Útlima atualização 07/03/2017

 

Nesse ano foram defendias 20 Teses.

Alessandra de Paula Santos

Título: Variação e mudança no vocalismo postônico medial em português

Orientador: Silvia Figueiredo Brandão Páginas: 228



No português brasileiro, o processo de alteamento que atinge as vogais médias átonas implementa-se em contexto postônico medial plenamente no que se refere à vogal posterior (abób/o/ra > abób[u]ra) mas encontra resistência no âmbito da vogal anterior (pêss/e/go > pêss[e]gu ~ pêss[i]gu). Câmara Jr (1977) e Wetzels (1992) defendem a assimetria no processo de neutralização que atinge, de um lado, as médias e altas posteriores /ç, o, u/ e, de outro, as médias anteriores /E, e/, o que acarreta um sistema de quatro fonemas – /i, e, a, u/. Bisol (2003) afirma que processo é simétrico com a flutuação entre dois sistemas, o de cinco vogais – /i e a o u/ – e o de três vogais – /i a u/ – típicos, respectivamente, dos contextos pretônico e postônico final. A pesquisa sociolinguística variacionista investigou o fenômeno nas fala culta e popular do Estado do Rio de Janeiro e da região de Lisboa, comparando amostras levantadas nas décadas de 1970 e 1980 e na primeira década de 2000, nas duas regiões. Os resultados indicam que, na fala fluminense, as vogais médias anteriores e posteriores estão em plena variação com as altas nas duas sincronias. O alteamento é praticamente categórico na fala espontânea de pessoas que estudaram até o Ensino Fundamental, mas é inibido no âmbito de /e/ com o aumento da escolaridade e do monitoramento do discurso, que foi controlado com a aplicação de um questionário e um teste de leitura. A observação pontual dos dados demonstrou que o fenômeno é lexicalmente restrito e pode ser implementado ou refreado no nível individual dos falantes fluminenses. Já na fala lisboeta, a redução das vogais é categórica em [ˆ, u], refletindo a proposta de muitos autores, especialmente Mateus & Andrade (2000), para o português europeu. Os resultados da fala fluminense, conjugados com outras pesquisas, levam à conclusão de que a instabilidade na implementação do alteamento no Brasil só existe no nível fonético, pela variação entre [e] e [i], e a mudança já está prevista no nível subjacente, que apresenta os fonemas /i a u/, à semelhança do contexto postônico final.

 

Clarisse Fukelman

Título: Roupas, objetos e espaços: a cultural material em Clarice Lispector

Orientador: Antonio Carlos Secchin Páginas:237



A proposta da tese é desenvolver uma leitura da obra de Clarice Lispector, considerando o objeto e o espaço ficcionais, conceitos estabelecidos a partir do diálogo com a antropologia, as artes Visuais e a comunicação Social. Na antropologia, o objeto e o espaço visível e tangível são concebidos como campos de mediação em que se desenvolvem experiências sociais, culturais, sensoriais e afetivas. As artes visuais oferecem parte substantiva do referencial teórico sobre espaço e objeto, desde a inserção do objeto cotidiano nas obras até as buscas de novas formas de interatividade no processo criativo. Teorias da comunicação desenvolvidas por expoentes da Teoria Crítica (especialmente Walter Benjamin), dão subsídios para observar a forma pela qual a autora discute o homem moderno e pós-moderno - a fratura na comunicação, a memória, a mercantilização de valores, a infância, a velhice e a subjugação da mulher. A convocação de operadores de leitura de outros domínios valoriza a arquitetura fluida do texto e os movimentos andarilhos dos personagens claricianos - o que pede, a nosso ver, um tratamento prismático.
São estudados diversos tipos de texto da escritora (contos, cartas, romances, crônicas, entrevistas) em que objetos ficcionais expressam e elaboram subjetividades (individuais e coletivas) em momentos de crise, reflexão ou ruptura com o tempo cotdiano e/ou com laços afetivos.

 

Elaine Alves Santos Melo

Título: Construções de tópico sujeito: um caso de mudança na expressão da posse externa do PB

Orientador: Silvia Regina de Oliveira Cavalcante Páginas: 181



Esta tese examina a sintaxe das construções de tópico sujeito no PB, tais como “o celular acabou a bateria”, com o objetivo de discutir: (i) a descrição das construções de tópico sujeito que envolvem um DP [+possuidor] na posição de sujeito; (ii) a origem dessas construções; (iii) e uma proposta de análise teórica, considerando os pressupostos da Teoria Gerativa em sua versão Minimalista (CHOMSKY, 1995; 1998, 2001). Os dados analisados advêm de uma amostra constituída por buscas on line e falas espontâneas e por um corpus formado por peças de teatro e Sermões e Cartas, escritos por autores portugueses e brasileiros, nascidos entre os séculos XVI e XX.
Neste trabalho, defendo que nas construções de tópico sujeito do português brasileiro que envolvem um DP [+possuidor] na posição de sujeito, há a estrutura de posse externa (PAYNE e BARSHI, 1999), que ocorre quando há posse inalienável ou meronímica, com verbos inacusativos que indicam mudança de estado. A análise diacrônica mostra que a emergência desse tipo de construção está relacionada a uma mudança na sintaxe da posse externa que deixa de ser expressa pelo clítico dativo “lhe” e passa a ocorrer com um DP [+possuidor] Nominativo que ocupa a posição de [SpecTP]. A análise diacrônica, que considera também fatores sócio históricos do Brasil do século XIX, permite discutir se a emergência do tópico sujeito está relacionada à influência das línguas bantu, conforme proposto por Avelar e Cyrino (2008), Avelar e Galves (2013), Avelar (2015) ou à mudança no paradigma pronominal do português brasileiro (KATO, 2015). Defendo ao longo da tese, que a emergência do tópico sujeito tem como gatilho a mudança no paradigma pronominal. Proponho que, na derivação do tópico sujeito, a numeração não contém a preposição capaz de checar o Caso genitivo do DP [+possuidor] e é a ausência dessa preposição que torna necessário o alçamento deste DP para [Spec-TP] para que o Caso seja checado e o traço de EPP satisfeito

