotesco e o estranho. Buscamos no texto clariciano, ainda, os elementos trágicos em dois planos: o da tradição grega como gênero literário e o da catástrofe. Para este trabalho, foram utilizados livros de Clarice Lispector como A paixão segundo G.H., O lustre, A hora da estrela, dentre outros. A base teórica é formada por nomes como Platão, Sigmund Freud, Gaston Bachelard, Edgar Morin e por estudiosos de Clarice Lispector, dentre os quais destacam-se: Benedito Nunes, Evando Nascimento, Lucia Helena, Nádia Batella Gotlib, Olga de Sá e Vilma Arêas. Contemplamos também textos literários, como A náusea, de Jean-Paul Sartre, e Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello.

 

Priscila da Silva Campos

Título:O exílio em A confissão da leoa

Orientadora: Maria Teresa Salgado Guimaraes da Silva Páginas:162



O trabalho dedica-se analisar a condição do exílio, a partir da leitura de: A confissão da leoa (2012), do escritor moçambicano Mia Couto. Abordar esse tema, como uma das grandes questões da atualidade, é pensar a própria circunstância do homem no mundo. Diante das situações subumanas, geradas por regimes totalitários, pela violência, pela guerra, pelo choque entre culturas, o sujeito é obrigado a migrar de um lugar a outro e vivenciar a sensação de desenraizamento. Entretanto, o exílio não se limita apenas pelo viés geográfico imposto ou voluntário; acrescenta-se, também, o sentido existencial, isto é, ruptura ocorrida interiormente no sujeito, em decorrência do trauma, resultando a sensação de estar “fora do lugar”. Essa experiência constitui o problema de muitos indivíduos contemporâneos que, dentro de seu próprio país/ lar, sofrem a ausência e o isolamento. No intuito de discutir as conseqüências do exílio no romance de Mia Couto, o estudo propõe o diálogo com reflexões de Edward Said, que aponta os diversos aspectos do exílio, definindo-o como uma “fratura incurável”; de Todorov, que destaca o desdobramento do totalitarismo; e também de Camus, que, em sua produção literária, mostra a incomunicabilidade entre os indivíduos. Nota-se, nestes pensadores e em tantos outros, a presença do desconforto e do vazio no homem. Dessa forma, nossa pesquisa pretende investigar a experiência do exílio nos personagens do romance citado, observando o processo da memória, ao retrabalhar as lembranças dos protagonistas, e do discurso, ao possibilitar a emergência e elaboração de questões conflitantes.

 

Rafael da Silva Mendes

Título: Em memória do esquecimento: ambivalência e imaginação na obra de Dante Milano

Orientador: Sérgio Fuzeira Martagão Gesteira Páginas:151



A obra poética do carioca Dante Milano (1899-1991) é ainda pouco lembrada nos meios literários e pouquíssimo explorada no meio acadêmico, o que vai de encontro à sua relevância enquanto expressão artística singularíssima. “Nada, nos seus versos, se assemelha profundamente ao que foi escrito entre nós nestes vinte e trinta anos. E nada os aproxima das formas e das receitas cuja sobrevivência justificou a revolução modernista.”, diria Sérgio Buarque de Holanda em 1949, um ano após o lançamento de Poesias, único livro publicado por Milano. A partir da lição de ambivalência do filósofo Gaston Bachelard sobre a imaginação material e dinâmica, desdobramos uma série de tensões harmônicas na obra do poeta – ascese e catábase, lirismo e antilirismo, tradição e modernidade, lírica tradicional e lírica moderna, forma e conteúdo, pensamento e emoção, classicismo e romantismo, sonho e realidade – que, conjugadas, dão-nos a chave de sua singularidade, segundo cremos. Assim, chega-se à tensão fundamental desta poética: a dinâmica entre o eterno e o transitório, que assume feição específica no duelo harmônico entre a memória e o esquecimento.

