Útlima atualização 23/11/2017

 

Nesse ano foram defendias 15 Teses.

Alita Tortello Caiuby

Título:Como se livrar do trauma da existência: o vazio, a morte e o limbo na trilogia de Evandro Affonso Ferreira

Orientador:Godofredo de Oliveira Neto Páginas: 192



Este trabalho analisa três dilemas humanos fundamentais – o vazio, a morte e o limbo – em três livros do autor mineiro Evandro Affonso Ferreira. A “Trilogia do desespero”, como ficou conhecida, compreende as seguintes obras: Minha mãe se matou sem dizer adeus, O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam e Os piores dias de minha vida foram todos. A intenção é comprovar como as noções de vazio e morte culminam em um estado límbico na trilogia, o qual será principal gerador de um texto concomitantemente compulsivo e estagnado. Os narradores, em primeira pessoa, estão sempre à beira de um colapso, seja pela morte ou pela loucura. Nesse processo, enquanto esperam pelo momento derradeiro, as vozes refletem sobre suas vidas e sobre as experiências alheias e pessoais, trazem à superfície questões humanas mais íntimas, olhando-as sempre com um viés pessimista, que resgata em muitos aspectos a filosofia de Arthur Schopenhauer. A proposta da tese é perceber como essas noções de vazio, morte e sobretudo limbo aparecem no texto de Evandro Affonso Ferreira. A partir das narrativas são estabelecidos diálogos com outras obras literárias e filosóficas, em um processo de bricolagem semelhante ao usado pelos narradores das obras analisadas. Além dos conceitos schopenhauerianos e das obras literárias, transita-se pelo pensamento de Jacques Derrida, Maurice Blanchot, Charles Baudelaire, Walter Benjamin, Sigmund Freud, Platão, Jean-Luc Nancy, Michel Foucault, entre outros.

 

Amanda Heiderich Marchon

Título:As teias da argumentação: um estudo sintático-discursivo da hipotaxe circunstancial.

Orientadora: Maria Aparecida Lino Pauliukonis Páginas: 168



Esta tese investiga a impossibilidade de se empreender uma análise linguística que dissocie os níveis sintático, semântico e pragmático. Mais especificamente, nessa perspectiva, discutiremos como as cláusulas se articulam, no português brasileiro em uso, baseando-nos em um dos aspectos que contribuem para a organização argumentativa do discurso, a hipotaxe circunstancial. Objetivando uma análise que amplie a visão da tradição gramatical e que ultrapasse o nível sentencial, propomos um estudo de interface entre os postulados teóricos da Análise do Discurso de linha francesa e do Funcionalismo, especificamente no que se refere à análise das cláusulas hipotáticas, priorizando tanto a semântica quanto a sintaxe. Nesse sentido, consideraremos não só o nível microtextual, pautado nas cláusulas e nos conectores que as introduzem, mas também o nível macrotextual, que representa o imaginário social sobre temas polêmicos, bem como os posicionamentos escolhidos pelo enunciador frente a esse questionamento sobre o mundo. Debruçar-nos-emos, portanto, sobre os efeitos de sentido que as estruturas hipotáticas mantêm com as porções de discurso em que estão inseridas, compreendidas, neste trabalho, como fios da teia argumentativa empreendida pelo enunciador para envolver o interlocutor. Partindo da hipótese de que as estruturas hipotáticas revelam um matiz argumentativo, constituíram como corpus de análise desta pesquisa vinte e quatro (24) artigos de opinião publicados, aos sábados, pelo jornal Folha de São Paulo, na coluna Tendências e Debates, ao longo do ano de 2014, dos quais provêm cento e oitenta e cinco (185) cláusulas hipotáticas circunstanciais. Dentre essas estruturas, destacam-se as cláusulas que expressam as relações de finalidade, modo, tempo, condição e concessão.

 

Aline Ponciano dos Santos Silvestre

Título:“Se eu pudesse e se o meu dinheiro desse...”: Desgarramento e Prosódia no Português Brasileiro e no Português Europeu