 

Fabiana Esteves Neves

Título: Letramento linguístico acadêmico de estudantes universitárias/os: gerenciamento metalinguístico na leitura e na escrita

Orientador: Ana Flávia Lopes Magela Gerdhardt Páginas: 326



A leitura e a escrita acadêmica no Ensino Superior constituem tema controverso tanto para estudantes quanto para professoras/es universitárias/os. Das queixas sobre os textos produzidos à falta de uma orientação realmente efetiva para a produção, os diversos problemas acabam por desvelar consequências das lacunas no ensino de língua em nível Fundamental e Médio, além de inadequações em torno da concepção de leitura/escrita no próprio contexto universitário. Em uma perspectiva cognitiva e metacognitiva, a qual privilegia o enfoque da pessoa que (meta)cogniza (GERHARDT, 2013), esta pesquisa parte dos gêneros textuais artigo teórico e par pergunta-resposta para investigar e descrever o perfil de letramento linguístico acadêmico de estudantes universitárias/os. Dentre os objetivos, está o de pormenorizar o que se está chamando de cognição escolar definicional, por meio da qual é privilegiada a apresentação apenas de conceitos, em respostas a questões discursivas que requerem a relação entre conceitos e fenômenos – portanto, que demandam a atuação de uma cognição relacional (GENTNER e LOEWENSTEIN, 2002). Propõe-se o delineamento do quadro teórico acerca do letramento linguístico acadêmico: o fundamento desta investigação é o arcabouço conceitual proposto por Ravid & Tolchinsky (2002), segundo o qual o letramento linguístico é um aspecto do conhecimento linguístico específico da escrita, configurado tanto pelo (re)conhecimento de uma diversidade de recursos de linguagem quanto pelo acesso consciente a esses recursos (o aspecto meta), para utilizá-los conforme convier. Essa consciência metacognitiva se especifica no conhecimento metalinguístico, que consiste, segundo Gombert (1992), no monitoramento e planejamento intencionais das estratégias pessoais de processamento linguístico na compreensão e na produção de textos. Completam o quadro teórico os quatro níveis de leitura de Applegate e cols. (2002) – literal, inferencial baixo, inferencial alto e inferencial global – e a proposta de ações com a escrita (BRITTON e COLS., 1975; NEWELL, 2006): reportar, sumarizar, analisar e teorizar. Quanto à metodologia, foram aplicados dois roteiros de leitura sobre um artigo acadêmico teórico a turmas da disciplina Teoria das Relações Internacionais I, do 3º período de Relações Internacionais de um centro universitário privado em Niterói, RJ. Pretendeu-se, com esses roteiros: detectar os níveis de leitura atingidos; compreender e contextualizar a percepção das/os estudantes acerca das ações com a escrita na organização do texto acadêmico; compará-la às características do letramento linguístico acadêmico aqui propostas. Verificou-se que o nível de leitura 4, inferencial global, é o menos contemplado, e que as ações mais reconhecidas são reportar e sumarizar, por meio das quais as/os estudantes também constroem suas respostas. Por isso, é frequente a ocorrência de interpretações fragmentadas e pouco abrangentes, assim como de conceituações e descrições apenas, nas quais falta a percepção do caráter analítico-teórico do artigo lido. Identificou-se que essa dificuldade resulta da pouca familiaridade das/os estudantes com as estratégias metacognitivas e metalinguísticas inerentes às atividades com a leitura e a escrita, estratégias que o ensino escolar, em geral, não explora. Pretende-se, assim, chamar atenção para a importância de fundamentar as propostas de ensino da escrita acadêmica no conhecimento sobre a forma como as pessoas (meta)cognizam quando leem e escrevem no contexto universitário.