 

Rodrigo Lopes da Fonte Ferreira

Título: Autofagia do fictício: desdobramento do narrador e do narratário pelo controle do imaginário em Mastigando humanos, de Santiago Nazarian

Orientador: Adauri Silva Bastos Páginas:120



Ao abordar o choque dos três organismos da performance narrativa (autor, texto e leitor), a partir do desdobramento das figuras do narrador e do narratário em, respectivamente, personagem principal e emulação de leitor externo hipotético, o romance Mastigando humanos se configura como metaficção, propício a intervenções tanto externas quanto internas. Narrador e personagem, narratário e leitor externo hipotético são reflexos da coexistência de dois mundos que se aproximam e se repelem. A partir de tais premissas, a presente dissertação se apoia na Estética da Recepção e na ideia de controle do imaginário desenvolvida por Luiz Costa Lima para investigar as contingências do real e do ficcional em ocorrência paralela no universo criado pelo narrador e pelo narratário do romance de Santiago Nazarian. Entre nossos objetivos, destaca-se o exame das estratégias discursivas e do processo de identificação entre o narratário e os demais elementos narrativos, assim como das razões que estimulam, na esfera do fictício, narrador e narratário a se desdobrarem e trocarem de posição em prol da criação de um efeito.

 

Rogério Rocha Athayde

Título: Quantos rabos tem a sereia? Uma proposta de leitura para "O outro pé da sereia", de Mia Couto

Orientadora: Maria Teresa Salgado Guimarães da Silva Páginas:182



A análise que esta dissertação se atreve a fazer parte da leitura do papel exercido pelo personagem Mwadia. Mia Couto esclarece que seu nome quer dizer canoa em língua sinhungwé. E assim ela é o transporte entre mundos distantes: o mundano e o sagrado, o presente e o passado, o moderno e o tradicional. Mwadia é quem conduz a imagem da santa, feita sereia; é quem entra em transe para encontrar os ancestrais, é quem se torna o fluido contato para os vivos e os mortos. No trabalho que ora se apresenta, há de se procurar mostrar como a água é mais que um elemento secundário de “O outro pé da sereia”, mais que simples ambiente e cenário em que são encenados os dramas da narrativa; mas é talvez o personagem central da trama, capaz de trazer consigo tanto os temas necessários para o pensamento sobre a nação moçambicana quanto sobre a difícil tarefa de existirmos como humanos.

 

Victor Andrade da Silva Rosa

Título: Religações: a dicção moderna de Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner Andersen e Vinicius de Moraes

Orientador: Eucanaã Ferraz Páginas:117



Este trabalho se propõe estudar e compreender a dicção moderna de Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner Andresen e Vinicius de Moraes. Para tal objetivo, iniciou-se esta reflexão com a teoria proposta por Hugo Friedrich em sua obra Estrutura da lírica moderna, a partir da qual o teórico descreve e estabelece conceitos, apontando para uma unidade formada por artistas do final do século XIX e início do século XX. Contudo, suas generalizações, em alguma medida, deixam de lado outras possibilidades e dicções poéticas. Diante disso, ao serem considerados os três poetas estudados, verifica-se que não pertencem a essa unidade prototípica descrita pelo alemão. Nesse ponto, a pesquisa se harmoniza com o discurso de Alfonso Berardinelli que, em sua obra Da poesia à prosa, sugere lacunas deixadas por Friedrich a serem preenchidas. Assim, buscou-se mostrar que as obras de Vinicius de Moraes, Cecilia Meireles e Sophia de Mello Breyner Andresen residem justamente nessas lacunas. A partir dessa coincidência e com base nesses teóricos, é estabelecida uma comparação entre os poetas. Assim, acredita-se identificar com maior clareza as características modernas não prototípicas do trio de autores selecionados.