Orientadora: Doutora Violeta Virginia Rodrigues Páginas: 201



Nesta tese, estuda-se o comportamento prosódico de orações adverbiais desgarradas no Português Brasileiro (PB) e no Português Europeu (PE). O desgarramento é um termo cunhado pela sintaxe funcionalista que postula o fato de algumas orações, chamadas de “subordinadas” pela tradição gramatical, poderem existir sozinhas, sem a oração núcleo. A fim de conhecer as pistas prosódicas que permitem o entendimento de tais orações, têm-se como base o arcabouço teórico da Fonologia Prosódica, a qual postula a existência de constituintes hierarquicamente organizados que revelam a relação entre a Fonologia e outras áreas da gramática. O corpus de análise é composto de orações adverbais anexadas à oração núcleo e de orações adverbias desgarradas totais, lexicalmente idênticas paraque fosse possível a comparação dos parâmetros prosódicos. Foram analisados 1800 dados (900 de cada variedade do português) e feitas aferições de três pistas prosódicas: contorno melódico, duração e gama de variação de F0 no fim do sintagma entoacional (IP). Os resultados revelam que o desgarramento na língua falada é licenciado primordialmente, tanto em PB quanto em PE, pela maior duração nas sílabas finais do IP das orações desgarradas totais, gerando alongamento que concede peso à estrutura e permite o entendimento da oração adverbial sozinha como uma informação completa. Para o PB, além da variação fonética dada pelo comportamento duracional das últimas sílabas do IP, o desgarramento é caracterizado por um padrão melódico diferente do verificado nas orações adverbiais anexadas à oração núcleo (majoritariamente, L+H*L% para as não desgarradas e L+H*H% para as desgarradas), o que sugere o fato de o fenômeno constituir um padrão fonológico diverso no português brasileiro.

 

Aline Pupato Couto Costa

Título:“Voz, memória e silêncio: Llansol e a escrita do tempo jubiloso”

Orientador: Jorge Fernandes da Silveira Páginas: 182



“Nada foi, tudo está sendo”, assim nos fala Maria Gabriela Llansol em Finita. É por essa perspectiva do continuum, da sua textualidade que é “força de pujança”, e do registro da imagem como “cena fulgor” trazida em fragmentos que esse trabalho busca identificar a presença da voz, da memória e do silêncio na escrita de Maria Gabriela Llansol, assim como os mecanismos pelos quais estes elementos se articulam com vista à expressão no corpus textual de um tempo jubiloso. A pesquisa que aqui se projeta traz como foco central os livros Um beijo dado mais tarde, Parasceve, Amar um cão e Amigo e amiga – curso de silêncio de 2004, além da investigação no espólio em Sintra. Se a ideia da voz, da memória e do silêncio muitas vezes vem acompanhada de uma negatividade, de uma melancolia e de um certo niilismo, em Maria Gabriela Llansol não há angústia, pois “nada foi, tudo está sendo”. O que seria um fim, é apenas transformação; metamorfose dada pela decepação da memória, aquela que, sem excluir o já passado, conjuga com o novo uma nova simetria pelos efeitos da dobra que vem em silêncio, no elo afetuoso entre uma palavra e outra. Acredita-se, portanto, que a ideia do tempo jubiloso esteja compreendida como resultado de um projeto de escrita cujo processo de elaboração tenha origem na articulação da voz, da memória e do silêncio.

 

Érica Nascimento Silva

Título:Formas imperativas de segunda pessoa no português brasileiro

Orientadora: Célia Regina dos Santos Lopes Páginas: 159



O presente trabalho tem por objetivo fazer um estudo sociolinguístico acerca do imperativo associado ao subjuntivo (você) e indicativo (tu) – nos termos de Scherre (1998) – no português brasileiro em cartas pessoais. Pretendemos, dessa forma, traçar diacronicamente o comportamento dos pronomes de 2ª pessoa no modo imperativo considerando trabalhos que tratam da inserção de você no português brasileiro. E virtude da entrada de você, como atestam vários trabalhos – Souza (2012), Duarte (1993, 1995), Lopes (2008) –, o quadro pronominal sofreu algumas mudanças, visto que essa forma passou a ocorrer em contextos antes destinados a tu. Nesse sentido, a nossa hipótese é de que o modo imperativo subjuntivo e indicativo ao longo dos séculos XIX e XX acompanhou a evolução histórica do quadro pronominal do PB com a entrada de você. Para tanto, consideraremos a teoria da Sociolinguística Variacionista Laboviana (LABOV, 1994) como um aporte teórico para apontar os fatores linguísticos e extralinguísticos que estariam influenciando no uso do imperativo de tu ou de você nas cartas. Além disso, verificaremos se fatores discursivos estariam atuando na escolha das formas variantes. Considerando, assim, que o modelo epistolar apresenta estruturas cristalizadas, usaremos os conceitos de Tradições Discursivas (KABATEK, 2006), a fim de testar a nossa hipótese de que elementos discursivos nesse gênero carta são importantes para o fenômeno analisado. Como ferramenta metodológica utilizaremos o programa estatístico Goldvarb X, com o objetivo de fazer uma análise quantitativa e, a partir disso, qualitativa, dos dados da amostra. Em função dessa análise quantitativa e qualitativa, usaremos, ainda, conceitos de type e token (BYBEE, 2010), para refinar a análise a partir da identificação da frequência dos itens verbais imperativos. Os resultados observados nessa tese mostram que o modo imperativo associado ao subjuntivo e indicativo está intrinsecamente relacionado à modificação do sistema pronominal provocado pela inserção de você e a questões discursivas referentes a construções formulaicas condicionadas pelo gênero textual carta.