 

Gabriela Machado Ventura

Título: Sobre jardins, cavernas e estrelas: vida, arte e morte em Gémeos, de Mário Cláudio

Orientador: Teresa Cristina Cerdeira da Silva Páginas: 243



Gémeos, do escritor português Mário Cláudio é um romance que se constrói a partir de três imagens primordiais: jardins, cavernas e estrelas. A partir desses três elementos (dois espaços físicos contrastantes e corpos celestes vislumbrados à distância), o escritor discutirá temas como a velhice, a morte, o exílio, a arte versus a destruição da guerra, a potência criadora da maturidade e a potência sexual da juventude. Separados por séculos, um Pesquisador no Museu (que se adivinha ser o Prado) apoia-se no estilo tardio de Goya para a composição de seu atormentado Dom Francisco, dividido entre os últimos estertores de um corpo que não mais o aguenta e uma explosão criativa que preencherá as paredes da Quinta do Sordo com as famosas Pinturas Negras. A proposta desta tese é a de ler o romance Gémeos, a partir de três vieses distintos, mas complementares: a consciência da morte como impulsionadora do fazer artístico; os limites da representação ante a violência e a morte; e a exploração de certas imagens obsessivas do romance, procurando suas múltiplas significações que sabemos, contudo, eternamente metamorfoseáveis.

 

Jefferson Eduardo Pereira Bessa

Título:"Aparecera em mim o meu Mestre": a poesia dramática e o Outro em Fernando Pessoa e Alberto Caeiro

Orientador: Jorge Fernandes da Silveira Páginas:156



O estudo se propõe a ler a relação entre Fernando Pessoa e Alberto Caeiro a partir da afirmação de que este aparece como Mestre daquele. Para tanto, a dramaticidade guiará a leitura. Ressalta-se que a dramaticidade não se restringe ao gênero dramático, pois ela assume uma dimensão que perpassa “essencialmente” a poesia de Pessoa. Ao mesmo tempo, a dramaticidade abrirá ao estudo a compreensão da alteridade presente na ortonímia e na heteronímia (sobretudo, Alberto Caeiro). Ou seja, a dramaticidade se apresenta na despersonalização como o gesto de acolher o Outro. No momento seguinte, lê-se o poema “O guardador de rebanhos”, seguindo questões suscitadas pela obra. A leitura do poema se faz a fim de que se exercitem questões que podem ter sido relevantes para que Caeiro seja considerado Mestre por seus leitores, sobretudo Fernando Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

 

Jorge Fernando Barbosa do Amaral

Título: A literatura brasileira e a monstruosidade negra nos portões da diferença

Orientador: Rosa Maria de Carvalho Gens e Julio Cesar França Pereira Páginas:191



Este trabalho investiga as três novelas que compõem As vítimas-algozes, de Joaquim Manuel de Macedo, e os romances A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, e O presidente negro, de Monteiro Lobato. O objetivo é examinar as formas de retratar o negro como monstro na produção oitocentista pró-abolição e na literatura simpática aos movimentos eugênicos, que tiveram força no Brasil nas primeiras décadas do século XX. Inicialmente, o estudo investiga os traços do pensamento iluminista que ajudaram a criar uma visão negativa da África e de sua diáspora, e analisa como esse pensamento influenciou o processo de formação do cenário ideológico brasileiro. A partir daí, o trabalho passa a investigar os mecanismos que fizeram com que esse cenário ideológico pudesse possibilitar o desenvolvimento tanto de uma produção literária abolicionista – que reivindicava a liberdade do escravo ao mesmo tempo em que reconhecia a sua suposta inferioridade como ser humano –, quanto de uma literatura eugênica – que vislumbrava que o Brasil, em algumas décadas, se veria livre de qualquer vestígio de sua ascendência africana. A pesquisa toma como base teórica os estudos sobre a categoria estética do Grotesco, de Mikhail Bakhtin e Wolfgang Kayser, e a teoria cultural da Monstruosidade, de Jeffrey Jerome Cohen, no sentido de se compreender como se pode atribuir qualidades grotescas e monstruosas a um determinado grupo humano, com base apenas na fronteira estabelecida pelas diferenças culturais.

 

José Filipe Mendonça da Conceição

Título:O erotismo na poesia de Armando Freitas Filho

Orientador: Eucanaã Ferraz Páginas:203



O erotismo na poesia de Armando Freitas Filho. A cidade na formação da cena e dos protagonistas das relações eróticas, o amor na esfera da violência e da violação, vida e morte, prazer e realidade, eros e civilização como princípios em conflito na consecução amorosa, afeto e agressividade na esteira dos sentimentos tabus, amar em tempos de consumo e a memória e a imaginação na construção de uma biografia amorosa e familiar, bem como do devir erótico.

 

Lilian Ribeiro Furtado

Título:Explicação e restrição: uma perspectiva cognitivista

Orientador: Maria Lúcia Leitão de Almeida Páginas:272



O presente trabalho analisa as orações relativas explicativas e restritivas presentes no corpus do grupo de estudos Discurso & Gramática sob a perspectiva semântica e pragmática das construções relativas na interação comunicativa. Para isso, consideramos que os interlocutores têm a necessidade de produzir um efeito real da mensagem no momento de elaboração dos seus textos (escrito ou oral), viabilizando o compartilhamento do mesmo nível de conhecimento no mesmo intervalo de tempo. Assim, considerando que a informação é uma composição de informações velhas com informações novas, podemos entender a codificação do falante em uma oração relativa explicativa ou restritiva. Do ponto de vista semântico, as orações relativas são diferentes e selecionadas a partir do nível de conhecimento compartilhado entre os interlocutores sobre determinado assunto. Vamos verificar, no decorrer do trabalho, que as orações relativas restritivas são introdutoras de informação dada e que as orações relativas explicativas são introdutoras de informações novas. Com isso, a necessidade ou não de detalhamento das informações vai surgindo à medida que o falante percebe, no decorrer do discurso, a necessidade de ajustar as informações para um mesmo nível informacional. Após esse entendimento, será possível entender como o falante identifica e utiliza com maestria as construções relativas, levando em conta os princípios da teoria multissistêmica relacionada ao dispositivo sociocognitivo.

