Discente: Julia Goulart Silva

Título da dissertação: A poesia do demasiado humano na obra Hábito da terra de Ruy Duarte de Carvalho

Orientador(a): Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco

Ano da defesa: 2020

Páginas: 117

Resumo:

O presente texto debruça-se sobre a poesia do escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho na obra Hábito da terra (1988). Esta análise busca repensar os três feixes que perpassam a escrita poética do autor, isto é, a relação com a Antropologia, com as paisagens e com a poesia. O vínculo com a Antropologia surge da profissão do antropólogo, mas vai além do olhar científico dessa ciência. Os estudos etnográficos das sociedades do Sudoeste de Angola são a razão de ser da sua poesia. Nesse sentido, os seus poemas recriam os provérbios e a cultura das etnicidades que habitam esses espaços poetizados. Em relação às paisagens e aos espaços, há poemas, em que a voz poética se comunga com as paisagens, o que é analisado com o apoio teórico da obra A poética do espaço (1958) de Gaston Bachelard e do texto de Michel Collot ―Do horizonte das paisagens ao horizonte dos poetas‖. Além da simbiose do eu-poético com espaço, é preciso ressaltar a influência dos deslocamentos físicos, condição inerente ao ofício do antropólogo, na escrita, gesto que parte de paisagens físicas, fazendo surgir paisagens literárias. A poesia, portanto, é também um traço da escrita de Ruy Duarte de Carvalho. O poeta questiona-se sobre a relação da linguagem com o mundo que essa representa, isto é, ele repensa as maneiras de entrada no real. Ideias que são pensadas a partir do texto O arco e a lira (1956), de Octavio Paz e de Esse ofício do verso (2000), de Jorge Luis Borges. Os três feixes da escrita poética de Ruy Duarte de Carvalho, então, são entendidos de maneira única na elaboração da poesia do demasiado humano. Conceito que é retirado da obra de Nietzsche Humano, demasiado humano (1878). A poesia é uma forma de entrada no real que busca apreender, com o exercício de uma grafia lírica, o demasiado humano, perpassando e ultrapassando a Antropologia e as paisagens.

Palavras-chave: Ruy Duarte de Carvalho, demasiado humano, poesia angolana.

Abstract

The present text is about the poetry of the angolan writer Ruy Duarte de Carvalho found in the book Hábito da terra (1988). This analysis seeks to rethink the three beams that permeate the author's poetic writing;which means the relation with anthropology, landscapes and poetry. The link with anthropology arises from the anthropologist's profession, but it goes beyond the scientific gaze of this science. Ethnographic studies of the societies of southwest Angola are the meaning of his poetry. In this sense, his poems recreates the proverbs and the culture of the ethnicities that inhabit these poetized spaces. Regarding landscapes and spaces, there are poems that the poetic voice merges with the space, which is analyzed with the theoretical support of Gaston Bachelard's A poética do espaço (1958) and Michel Collot's text ―Do horizonte das paisagensaohorizonte dos poetas‖. Besides the symbiosis of the poetic voice with the space, it is necessary to emphasize the influence of physical displacements, a condition inherent to the anthropologist's craft, in writing, a gesture that starts from physical landscapes, giving rise to literary landscapes. Poetry, therefore, is also a feature of Ruy Duarte de Carvalho's writing. The poet wonders about the relation of language to the world it represents, which means that he rethinks the ways of entering the real. Ideas that are thought with the help of the book O arco e a lira (1956) by Octavio Paz andEsseofício do verso(2000) by Jorge Luis Borges. The three beams of Ruy Duarte de Carvalho's poetic writing, then, are uniquely understood in the elaboration of the poetry of the all too human. Concept that is taken from the work of Nietzsche Humano, demasiadohumano (1878). Poetry is a way of entering the real that seeks to apprehend, with the exercise of calligraphy, the all too human, passing through Anthropology and the landscapes.

Keywords: Ruy Duarte de Carvalho, all too human, angolan poetry.

Coordenação (en)

Coordenadora: Profa. Dra. Maria Eugenia Lammoglia

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Eliete Figueira Batista da Silveira 

Secretário: Renato Martins e Silva
posvernaculas@letras.ufrj.br

Atendimento (en)

Além de atender por e-mail, a Secretaria do PPGLEV oferece atendimento telefônico e presencial de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, na sala F-319.

Endereço (en)

Programa de Pós-Graduação em Letras  (Letras Vernáculas)
Faculdade de Letras da UFRJ
Av. Horácio de Macedo, 2151
Sala F-319
Cidade Universitária — CEP 21941-917
Rio de Janeiro — RJ