 

Giselle Maria Sarti Leal

Título:Patemização e representações de gêneros na publicidade

Orientadora: Doutora Lúcia Helena Martins Gouvêa Páginas: 171



Esta pesquisa tem como proposta analisar textos publicitários de duas revistas impressas, voltadas para os públicos masculino e feminino – Men’s Health e Women’s Health, respectivamente. Pretende-se examinar o fenômeno linguístico-discursivo da patemização – processo por meio do qual a emoção pode ser estabelecida. A análise que se propõe está fundamentada, sobretudo, na Teoria Semiolinguística do Discurso, preconizada por Patrick Charaudeau, coadunada aos estudos em Argumentação, de Christian Plantin. Além desses dois teóricos, buscam-se referências nos campos da Psicologia das emoções, nos estudos sobre a Linguagem Publicitária e nos estudos acerca das identidades de gênero. No caso do gênero de discurso publicitário, observa-se que a dimensão patêmica do discurso se constitui como estratégia basilar da construção da sua estrutura argumentativa. Optou-se por observar como se dá o fenômeno discursivo da patemização em função do público-alvo dos anúncios publicitários, mais especificamente, os públicos masculino e feminino. Buscouse, portanto, verificar as ocorrências de índices patêmicos diretos, em uma análise quantitativa, bem como descrever o processo de patemização como um todo, em uma análise qualitativa, tendo em vista a sua relação com a representação das identidades masculina e feminina.

 

Isabel Bellezia dos Santos Mallet

Título:Dos Sinos que Dobram Pelos do Makukusu

Orientadora: Doutora Maria Teresa Salgado Páginas: 137



A intenção condutora deste trabalho caminha em favor da maturação de um processo reflexivo acerca das particularidades e especificidades que envolvem a sociedade angolana no momento em que acontecem as lutas pela libertação de Angola, tempo que, revestido de caos e angústias várias, apresenta-se como palco propício ao nascimento de uma produção ficcional não menos dilacerante e visceral. Com objetivo, portanto, de fazer desta uma contribuição de bases sólidas aos estudos das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, foi eleito como objeto de nossa apreciação o romance angolano, Nós os do Makulusu (1967), de José Luandino Vieira. O livro, escrito em apenas uma semana, enquanto seu autor encontrava-se preso no Tarrafal, revela a presença da angústia como chave mestra para a escolha de recursos estéticos sofisticados, guiados, sobretudo, pelo narrador-personagem, cujo descentramento evidente marca uma estética da angústia, que se pretende investigar ao longo desta pesquisa. Tal investigação busca, antes, enfatizar que a densidade temática e estética do texto em análise corrobora, pois, o diálogo com a memória, a história e a barbárie, em cuja crueldade repousa o impasse da representação: “como fazer a morte e a destruição significarem?”

 

João Carlos Tavares da Silva

Título: Esquemas de imagem na formação de denominais em português: o caso de -eiro e -ário

Orientador: Carlos Alexandre Gonçalves Páginas: 227



No intuito de descrever o nível esquemático das construções denominais, a presente tese tem por objetivo principal propor que a semântica dessas construções morfológicas é ancorada em esquemas de imagem de contiguidade (parte­todo, contenção, contato e adjacência). O aporte teórico que sustenta a tese é a junção do modelo construcional de Geert Booij (2005, 2007, 2010) à noção de rede conceitual prototipicamente estruturada de Peirsman & Geeraerts (2006). Tal rede é resultado da combinação de esquemas de imagens e domínios cognitivos. Defendo, neste trabalho, que essa rede conceitual estrutura não só processos referenciais (como mostram Peirsman & Geeraerts), mas também relações lexicais (meronímia e hiponímia) e processos de formação de palavras. As construções aqui selecionadas como foco de análise para corroborar a proposta são X­eiro(a) e a X­ário. Cabe frisar que essa nova abordagem pode ser estendida a outros sufixos denominais, como ­ada, ­al, ­agem e ­aria, não se limitando, pois, ao recorte aqui feito.