 

Márcia de Oliveira Alfama Buser

Título: Imagem e Contra-imagem do Império Português: "Os Trabalhos e os Dias" de Jorge de Sena e de Rui Knopfli

Orientador: Jorge Fernandes sa Silveira e Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco Páginas:197



A Tese parte do pressuposto de que a ficção d’Os Lusíadas dá início à imagem do português como um povo conquistador e missionário, cuja identidade social e cultural foi definida por um projeto de expansão histórica calcado no modelo greco-latino de conquista do outro (o bárbaro ou o pagão). Baseio-me na proposta de reescrever Portugal a partir da obra de Jorge de Sena e de Rui Knopfli, poetas que trabalham tanto para desconstruir a imagem de superioridade do colonizador, quanto para resgatar a verdadeira identidade dos povos subjugados pelo Império Português. Considerando o conceito de parresia, defendido por Michel Foucault em A Coragem da Verdade, ressalto o cinismo de Sena e de Knopfli, na construção de uma contra-imagem de Portugal. Definir o conceito de “imagem idílica” e de “contra-imagem”, na concepção de Eduardo Lourenço, analisar o conflituoso relacionamento dos referidos poetas com suas respectivas pátrias e rastrear o sentimento anticolonialista na escrita seniana e na poesia de Rui Knopfli integram as etapas desta pesquisa.

 

Marco Antonio Saraiva

Título: O cosmos da linguagem: entre o mito e a modernidade - a poesia de Fiama Hasse Pais Brandão

Orientador: Jorge Fernandes da Silveira Páginas:199



Na obra da poeta portuguesa Fiama Hasse Pais Brandão buscamos estudar e comprovar sua cosmurgia poética, na qual o homem e sua cultura, desde os primórdios até a contemporaneidade, são os pontos centrais. Na poesia de Fiama o ser humano concebido pelo universo através do mundo é, ao mesmo tempo, a criatura que gera o seu criador, quando o cosmos, através dos elementos da natureza, é transformado em múltiplas divindades nas sociedades primitivas e pré-modernas e, após, num ser único nas religiões canonizadas, da mesma forma que, muito depois, o Homo sapiens também desenvolve a ciência na modernidade que recria o mundo e o universo através de concepções teóricas e conceitualmente. Portanto, a humanidade, representada nos poemas, herda duplamente então, a faculdade demiúrgica do espaço universal e do mundo. Relacionando esses dois aspectos, Fiama guia-se pelo referencial da primordialidade, com a visão de um mundo remoto para se contrapor ao olha fixo e obsessivo da metafísica e o pensamento puramente racional, que sob a pele de civilização oculta sutilmente a barbárie. Sua criação poética procura a sapiência das origens, substituída pelos dogmas e os conceitos do intelecto, onde está a completude de nossos antepassados e resguardaria nossa essência, quando os valores do espírito e da matéria não estavam separados, não havia cindido o istmo entre a mente e o coração. Assim Fiama tenta recuperar no único espaço possível, o da poesia, a primeva utopia em que os valores individuais transcendiam naturalmente o sujeito e a ação para a alteridade e seu grupo, a Arcádia de Homero, a Idade de Ouro de Hesíodo, o Paraíso Perdido de Milton, a Utopia de Tomas Morus. A poeta portuguesa traduz literariamente os princípios da formação do universo e o seu desenvolvimento até nossa atualidade, todavia, numa visão individual correlativa a própria singularidade do universo, desde o caos até a constituição do cosmos, do mundo, do homem e a sua história. Para conformar esse processo Fiama Hasse Pais Brandão criou, através de sua linguagem, uma cosmogonia própria, alicerçada, não apenas com os arquétipos, em conjunto com os acontecimentos do mundo, a ciência, os fatos históricos e do cotidiano. As narrativas de um tempo imemorial se entrelaçam em redes de metáforas com aquelas das tradições do mundo Ocidental e da sua herança no mundo atual, confrontando-se tessituras no poema, (re)criando novas e antigas simbologias pela imaginação da poeta, reveladoras do mundo, ou de uma atmosfera, por vezes apenas onírica. Por um lado, percebemos o ser humano e a primordialidade em sua completude e essência, do outro a metafísica, a razão e a lógica que bipartiram o homem em carne e espírito. Toda essa gênese, que se remete a perdida essência primordial, se justifica para regenerar essa fenda nos limites do espírito humano com o seu corpo. O cosmos surge, dessa forma, pela condensação de sua escrita poética, que em vez de reproduzir, cria seu próprio universo de forma original, uma mitologia literária em novas e inéditas formas poéticas, interligando dessa maneira seu processo criativo à concepção de uma physis universal, ou melhor, a geração ininterrupta de tudo que existe no universo. Sua poesia se faria numa gênese formada pela matéria-prima preexistente no universo, no mundo em sua natureza, no homem, na cultura, na arte e na literatura, interligando o passado e o presente.