 

Victor Augusto Corrêa Azevedo

Título: Nos escombros da memória: reconstrução de identidades em Teoria geral do esquecimento, de Agualusa

Orientadora: Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco Páginas:136



No pós-independência, Angola viu algumas de suas utopias transformadas, em grande parte, em distopias, em razão do esvaziamento do projeto político e da incapacidade de articulação entre tradição e modernidade, num panorama de aporismo e de paroxismo descrente. Hannah Arendt (2013) afirmava que só podemos transformar em experiência o sofrimento vivido na própria existência se lhe dermos publicidade, o que é fundamental para garantir a preservação da tradição e da própria vida. A “escrita de si” e o “testemunho” adquiriram uma dimensão pública necessária para o estabelecimento das relações sociais. E é na literatura, instrumento de afirmação da nacionalidade, que a experiência servirá de aparato arqueológico do memorialismo para mergulhar num universo de histórias balizadas por um código que legitima tanto uma sociedade atomizada como a decorrente desintegração humana. Considerando as circunstâncias de um mundo que fez por implodir as balizas que davam plausibilidade e ressonância crítica à noção de Estado-nação, o presente trabalho busca identificar, por meio da análise do romance Teoria geral do esquecimento, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, publicado no Brasil em 2012, os índices que auxiliarão no deciframento do que seriam os “escombros da memória”, expressão inspirada na noção de “escombro”, formulada por Homi K. Bhabha (2002). O que também se pretende é uma leitura das questões identitárias apresentadas no romance, contemporaneamente, e que parecem escapar do escopo memorialístico, em termos pelos quais a noção de angolanidade precisaria ser reformulada.

 

Wellington Alves Toledo

Título:Mensagem: a vitalidade um discurso envelhecido

Orientadora: Gumercinda Nascimento Gonda Páginas:135



Nosso trabalho se propõe a reconhecer na Mensagem uma formulação do discurso épico a partir de um caráter formal e de uma postura ideológica própria da modernidade literária. Assim, ao depreendermos que Fernando Pessoa parte de um passado histórico vazio, mas ainda instaurado na consciência cultural da nação portuguesa, buscamos elucidar que é justamente nessa nova proposta discursiva que reside a vitalidade de sua poética. Obra sui generis dentro do cenário literário ocidental, o poema é o único livro devidamente editado e publicado pelo poeta português e, embora seja sobejamente estudada pela crítica e leitores, tanto lusófonos quanto de outras línguas, a épica pessoana apresenta uma problemática muito drástica em sua construção formal se comparada com as teorias aristotélicas e supraaristotélicas dos estudos épicos, pois, mesmo que o poeta português tenha partido de uma matéria épica caríssima na literatura portuguesa, a ascensão do Império Ultramarino, o livro inverte o seu relato, equacionando-se a partir dos mitos representativos, segundo a seleção pessoal do próprio poeta, promovendo um (re)encontro transcendental com a hegemonia imperialista através da figura mítica de D. Sebastião, suscitando um alavancamento histórico-futuro da nação em um plano que ultrapassa o espaço e o tempo. A escolha do corpus se pauta pela grande possibilidade de contrastes observáveis entre o livro de Fernando Pessoa e os postulados levantados por autores que centraram nas epopeias homéricas os moldes estilísticos e formais da construção épica, levando um não reconhecimento da épica moderna na épica clássica e vice versa. Porém, pautando-nos nas considerações estéticas de Hegel, que embora também não reconheça a realização do fenômeno épico na modernidade, mas que considera que a epicidade na escrita atual se encontra no universo particular da própria obra, como objeto de análise, concentraremos nossos estudos a partir dos caracteres intrínsecos e singulares que constituem a epopeia pessoana, vislumbrando nela uma construção que deambula pelo épico, pelo lírico, pelo dramático, em suma, pelo que a obra em si dialoga com a escrita moderna.

 

 

 

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

Vice-coordenadora: Prof. Dra. Maria Eugênia Lammoglia 

Secretário: Maria Goretti Mello
posvernaculas@gmail.com

Atendimento

Além de atender por e-mail, a Secretaria do PPGLEV oferece atendimento telefônico e presencial de segunda a quinta-feira, das 12h às 16h, na sala F-319.

Endereço

Programa de Pós-Graduação em Letras  (Letras Vernáculas)
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