 

Marcia Andrade Morais Cabral

Título:Semiótica e Argumentação: análise das obras de literatura infantil

Orientadora: Regina Souza Gomes Páginas: 179



A argumentação é tema recorrente em pesquisas na área de texto e discurso, mas escassas são aquelas que se propõem a analisá-la em textos literários. Nosso trabalho tem, pois, por objetivo, investigar a argumentação em obras de literatura infantil de Sylvia Orthof, utilizando como fundamentação a teoria semiótica de linha francesa. Para tanto, são analisadas 17 obras da autora, cujo recorte compreenderá a produção da década de 80, tendo em vista que este foi o período mais profícuo de produção da autora, que morreu na década seguinte. Como escopo teórico, a teoria semiótica greimasiana permitirá verificar de que maneira o texto, materialização do discurso, diz o que diz, ou seja, como se constrói o sentido, não somente observando seu conteúdo, mas também a forma de dizer. Dessa maneira, a teoria considera níveis de abstração diferentes (GREIMAS; COURTÉS, 2008, p. 232), do mais profundo ao complexo e concreto, nível em que são observadas as estratégias argumentativas utilizadas. Essa base teórica nos auxiliará, então, a observar a argumentação na relação entre enunciador e enunciatário, tendo em vista o contrato estabelecido entre ambos e a confiança do enunciatário na imagem do enunciador, o que leva à adesão dos valores, ao mesmo tempo em que serão observados os recursos argumentativos escolhidos por esse enunciador, que reforçam essa imagem e instauram a crença no discurso. Assim, busca-se comprovar a hipótese de que o uso de estratégias argumentativas diversas cria a imagem de um autor em Orthof irreverente e lúdico e, dessa forma, contribui para uma aproximação entre enunciador e enunciatário, confirma a manipulação e a crença nos valores no discurso. A pesquisa pretende também ser um caminho de análise da argumentação nos textos, contribuindo, consequentemente, para o estudo da argumentação em textos literários.

 

Marcus Vinicius Brotto de Almeida

Título:O REDATOR ESTRATEGISTA Uma Proposta metacognitiva para o ensino da organização tópica do parágrafo argumentativo

Orientadora: Ana Flávia Lopes Magela Gerhardt Páginas: 306



O principal objetivo deste trabalho é oferecer uma abordagem didática para desenvolver a consciência metatextual nos alunos sobre a organização tópica do parágrafo argumentativo. A organização tópica é um fenômeno integrante do conhecimento linguístico relacionado à distribuição das informações num texto. As redações argumentativas produzidas por alunos do Ensino Médio frequentemente revelam parágrafos com problemas nessa estrutura. Para alcançar esse objetivo, inicialmente, produziu-se uma unidade didática com atividades baseadas em operações metalinguísticas – i.e., identificação dos parâmetros, comparação entre estruturas bem e mal formadas, produção da estrutura e identificação e correção de falhas (GERHARDT, 2016) – e fornecimento de conhecimento metaestratégico relacionado aos processos da escrita (HAYES; FLOWER, 1980; KELLOGG, 1994). No modelo proposto nesta tese, a organização tópica do parágrafo argumentativo constitui uma unidade informacional composta por quatro categorias funcionais: período contextualizador (opcional), período tópico, períodos de expansão e período de conclusão (opcional). A qualidade da adequação dessa estrutura é estabelecida com base nos parâmetros presença, congruência, fronteira e ordem (GERHARDT, 2016). A partir deles, identificam-se os seguintes tipos de falhas na organização do parágrafo: ausência ou má formulação do tópico; ausência ou inconsistência da expansão; incongruência entre os constituintes; ausência de delimitação entre tópico e expansão; fragmentação da unidade informacional; acúmulo de tópicos; posicionamento incorreto dos constituintes. Postula-se que essas falhas decorram do desenvolvimento insuficiente do letramento linguístico (RAVID; TOLCHINSKY, 2002), devido ao ensino focado na escrita como produto. Dessa forma, argumenta-se em favor do ensino centrado no aprendiz, seus saberes e processos (GERHARDT, 2013), mediante o desenvolvimento metacognitivo e metalinguístico aplicados à escrita. A metacognição abrange os conhecimentos sobre cognição, tarefas e estratégias e a regulação da atividade cognitiva (FLAVELL, 1979; NELSON; NARENS, 1990, 1994). Nesse sentido, a consciência metalinguística consiste na capacidade para observar a língua como um objeto autônomo e para regular os processos de produção e compreensão da linguagem (GOMBERT, 1992). A atividade metalinguística pode atuar sobre qualquer nível da língua; assim, denomina-se consciência metatextual a atividade metalinguística voltada para as propriedades do nível textual. Em seguida, aplicou-se o material a treze alunos, para verificar o efeito da unidade didática na percepção da organização tópica, na produção textual e na experiência de usar a metodologia na sala de aula. Ao longo das aulas, constatou-se a falta de motivação dos estudantes para realizar as atividades. Conclui-se que a eficácia da unidade didática não pôde ser avaliada, devido ao desengajamento dos alunos na realização das operações metalinguísticas e no emprego das estratégias de composição. Postula-se que o desengajamento decorra da percepção negativa atribuída à escrita no contexto escolar. Recomenda-se a realização de mais pesquisas que relacionem o ensino da escrita ao desenvolvimento metacognitivo e metalinguístico, atentando para a relevância dos fatores motivacionais e afetivos envolvidos na escrita.