 

Mário Acrisio Alves Junior

Título:O intertexto bíblico como expressão de um ethos em crônicas de Lya Luft

Orientador: Lúcia Helena Martins Gouvêa Páginas:183



Esta pesquisa tem o objetivo de estudar a construção de um ethos religioso cristão em crônicas de Lya Luft, expresso por meio de diferentes tipologias e configurações intertextuais que remetem ao texto bíblico. O corpus é composto por 53 crônicas selecionadas entre os anos de 2005 e 2013 e extraídas da revista Veja, em que os textos de Lya Luft são publicados quinzenalmente. O recorte teórico adotado é fruto de uma articulação entre conceitos advindos das teorias da Enunciação e da Análise do Discurso em sua vertente semiolinguística. Os dados revelam três tipologias do fenômeno intertextual: intertextualidade com valor de captação, intertextualidade com valor de subversão e intertextualidade por alusão. As análises, de natureza qualitativa e quantitativa, destacam, entre outros aspectos: a afinidade da cronista com o discurso bíblico; a destreza com a qual emprega fragmentos bíblicos na composição de seus textos; o número extremamente expressivo de casos de alusão ao texto bíblico, os quais, ancorados na memória discursiva, por serem menos explícitos se comparados aos outros dois tipos, transcendem os limites do cotexto, situando-se no nível mais profundo de uma escala de implicitude; e, enfim, uma quantidade menor, porém considerável, de casos de subversão, estes particularmente analisados sob o prisma da Teoria Polifônica da Enunciação. As análises confirmam, então, que o intertexto bíblico expressa um ethos cristão nas crônicas de Lya Luft.

 

Naira de Almeida Velozo

Título: Usos de mas+cláusula no gerenciamento da conversa: uma proposta de descrição semântico-cognitiva

Orientador: Maria Lucia Leitão de Almeida Páginas:150



Estudo das ocorrências de mas+cláusula em uma sessão de mediação, etapa de um processo judicial, com vistas a investigar as funções semântico-cognitivas dessa construção no corpus e, por conseguinte, apresentar uma proposta de descrição, segundo os pressupostos da Linguística Cognitiva, que abarque os usos do mas como conector interfrástico e como início acessório. Para tanto, fundamenta-se, sobretudo, nos estudos acerca da linguagem como um Modelo Baseado no Uso (TOMASELLO, 2003a[1999]), na Teoria dos Espaços Mentais (FAUCONNIER, 1997) e no conceito de esquemas imagéticos (CROFT e CRUSE, 2004). Postula-se que a construção mas+cláusula possa ser descrita como uma categoria radial cujos membros se fundamentam em diferentes esquemas de força e criam tipos diversos de espaços mentais. Observa-se que o núcleo da categoria é ocupado pelos usos de mas+cláusula apoiados no esquemas de força contrária, os quais ativam espaços contrários, em relação àqueles que se ligam por meio do mas, quanto às bases de conhecimento que apoiam os espaços mentais, frames e MCIs; às suposições de fundo e implicaturas; e ao tipo de espaço, quando se estabelece a relação entre possibilidade ou representação e asserção, manifestada como realidade. Os usos de mas+cláusula apoiados no esquema de força contrária constroem ainda espaços opositores em nível epistêmico, quando há exposição de argumentos contrários, e em nível conversacional, quando existe disputa entre manutenção e encerramento de tópico. Os membros mais próximos ao núcleo da categoria se referem aos usos de mas+cláusula fundamentados pelo esquema de bloqueio, os quais abrem espaços mentais que operam em nível epistêmico e conversacional. Em nível epistêmico, os espaços visam a invalidar o7 encaminhamento argumentativo apresentado pela rede de espaços anterior ao uso da construção ou a suposição de fundo que sustenta tal rede; e ainda a ajustar o foco dos interlocutores para um mesmo MCI ou elemento de MCI que apoia a rede construída antes do uso do mas. Já em nível conversacional, os espaços construídos pelo uso de mas(bloqueio)+cláusula operam em relação à tomada de turno, a qual pode ser ou não efetivada, o que torna o bloqueio de difícil ou fácil remoção. Um pouco mais afastados do núcleo da categoria, estão os membros apoiados pelo esquema de restrição, os quais ativam espaços que atuam no desvio de foco de uma entidade, representada em um primeiro espaço, para outra, apresentada no espaço aberto por mas; na construção de ressalvas, por meio da inserção ou limitação de uma propriedade no frame ou MCI que apoia o espaço ativado pelo uso de mas(restrição)+cláusula; no ajuste de MCI por anulação de um elemento; ou na construção de uma condição, que, discursivamente, funciona como um limite a um espaço de asserção. Já os membros mais periféricos da categoria, apoiados no esquema de desequilíbrio, constroem espaços epistêmicos que operam em nível argumentativo, causando um desnível entre os argumentos apresentados no espaço construído pelo uso de mas(desequilíbrio)+cláusula e aqueles evidenciados em espaços construídos anteriormente no discurso. Os resultados da pesquisa, portanto, delineiam uma proposta de descrição do conector+cláusula como uma categoria radial cujos elementos atuam na construção, desconstrução e reconstrução de sentidos, orientando a conversa em nível epistêmico e conversacional.

