Discente: Mariana Fortes Maia

Título da dissertação: Vaga revelação das sensações secretas”: Gilka Machado e a poética das flores

Orientador(a): Anélia Montechiari Pietrani

Ano da defesa: 2020

Páginas: 89

Resumo:

Gilka Machado foi uma poeta carioca nascida no fim do século XIX e cujo primeiro livro, Cristais Partidos, vem a público em 1915. Considerada por muitos a precursora da poesia erótica de autoria feminina no Brasil, sua obra está impregnada por uma verdadeira paisagem sensorial: a visão não enxerga necessariamente mais do que o olfato, que também pode tocar mais do que o tato. A recorrência das imagens florais, essencialmente vegetais – já ilustrada no título de poemas como “Rosas”, “Sândalo”, “Violetas”, “Sempre-viva” –, em meio a um turbilhão de sensações corporais nos conduz a uma reflexão acerca de seus desdobramentos poéticos. Gilka não foi a única mulher de sua época a insistir nestas imagens outrora tão desgastadas pelo ideário romântico. Entretanto, a sua capacidade de metaforizar a condição de ser mulher acrescenta nuances às flores que dificilmente seriam atingidas por mera circunstância. Se são naturais, delicadas e perfumadas, também embriagam, podem nascer em brejos e, certamente, morrem – as flores são um caminho para o genuíno retorno a si. Este trabalho pretende pensar no jardim cultivado por Gilka Machado enquanto uma de suas mais potentes imagens poéticas, metonímia de uma organicidade que não se pretende transcendental, mas reveladora. Para tanto, debruçar-nos-emos sobre A Revelação dos Perfumes (1916), sua poética dos cheiros. Em seguida, passearemos pelos seus primeiros poemas com motivos florais, de Cristais Partidos (1915). Por fim, encerraremos nossa incursão com uma leitura de “Demônio branco”, parte de Sublimação (1938).

Palavras-chave: Gilka Machado; poética dos aromas; flor; perfume.

Abstract

Gilka Machado was a carioca poet born at the end of the 19th century and whose first book, Cristais Partidos, was made public in 1915. Considered by many to be the precursor of erotic poetry of female authorship in Brazil, her work is impregnated by a truly sensorial landscape: the vision does not necessarily see more than the smell, which can also touch more than the touch itself. The recurrence of floral images, essentially vegetal – already illustrated in the title of poems such as “Rosas”, “Sândalo”, “Violetas” and “Sempre-viva” –, amid a whirlwind of bodily sensations, leads us to a reflection about its poetic developments. Gilka was not the only woman of her time insisting on these images, once worn out by romantic ideas. However, her ability to metaphorize the condition of being a woman adds shades to the flowers that would hardly be reached by mere circumstances. If they are natural, delicate and fragrant, they also get drunk, can be born in swamps and, certainly, they die – the flowers are a path to the genuine return to yourself. This work intends to think about the garden cultivated by Gilka Machado, throughout her production, as one of her most potent poetic images, metonymy of an organism that is not intended to be transcendental, but truly revealing. To do so, we will focus on A Revelação dos Perfumes (1916), her own poetry of smells. Then, we will walk through her first poems with floral motifs, in Cristais Partidos (1915). Finally, we will end our incursion with a reading of “Demônio branco”, part of Sublimação (1938).

Keywords:Gilka Machado; poetics of smell; flower; perfume.

Coordenação (es)

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira 

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