 

Maria Carolina de Oliveira Barbosa Gama

Título: Por entre janelas e à procura do discurso: as "vidas desperdiçadas" na narrativa de José Saramago

Orientadora: Monica do Nascimento Figueiredo Páginas: 202



José Saramago foi um escritor “fascinado pela História” (CERDEIRA, 2000, p.215) e fez de sua escrita veículo de manifestação para diversas vozes à margem. Essa foi uma tendência da literatura portuguesa pós-Revolução dos Cravos que encontrou espaço na escrita saramaguiana de maneira exemplar. No entanto, em seus textos, também é possível encontrar os ecos de falhados heróis, homens que vivem a crise da pósmodernidade e parecem se encaixar naquilo que o próprio autor de Memorial do Convento (1982) apresenta como “vidas desperdiçadas”: a “pessoa comum e corrente, aquela que passa e que ninguém quer saber quem é, que não interessa nada, que aparentemente nunca fez nada que valesse a pena registrar” (SARAMAGO apud REIS, 1998, p.60). Esta tese tem o propósito de trilhar o percurso das personagens masculinas protagonistas de O ano da morte de Ricardo Reis (1984), História do cerco de Lisboa (1989) e Todos os Nomes (1997), associando-as a uma inicial condição de desperdício que é superada – parcialmente ou completamente – a partir do momento em que essas figuras ficcionais se deparam com a necessidade de empreenderem buscas individuais. As personagens analisadas transitam por entre janelas e portas que se abrem para suas existências vazias, adquirindo a consciência de um discurso próprio e até da possibilidade da autoria.

 

Margareth Andrade Morais

Título:Referênciação em campo: a construção de sentidos na notícia esportiva

Orientador: Doutora Leonor Werneck dos Santos Páginas: 180



O propósito desse trabalho consiste em investigar as estratégias de referenciação no gênero notícia esportiva de futebol, comparando a seleção desses recursos em dois jornais diferentes: um exclusivamente esportivo, Lance! e outro de assuntos gerais, O Globo. Esse estudo se justifica não só pela originalidade do corpus mas também por associar os processos de referenciação a um determinado gênero textual. Seguindo os avanços da Linguística de Texto acerca dos processos de referenciação e sua importância para a textualidade, rediscutimos a delimitação entre anáforas diretas, indiretas, encapsuladoras e a dêixis, mostrando como esses processos estão interligados e constituem um processo colaborativo de construção de sentidos, que emerge da negociação dos sujeitos. A análise dos dezesseis textos mostrou que as formas de referenciação atuam de modo diferente na construção das notícias. No jornal Lance!, verificamos uma maior argumentatividade e maior dependência dos textos ao conhecimento compartilhado sobre futebol, principalmente quando se trata do emprego de anáforas diretas e indiretas. Já no jornal O Globo, percebemos uma preocupação maior em criar um efeito de neutralidade. A diferença na seleção dos recursos está no perfil diferenciado do público de cada jornal, já que a publicação esportiva Lance! conta com um público mais especializado em futebol ao contrário do que acontece com o público mais generalista do jornal O Globo. Em relação às estratégias de referenciação, deparamo-nos com exemplos que fogem aos prototípicos descritos pelos principais teóricos da área, ampliando, assim, a descrição das formas de referenciação e suas funções discursivas. Por fim, observamos a estrutura e a característica do gênero e as formas de referenciação, a fim de verificarmos a pertinência das hipóteses postuladas e implementar uma parte importante da nossa pesquisa, que é atrelar o estudo da referenciação ao estudo dos gêneros textuais.