 

Patricia Ferreira Botelho

Título: Conhecimento prévio e atividades escolares de leitura - uma abordagem cognitiva e metacognitiva

Orientador: Ana Flávia Lopes Magela Gerhardt Páginas:249



Os livros didáticos (LD) de Língua Portuguesa contêm, em sua maioria, atividades de leitura sob o modelo de reprodução de conteúdo. Esses exercícios têm como fonte de informações apenas o texto; a sua organização bem como a sua realização não se baseiam no emprego do conhecimento prévio dos alunos e, portanto, não consideram as suas subjetividades tampouco a natureza cognitivo-processual da construção de significados em leitura, que é o construto de que trata esta Tese. Com base nesse cenário, delimitamos como questão central a discussão do conceito de conhecimento prévio e a sua relevância para a compreensão e redefinição do ensino de leitura. Na análise das atividades retiradas de alguns livros didáticos, buscamos evidenciar causas e consequências dos problemas descritivos, conceituais e metodológicos decorrentes do não emprego do conhecimento prévio dos alunos e da manutenção do modelo de leitura focado no conteúdo do texto. Propomos uma redefinição do conceito de conhecimento prévio, pois percebemos que seu emprego, em leitura, envolve o uso de outro conceito importante nos estudos em cognição: a ativação do frame correspondente à compreensão do texto; e, relativamente à ativação dos frames, o acionamento de slots, estruturas presentes no conhecimento prévio que instanciam as características dos frames (DUQUE, 2014). Realizamos um estudo que avaliou a atividade de leitura do livro didático de Cereja e Magalhães (2010), comparando-as às novas perguntas que formulamos sobre o mesmo texto, para um teste de leitura em turmas do Ensino Médio. Foram elencados dois testes para o estudo comparativo: o Teste Controle, com aplicação das atividades propostas nos livros didáticos, e o Teste Experimental, realizado para investigação e análise do aparato didático que propusemos. Vale ressaltar que o Teste Experimental baseia-se no modelo de aprendizagem escolar proposto por Nelson e Narens (1994), com o emprego de estratégias metacognitivas para acesso ao conhecimento prévio nos três momentos que envolvem a atividade de leitura: pré-leitura, durante a leitura e pós-leitura. Esses dois testes serão avaliados conforme os parâmetros de enquadramento dos três eixos materiais de observação das atividades de leitura: Os textos selecionados, as perguntas propostas e as respostas sugeridas pelos livros em cotejo com as respostas efetivamente dadas pelos alunos nos testes Controle e Experimental. O confronto entre as atividades dos LD e as que foram elaboradas por nós permite constituir uma avaliação para formular estratégias de acesso ao conhecimento prévio e, com base nisso, pretendemos propor a melhoria da qualidade da leitura no ensino a partir da reorganização de cada eixo que envolve o processo de leitura – disposição do texto, apresentação de perguntas e produção de respostas – como ações que precisam estar relacionadas ao emprego do conhecimento prévio nas atividades, via acionamento de frames e de slots, e pela apresentação explícita dos objetivos de leitura e de aprendizado na escola.

 

Raquel Cristina de Souza e Souza

Título: A ficção juvenil brasileira em busca de identidade: a formação do campo e do leitor

Orientador: Rosa Maria de Carvalho Gens Páginas:460



Nas últimas décadas, temos observado o surgimento de um campo literário juvenil autônomo, que conta cada vez mais com um sistema próprio de produção, circulação e consumo. Deste modo, cabe à universidade proceder à leitura crítica dessa produção, almejando destacar, em meio à enxurrada de títulos publicados para atender a escola e o mercado, aqueles que podem ter sua qualidade estética atestada. Acreditamos, porém, que essa crítica não deva se encastelar academicamente, mas contribuir para as reflexões acerca dos encontros e desencontros entre livros e leitores, especialmente aqueles em idade escolar. Por isso, esta tese se produz na confluência entre a crítica, a recepção e o ensino, partindo do pressuposto de que a ficção juvenil se define pelo duplo destinatário inscrito nos textos e paratextos: o jovem que lê (por prazer ou obrigação) e o adulto que legitima. Propomo-nos, assim, a situar o advento da literatura juvenil, em especial a narrativa de ficção, enquanto realidade editorial, escolar e literária, em um movimento mais amplo de transformações sociais. Apoiados nos conceitos de sistema literário de Antonio Candido (2000) e Zohar Shavit (1986) e campo literário de Pierre Bourdieu (1996, 2009), procuramos delinear os fatores extraliterários que levaram à formação, no nosso país, de um (sub)sistema literário juvenil autônomo. Para fundamentar teoricamente tanto as análises literárias do corpus quanto a interpretação dos dados sobre a recepção das obras por seus leitores-alvo, tomamos por base a Estética da Recepção (JAUSS, 1979) e a Teoria do Efeito (ISER, 1996). Do leitor virtual e teórico tentamos, pois, nos aproximar do leitor empírico, real. Seis narrativas de dois autores contemporâneos para jovens foram interpretadas por seus duplos destinatários (a pesquisadora e os jovens do segundo segmento do Ensino Fundamental com quem trabalha em uma instituição pública de Ensino Básico), de forma que pudéssemos tecer alguns comentários sobre a recepção individual das obras de Jorge Miguel Marinho, autor mais confortável com rótulo juvenil de sua produção, e Gustavo Bernardo, autor mais reticente em relação ao enquadramento de seus textos nesta categoria específica. A dupla leitura possibilitou, assim, que enveredássemos por dois caminhos distintos, porém complementares: o da crítica acadêmica, essencial para a legitimação dos autores e de suas produções no interior do campo juvenil, mas nem por isso menos importante para dar visibilidade a eles também fora do subsistema; e o da formação do leitor literário no segundo segmento do Ensino Fundamental, tendo em vista a negligência com que a universidade costuma olhar para a presença da leitura literária nesta etapa do ensino, por conta da marginalização da produção feita para jovens no meio acadêmico enquanto realidade literária.

 

Renato Martins e Silva

Título: Travessias, rupturas e transgressões: a experiência da morte na Literatura Portuguesa oitocentista

Orientador: Mônica do Nascimento Figueiredo Páginas:263



A literatura é o espaço privilegiado que possibilita a experimentação da morte. Esta tese pretende, portanto, explorar contos fantásticos portugueses do século XIX que repercutiram a ficcionalização de experiências que tornavam possível problematizar os mistérios da morte. Os contos aqui estudados foram escritos por autores que têm sido marginalizados pelo esquecimento e é intuito deste trabalho também a atualização de seus nomes junto à nossa contemporaneidade. Iniciaremos nosso percurso apresentando algumas das principais teorias sobre o fantástico, com especial destaque aos estudos de Tzvetan Todorov acerca do fantástico oitocentista. Demonstraremos que, no decorrer da história da Humanidade, a relação do homem com a morte e os rituais que a cercavam foram passando por importantes transformações. A era vitoriana, em particular, modificou o modo como os indivíduos se relacionavam com a morte de forma mais significativa e, tais mudanças, reverberavam no texto literário. O homem vitoriano, mais incisivamente, passou a negar a morte, buscando nos avanços médicos e científicos um prolongamento de sua própria existência. Em outra frente, esse mesmo homem buscou experimentar ainda mais intensamente a morte, mas sem colocar-se em risco, apenas explorando o que haveria do outro lado por meio da literatura. Esse movimento social que se expandiu vigorosamente no século XIX, certamente, mantém-se contemporâneo. Seu expressivo desejo de escapar da morte e, na sua impossibilidade, negá-la ao propor um mundo paralelo no qual a sua inexorável aproximação não é o fim, mas uma transição, será identificado nas diferentes manifestações sobrenaturais presentes no corpus ficcional selecionado, composto por narrativas de Pinheiro Chagas, Álvaro do Carvalhal, Rebelo da Silva, Osório de Vasconcelos e Teófilo Braga.

 

Roberto de Andrade Lota

Título: A atualizade clássica nas trilogias trágicas de Adonias Filho e Autran Dourado

Orientador: Ronaldes de Melo e Souza Páginas:248



A tese a Atualidade clássica nas trilogias trágicas de Adonias Filho e Autran Dourado estuda de que maneira Os Servos da morte, Memórias de Lázaro e Corpo vivo, do primeiro autor, e Lucas Procópio, um Cavalheiro de Antigamente e Ópera dos Mortos, do segundo, ratificam a construção de uma prosa de fortes valores trágicos na literatura brasileira. Para isso, observamos de que modo eles se valeram da crítica literária para não caírem diante do gigantesco legado grego, ao mesmo tempo que criam obras de arte verdadeiramente originais. Em nossa metodologia visitamos os românticos da Escola de Jena com o objetivo de descobrir ali as raízes do trágico que se converte de forma em sentido. Assim, somos capazes de compreender como os autores brasileiros que estudamos conseguiram representar pelo gênero narrativo uma potência do gênero dramático. Nossa metodologia também estudou os elementos da narrativa que serviam para a concretização de uma característica eidética. Após isso, nos valemos de um capítulo exegético para cada autor, a fim de nos dedicarmos mais detidamente às idiossincrasias de suas obras.