 

Raquel Góes de Menezes

Título: Re-LER As Cartas Portuguesas

Orientador:Jorge Fernandes da Silveira Páginas: 106



Re-ler as Cartas Portuguesas tem por objetivo refletir sobre a importância que o texto do século XVII vem adquirindo ao longo dos dois últimos séculos. Referência não só para a Literatura Portuguesa e outras na mesma língua, as Cartas interessam, particularmente, aos estudos literários e culturais no que diz respeito às questões sobre autoria textual, discurso amoroso, o papel social e o lugar político da mulher na sociedade cristã ocidental. Canonizadas no século XIX, as Cartas de Mariana Alcoforado ao Cavaleiro de Chamilly são cada vez mais relidas e reescritas na contemporaneidade por uma constelação extraordinária de mulheres escritoras, como, por exemplo, Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, as 3 Marias, autoras das Novas Cartas Portuguesas, e Adília Lopes, a poetisa pop, que revisitam a Freira de Beja, apropriando-se da figura mítica, recriando-a, multiplicando-a em forma dialógica de novas personae nos termos de uma política revolucionária do feminismo.

 

Suzanny de Araujo Ramos

Título: A razão da vertigem: figurações da subjetividade na poesia de Ferreira Gullar

Orientador: Eucanaã de Nazareno Ferraz Páginas: 205



Se a pluralidade de vozes e de perspectivas estéticas são marcas fundamentais da poesia de Ferreira Gullar, a percepção da materialidade do mundo constitui-se como uma constante. Neste trabalho, investigamos como tal percepção expõe a urgência de uma procura – sempre recomeçada no espanto – do próprio ser. Trata-se, mais propriamente, de compreender como a apurada atenção ao mundo revela um sujeito em tensão, que, num jogo de espelhos, transfere à linguagem a inquieta necessidade de fundar um mundo e, nele, a si mesmo. Num primeiro momento, procuraremos reconhecer os procedimentos reflexivos que influem no próprio modo de ser da escrita de Ferreira Gullar; neste caso, o espanto e a intencionalidade reflexiva que atravessam sua obra. Em seguida, na tentativa de reconhecer as ressonâncias dessa subjetividade lírica, focalizaremos três momentos-chaves nos quais podemos vislumbrar o sistema de pensamento que demarca a poesia do autor, a saber: quando esteve ocupado da realidade da linguagem; a seguir, da realidade do social e do coletivo; e, por fim, de uma realidade material que, mediante a experiência sensível, se coloca ao sujeito como impulsionadora de um desejo de encontro e reconhecimento.

 

Vanessa Candida de Souza

Título:A Construção de Emoção no Gênero Reportagem

Orientador: Doutora Maria Aparecida Lino Pauliukonis Páginas: 264



Este trabalho tem como objetivo investigar as estratégias de patemização utilizadas nas reportagens dos jornais Extra, O Dia e O Globo. A tese que se defende é a de que a argumentação também se dá por meio da emoção, e não apenas pela razão. O corpus desta pesquisa é composto por 18 reportagens publicadas nos jornais Extra, O Globo e O Dia nas quais se abordam os seguintes temas: ataques terroristas a Paris, ocorridos em 15 de novembro de 2015, e o acidente com o avião do time de futebol Chapecoense, ocorrido em 28 de novembro de 2016. Por meio do levantamento de operações linguístico-discursivas patemizantes, que abarcam as categorias adjetivo, substantivo, verbos e expressões, e da observação do emprego das tópicas busca-se mostrar, na prática, como ocorre o processo argumentativo baseado na emoção. Como referencial teórico, adotam-se os princípios da Análise Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau (1999), os estudos sobre emoções empreendidos por esse mesmo teórico (2010) e por Plantin (2010) e os escritos de kerbrat-Orecchioni (1997) sobre subjetividade .

 

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

Vice-coordenadora: Prof. Dra. Maria Eugênia Lammoglia 

Secretário: Maria Goretti Mello
posvernaculas@gmail.com

Atendimento

Além de atender por e-mail, a Secretaria do PPGLEV oferece atendimento telefônico e presencial de segunda a quinta-feira, das 12h às 16h, na sala F-319.

Endereço

Programa de Pós-Graduação em Letras  (Letras Vernáculas)
Faculdade de Letras da UFRJ
Av. Horácio de Macedo, 2151
Sala F-319
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