 

Simão Pedro dos Santos

Título: Dedos cravejados de brilhantes, chapéus de estrelas carregados: a épica dos cangaceiros na literatura de cordel

Orientador: Anélia Montechiari Pietrani Páginas:207



A presente tese defende a ocorrência de uma matéria épica da literatura de cordel com ênfase no cangaço, a partir de uma memória oral como fundo para a memória escrita. Para a idealização mítica contemporânea aos cangaceiros, com rara exceção, usou-se a primeira pessoa do discurso. O processo de feitura desses textos era calcado em uma primeira pessoa a que chamamos de Eu épico, pelos motivos inerentes à conturbada trajetória das personagens. A ideia de fazê-los heróis, no entanto, se prolonga até os dias atuais, já com a isenção poética pertinente à distância no tempo. Nas narrativas épicas do cordel, há filetes espontâneos com as técnicas das narrativas clássicas como a invocação, a rememorização, a sobrenaturalidade, as façanhas inusitadas, mas ainda, e principalmente, há íntimo diálogo com textos medievais e ibéricos legados ao Nordeste no período colonial. Narrativas como as de Carlos Magno e outras são a essência da invenção e reinvenção dos heróis locais. Este estudo se fundamenta em textos de Anazildo Vasconcelos, Arnold Hauser, Eric Hobsbawm, Aglae Lima de Oliveira, Câmara Cascudo, Rui Facó, Jerusa Pires Ferreira, entre outros, que constituem o apoio teórico nos estudos do cordel épico. O corpus analisado se compõe de textos de Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista, pioneiros do cordel brasileiro, e se estende aos poetas contemporâneos, que igualmente abordaram a temática ora proposta.

 

Vítor de Moura Vivas

Título: Abordagem de padrões derivacionais nas marcas de modo-tempo-aspecto e número-pessoa: por uma visão gradiente da morfologia do português

Orientador: Carlos Alexandre Victorio Gonçalves Páginas:172



Diversos autores discutem os processos morfológicos flexão e derivação como distintos de forma gradiente e não discreta. Dentre estes, utilizamos, na Tese, os aportes teóricos de Bybee (1985; 2010); Booij (1996; 2006); Manova (2005); González Torres (2010); Winter (2011); Piza (2001); Gonçalves (2005; 2011). Nossa abordagem é de base funcionalista-cognitivista, visto que nos fundamentamos em noções caras ao Cognitivismo como a gradiência.
Propomos que as marcas modo-tempo-aspectuais (MTA) e número-pessoais (NP) não devem ser entendidas como totalmente flexionais em português. Por mais que essas partículas apresentem mais características flexionais, atributos derivacionais também existem; desse modo, uma visão que considere uma separação gradiente entre flexão e derivação parece bastante adequada aos dados.
Demonstramos que as palavras morfologicamente estruturadas com elementos MTA e NP nem sempre são estáveis quanto à classe morfológica e ao significado fundamentando-nos em critérios como lexicalização categorial, instabilidade categorial, lexicalização semântica, improdutividade, não-obrigatoriedade, entre outros. Além disso, essas marcas, em alguns momentos, estão a serviço da expansão lexical. Isso evidencia a existência de padrões derivacionais instanciados por essas marcas que precisam ser descritos e abordados na morfologia do português. Acreditamos que, quando se trata de flexão verbal, a categorização por protótipos é mais efetiva que a categorização nos moldes clássicos (aristotélicos), visto que dá conta de quaisquer
dados produzidos na língua. Com a análise desses critérios apontados acima e de outros discutidos na Tese, evidenciamos que um olhar efetivo para os dados verbais do português indica que existem padrões derivacionais instanciados pelas marcas de MTA e NP. Na Tese, além de apresentar esses padrões derivacionais, evidenciamos as suas motivações formais e semânticas. Assim, objetivamos explicar, na forma e no significado, o que faz com que apenas algumas marcas instanciem padrões derivacionais.

 

Viviane Mendes de Moraes

Título: Entre as savanas de arizez e os horizontes da poesia: a multifacetada geopoética de Rui Knopfli

Orientador: Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco e Ana Mafalda Leite Páginas:250



Nesta tese de doutorado busca-se evidenciar como o poeta moçambicano Rui Knopfli instaura uma nova geopoética nas Literaturas de Língua Portuguesa, em especial, na Literatura Moçambicana. Por meio da análise de sua Antologia poética (KNOPFLI, 2003), em que se reúnem poemas de todas as obras do autor, almeja-se traçar um perfil paisagístico-literário, verificando os afetos e atravessamentos de que se constituem a poesia de Knopfli, o poeta por si mesmo e seu olhar para o mundo. Passeia-se pelas estradas de seus versos, desvelando anseios, previsões, atritos, conflitos, ironias, hibridismo, cosmopolitismo, memória e também o exílio. Teóricos da poesia e da literatura, entre os quais: Michel Collot, Linda Hutcheon, Edward Said, Ramazani, Angel Rama, servirão de base para a análise e para a condução literária deste trabalho. Estudiosos da Cultura e Literatura Moçambicana e Africana, em geral, como Appiah, Césaire, Eugénio Lisboa, Francisco Noa, Ana Mafalda Leite, Rita Chaves, Luís Cabaço, entre outros, auxiliarão a guiar o olhar da tese em direção a questões relevantes para a literatura moçambicana e para o poeta estudado.

 

 

 

Coordenação

Coordenador: Prof. Dr. Adauri Bastos

Vice-coordenadora: Prof. Dra. Maria Eugênia Lammoglia 

Secretário: Maria Goretti Mello
posvernaculas@gmail.com

Atendimento

Além de atender por e-mail, a Secretaria do PPGLEV oferece atendimento telefônico e presencial de segunda a quinta-feira, das 12h às 16h, na sala F-319.

Endereço

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